A Débora Taylor não para! Ela é corredora, fundadora do Project Run, o primeiro grupo de corrida liderado somente por negros no Brasil, fundadora do Project Girls, um grupo de corrida só para mulheres, e mãe de três filhos.
Seu trabalho faz várias pessoas começarem a correr. Também leva corredores além das esteiras de academia e parques, direto para as ruas explorar o ambiente da cidade.
A Débora conversou com a gente sobre tudo isso e sobre seu Adidas Ultra Boost 19, que vai estar com ela na meia maratona de Nova York. 
FOTOS POR VITÓRIA LEONA

“Eu sou a Débora, sou mãe com três filhos, corredora, não parece mas eu tenho 39 anos (risos), sou casada, e atualmente sou líder de um grupo de corrida de rua – que é o primeiro grupo de corrida liderado somente por negros no Brasil.”

É UMA PAIXÃO QUE REALMENTE TRANSFORMOU A MINHA VIDA E HOJE EU QUERO PASSAR ESSA PAIXÃO, MOSTRAR PARA AS PESSOAS QUE EU DESCOBRI QUE A DÉBORA – MULHER E MÃE – QUE A GENTE PODE SIM TER UM TEMPINHO PARA CUIDAR DA SAÚDE. ACHO ISSO MUITO IMPORTANTE. NA CORRERIA DO DIA A DIA TODO MUNDO SEMPRE COLOCA DESCULPAS PARA NÃO IR E NÃO FAZER, MAS COMO QUE VOCÊ NÃO CONSEGUE? DÁ PARA FAZER, DÁ PARA TODO MUNDO FAZER.

Como e quando você se envolveu com a corrida? 

Foi muito sem querer. Eu tava em uma rotina do dia a dia, com trabalho, casa, marido, filhos; eu ia para academia mas não era aquele foco todo. Nesse período eu fiquei com depressão e foi aí que eu descobri sem querer a corrida. Antes eu não gostava de correr porque achava a corrida muito monótona, mas um dia eu vi uns amigos indo para o parque Ibirapuera treinar e decidi ir com eles.

Depois desse primeiro treino, eu fui outras vezes e depois de 3 meses na corrida, eu consegui virar meia maratonista, minha primeira 20k e 21k. Depois desse dia minha vida melhorou muito, só quem corre que vai poder me entender. Além de esteticamente, minha vida melhorou em casa, meu marido virou corredor também, eu conheci muita mais pessoas e cidades também, dentro e fora do Brasil.

As pessoas dizem que a corrida é um esporte muito solitário, mas pode não ser. Com a corrida em grupo um ajuda o outro, um se preocupa com o outro, um anima o outro para correr. É uma paixão que realmente transformou a minha vida e hoje eu quero passar essa paixão, mostrar para as pessoas que eu descobri que a Débora – mulher e mãe – que a gente pode sim ter um tempinho para cuidar da saúde. Acho isso muito importante. Na correria do dia a dia todo mundo sempre coloca desculpas para não ir e não fazer, mas como que você não consegue? Dá para fazer, dá para todo mundo fazer.

No dia 8 de março você estreou seu novo grupo de corrida, o Project Girls. Conta mais sobre esse novo projeto pra gente.

O Project Girls é um treino só para mulheres com o objetivo de tirar a mulherada do parque. É uma corrida de rua, vamos correr pelo Centrão da cidade de São Paulo para conhecer mais a cidade, ver a beleza dela. Nós mulheres juntas, conseguimos se redescobrir, juntas somos mais fortes e assim a gente consegue trazer outras pessoas também – pode ser 10 mulheres, não importa – mas a gente vai estar junto do começo meio e fim, ninguém vai ficar para trás. A corrida também é muito sobre superação, sobre você se doar, você ter seu limite e conseguir superar suas metas, sair do sofá, sair do parque, conhecer São Paulo. A cidade é tão foda, porque não?. O mais legal de ver foi que eu abri inscrição no site e acabou em 10 minutos 50 vagas!

Outra coisa que eu tenho em mente para esse projeto, é trazer ele para meninas. Porque a gente fala muito de mulher, mulher depressiva, a mulher que perdeu marido, a mulher que engordou, e enfim. Só que a gente esquece que antes de sermos mulheres, nós somos meninas. E eu acho que essa fase entre a pré-adolescência e adolescência, de 12 a 18 anos, é a pior fase, porque tem aquele fato de você ser magra demais, do peito ser grande demais, é a orelha, o cabelo, tem toda essa fase de aceitação.

Então a ideia é dar um treino de uma hora e meia para as meninas, e assim elas vão ficar todo esse tempo longe do celular. Eu quero tirar elas da rede social, juntá-las e fazer elas interagirem entre si; eu quero conversar com elas e que elas conversem entre si, sobre todos os assuntos. Vem com a tia que dá certo (risos).

Eu tenho uma filha de 14 anos e ela é o oposto de mim. Ela é quietinha, não fala muito. Um dia que eu fui trançar seu cabelo e vi que ele estava caindo, tava bem liso no couro cabeludo; os pelos do braço estavam caindo também. Fui perguntar o que era mas ela não falava para mim. Então fui na escola e eles falaram que ela é uma ótima aluna, as notas estavam excelentes…só que depois descobri que ela estava sofrendo racismo na escola. Ela guardou tudo isso para ela. Eu fiquei um ano desempregada, sem trabalhar, para ficar um pouco com ela porque ela não queria ir para a escola.

Se eu tenho esse problema em casa, com certeza não sou a única. E hoje eu sei me defender, se alguém me chamar na rua de “macaca”, de “preta”, eu vou debater. Só que quando eu tinha 9 ou 10 anos, eu não sabia fazer isso. E eu não quero que a minha filha sofra o que eu sofri. Negro no Brasil é para o resto da vida. Eu sempre falo que o que eu dou para a galera é muito pouco mas é tão de coração; e quando eu vi que as vagas esgotaram em 10 minutos eu percebi que esse era o caminho certo. 

E o Project Girls surgiu pelo Project Run, certo?

Todo mundo tem um projeto de vida, de estudar, viajar, comprar um carro – e o nosso projeto é correr. Eu chamei dois amigos meus, eles toparam, e começamos a correr no Villa Lobos. Antes eramos em 4 ou 5 pessoas, hoje somos 150 pessoas que correm juntos todo domingo. E eu não recebo R$1 para isso, o dinheiro da condução eu tiro do meu bolso. Tá chovendo, a gente tá lá. Tá fazendo calor do caralho, a gente tá lá (risos). O que me motiva é que, para mim essa transação foi muito difícil, e eu sei que eu tô ajudando outras pessoas. 

Eu vou correr em Nova York agora e a minha conta bancária tem R$0,07 (risos). Estou muito animada porque vou lá ter troca de informações, troca de cultura, eu quero trazer algo que tem lá que funcione para cá, e passar o que eu tô fazendo aqui para eles. O meu grupo de corrida é muito mais reconhecido lá fora do que aqui, porque infelizmente no Brasil sempre vão olhar os “pretinhos”; e lá não, que é os pica da galáxia são os negros. Teve uma vez que eu e meu marido fomos correr lá em Nova York, recebemos uma mensagem de uns gringos lá fora “muito foda o que vocês estão fazendo pelos nossos irmãos aí. Não para, continua!”. Foi do caralho ouvir isso, às vezes a gente acha que ninguém tá vendo, mas não cara, o pessoal lá fora tava vendo. 

E como vai ser essa corrida em Nova York?

Vai ser louco porque lá tá um frio, tão forte, eu nunca corri em um frio desses – semana teve temperaturas de -7ºC! Mas está sendo um sonho porque eu amo aquela cidade demais. Vai ser uma das maiores meia maratonas do mundo, ela vai passar no meio da Times Square, do Central Park e etc. Tá sendo um sonho, eu recebi esse convite, eu to sem nenhum dinheiro, mas tô indo. 

Você começou a correr no parque, como foi essa transição de sair do parque para correr pra rua?

Eu comecei fazendo simulado da São Silvestre, eu corria com aqueles tiozões que você pensa que ele tá lá morrendo mas na verdade ele ta correndo muito mais que eu (risos). Foi aí que eu comecei a pensar “cara que foda, é isso que eu quero”. Sabe, São Paulo é tão grande, porque ficar só naquele miolinho de parque rodando no mesmo trajeto?.  E por conta disso, hoje eu conheço muito mais São Paulo correndo, do que antes de eu correr – porque eu tinha todo dia a mesma rotina, andava no mesmo ônibus, metrô, fazia o mesmo caminho nas mesmas ruas – você não sai daquele trajeto.


O que tênis representam para você?

Sou muito suspeita dizer. Eu amo tênis, eles são praticidade, conforto e lifestyle. Eu tenho muitos tênis de corrida, mas também uns Superstar que eu amo muito. Sabe aquele todo branco que fica bom com qualquer roupa que você coloca? Então. Se deixar, tênis para mim é 24 horas. Tênis é vida. 

É ENGRAÇADO VER COMO UMA COISA LEVA A OUTRA, POR CAUSA DA CORRIDA E A MINHA PAIXÃO POR ELA, ME LEVOU A FAZER ESSAS COISAS MUITO FODAS.

E porque de todos os tênis da sua coleção você escolheu o Adidas Ultra Boost 19 para contar sua história no Kickstory?

Eu sou apaixonada pela tecnologia do Boost, eu não consigo correr com outro. E também esse é o tênis do momento, o mundo precisa e vai saber dele (risos). Mas tem um bom significado, ele é um dos meus tênis mais novos e eu vou correr com ele na minha primeira meia maratona lá fora, que é uma bem especial. Depois da corrida esse Ultra Boost vai ter mais histórias ainda.

É engraçado ver como uma coisa leva a outra, por causa da corrida e a minha paixão por ela, me levou a fazer essas coisas muito fodas. 

Adidas Ultra Boost 19
Ganhado: 2019
Dono: Débora Taylor
📸 : Vitória Leona