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O Victor, conhecido como Bbzão, trouxe muita bagagem de Salvador para São Paulo. Foi lá que ele nasceu e foi criado, entrou no mundo da música, descobriu a vida de DJ e produtor, conheceu o amigo com quem trabalha (ninguém menos do que Baco Exu do Blues) e também conheceu o grafiteiro Core, que customizou o seu Nike AF1 de um jeito muito especial.
FOTOS POR VITÓRIA LEONA

“Meu nome é Victor e eu sou o DJ desde os meus 18 anos – hoje eu tenho 23, quase 24. Nasci e fui criado em Salvador, Bahia, e me mudei pra São Paulo tem um ano agora. Depois de namorar bastante São Paulo, acabamos mudando a banda para cá. Eu trabalho com um amigo meu de infância, como DJ na banda dele, mas também tenho meu trabalho solo. A princípio eu vim por causa desse formato do Baco Exu do Blues, são os moleques que eu conheço desde criança, a gente se juntou para fazer um som. Aqui em São Paulo tem tudo que a gente precisava, Salvador era carente de acontecimento para qualquer coisa que quisesse fazer.

Agora eu tô fazendo também faculdade de publicidade, eu não me considero designer, ou publicitário. Eu sou produtor e faço beats.

Como o seu interesse pela música começou? 

As pessoas não acreditam que você consegue viver de arte, ainda mais em Salvador quando você tem a estética e cultura de outro país na sua vida. Eu tava sempre na rua com os moleques fazendo rima, ao mesmo tempo tinha uns caras do Rock in Roll movimentando a cena – o Rock Salvador tem referências muito fodas. O nosso sonho era ser rockeiro né, tinha essa parada de camisetas de rock e calças super apertadas, jovens fumando cigarro e etc. Eu achava muito foda o lifestyle desses caras.

Hip Hop foi a parada de algum momento ali, alguém precisava de um DJ e aí eu tava com uma camisa do Notorious e a galera olhou para mim e falou “esse cara tem que ser DJ porque ele sabe e já tem identidade visual” (risos). Meus amigos eram da cena eletrônica, e aí eu ficava aprendendo com eles como fazia, como tocava, aprendi a produzir também.

AS PESSOAS NÃO ACREDITAM QUE VOCÊ CONSEGUE VIVER DE ARTE, AINDA MAIS EM SALVADOR QUANDO VOCÊ TEM A ESTÉTICA E CULTURA DE OUTRO PAÍS NA SUA VIDA. EU TAVA SEMPRE NA RUA COM OS MOLEQUES FAZENDO RIMA.

Hoje em dia você toca com Baco, quando essa trajetória começou?

Eu conheço Diogo desde quando a gente era guri, a gente era muito parceiro. Ele tava querendo gravar um álbum, eu levei ele para o estúdio de um primo de um amigo meu – uns parças meus já gravaram lá tipo o Vandal e o Hiran também. A gente gravou lá no estúdio e aí a partir do primeiro show do Exu eu tava junto.

Quais são as suas maiores referências no mundo da moda e da música?

As minhas referências de moda são os meus amigos. Além disso, não tem como não dizer que o Virgil é uma referência também, eu sou um cara bem normcore, se eu pudesse me vestir de moletom, calça e Air Force 1, ia ser isso aí acabou. O A$ap Nast é uma referência muito forte para mim, de todos os rappers ele é o que mais se veste bem para mim; o Tyler é muito foda também. Já de som, hoje em dia eu tô ouvindo muito grime, a Beyoncé também é uma ótima referência, até porque ela tá fazendo trap hoje em dia, ela está me comprando (risos). Já foi Kanye West um dia, mas hoje não mais.

Quando você começou a curtir tênis?

Foi quando eu comecei a jogar basquete, eu tava louco por um And 1 mas não consegui e acabei comprando um Adidas. E eu continuei usando tênis de basquete e hoje em dia eu curto muito o Air Jordan 1. O All Star é aquela parada introduzida para gente, todas as crianças usavam, era muito barato e produzido aqui, eu curtia bastante também.

A MODA É MUITO IMPORTANTE PARA MIM, ELA TEM UM RESGATE DE AUTOESTIMA, ELA TE AJUDA A DESCOBRIR QUEM VOCÊ É E COMO VOCÊ PODE SE EXPRESSAR. ISSO É UMA DÚVIDA PARA TODO MUNDO QUE É ARTISTA: COMO SE EXPRESSAR? COMO CHEGAR AOS PÉS OU SER MELHOR QUE AS SUAS REFERÊNCIAS?

E porque de todos os seus tênis, esse Air Force 1 é o mais especial pra você?

Quando eu e o Core estávamos falando da customização, a ideia era fazer em um Converse, mas eu comprei o preto e a tinta não pegava no tecido, não deu certo. Um tempo depois eu fiz um evento no Coala junto com a Nike, eles me deram umas coisas lá e veio esse Air Force branco. Na época a Nike tava fazendo uma ação de customização com o AF1, então eu vi que ia dar certo de fazer o mesmo. Aí eu cheguei para o Core enchendo o saco dele para a gente fazer isso e ele topou.

A moda é muito importante para mim, ela tem um resgate de autoestima, ela te ajuda a descobrir quem você é e como você pode se expressar. Isso é uma dúvida para todo mundo que é artista: como se expressar? Como chegar aos pés ou ser melhor que as suas referências? E o tênis customizado é uma referência do contemporâneo, do Virgil, do pessoal do A$ap Mob. E na minha opinião, dificilmente a Nike vai conseguir ser tão underground e verdadeiro com a cultura, como foi essa custom.

O mais legal de ver é que o tênis tem duas camadas de desenho.

O Core demorou bastante tempo para entender como ia ser aplicação no couro por ser um material que não absorve a tinta. E aí ele pensou na caneta, o que é algo que não sai, então essa foi a primeira ideia dele. E como ele é do grafite e manuseia tinta, ele aproveitou e usou as tintas pra pintar umas três camadas. A tinta spray ficar dura e vira tipo uma casquinha, e com o uso ela vai se desgastando, assim gente consegue ver algumas coisas que ele desenhou de caneta. Eu não sei se algum dia eu vou conseguir ver todo o desenho de caneta, mas eu espero que sim.

Você faria custom em algum outro tênis?

Com certeza o Converse Chuck Taylor, ele é a cara do custom.

Nike Air Force 1 por Core
Ganhado: 2018
Dono: Bbzão
📸 por: Vitoria Leona