Dra. Ana Paula Simões Dra. Ana

Dra. Ana Paula Simões

Olympikus Pride 2 Olympikus Pride 2
11—05—2022 Fotos por: Pérola Dutra
Dra. Ana Paula Simões
Entrevista Nº 179

A Dra. Ana Paula vive o esporte todos os dias, desde pequena, e foi por conta dele que ela resolveu seguir a profissão de ortopedista. Corredora e se preparando para sua primeira maratona, a Dra. Ana Paula vê o tênis como uma ferramenta para cultivar um estilo de vida saudável e ativo, sendo também a peça chave para ela fazer o que ama – correr. A sua dedicação e determinação que aprendeu com o esporte a levou a ter a sua própria clínica e ser a atual presidente da Sociedade de Medicina de Esporte em São Paulo. Dra. Ana Paula aprendeu já quando criança a importância e benefícios de praticar atividade física todos os dias – ela passou por natação, judô e hoje se encontrou na corrida.

Para ela o tênis é performance, e representa esse estilo de vida. “Hoje, pra mim, tênis se resume em duas palavras: esporte e saúde. Tênis é o que me leva e é o que me faz acontecer dentro do esporte. Hoje tem esses modelos com ‘super poderes’, com placa de carbono e grafeno, a gente fala que é quase um doping tecnológico porque eles te jogam pra frente. Eu acho isso sensacional.”

De todos os modelos tecnológicos de alta performance que ela usa em suas provas, o tênis escolhido para o seu Kickstory foi o seu de treino, o Olympus Pride 2. Ele representa praticidade e a fusão da prática de esporte com o seu dia a dia.

Sou Ana Paula Simões, médica ortopedista, especialista em esporte e cirurgia. Faço cirurgias ortopédicas de pé e tornozelo, que é a minha especialidade, mas eu atendo tudo que é relacionado a esporte. Eu sou a atual presidente da Sociedade de Medicina de Esporte em São Paulo.”

Você tem uma história inspiradora com o esporte. Quando e como essa relação começou?

dra. ana Eu sempre tive uma relação muito próxima com o esporte. Meu pai era jornalista e ele via as coisas ruins que aconteciam nas noites de São Paulo – assassinatos, maldades mesmo. Ele trabalhava a noite inteira e quando chegava em casa de manhã, falava “meus filhos não vão conhecer esse mundo que eu conheço, eles vão fazer esporte”. Então todos os dias a gente estudava de manhã e ia treinar natação à tarde. Todos os dias, desde pequena. A gente morava na periferia da zona leste, pegava ônibus, às vezes não tinha dinheiro pro ônibus e ia andando até a metade do caminho.

Chegou um ponto que a gente começou a gostar o que antes era uma obrigação. Eu comecei a participar de campeonatos brasileiros, sul-americanos, mas eu não conseguia ir pra mundial, olimpíadas. Não sei se era pela minha estatura, envergadura, talvez desenvoltura, dom, enfim, mas não disparei na natação. Nesse meio tempo eu já estava pensando em ter uma profissão que fosse lidar com atletas – como educação física, por exemplo, mas o que eu queria mesmo era medicina. Enquanto isso, o meu irmão saiu da natação e foi para o judô, e aí eu fui também. Já no começo eu fui campeã paulista…eu era muito bruta e não tinha técnica, então acabei não gostando porque teoricamente foi muito fácil (risos), eu pegava as meninas e derrubava no chão. Sei lá, o judô não me encantou.

E aí, acho que foi por Deus, destino, alguma coisa, mas eu passei em medicina. Lá eu me reencontrei de novo no esporte. Eu era a única que ia na faculdade de tênis e roupa esportiva, na escola era assim também, porque a minha vida era praticar esporte…eu não sabia nem o que era beijar na boca, relacionamento, eu nunca bebia nada alcoólico, nunca usei droga, nada. E aí na faculdade foi assim, entrei na atlética, praticava vários esportes, jogava em tudo porque as meninas não queriam jogar, eu era sempre a tapa-buraco.

Na faculdade eu descobri que quem mexe com esporte é o ortopedista, ele é o médico que cuida de ossos e lesões; e na ortopedia eu fui apresentada a ortopedia esportiva. Segui esse caminho e me especializei em cirurgia de pé e tornozelo. Durante os meus estudos, fui engordando um pouco porque eu não conseguia fazer tanto treinamento como antes. É muito estudo, a medicina é muito cobrada. A minha família era muito simples, então eu comecei a ganhar dinheiro fazendo plantão pra ajudar eles, estudando ao mesmo tempo, e deixei de cuidar de mim.

Nesse período, fui convidada para ser médica da seleção brasileira de futebol feminino. Viajei o mundo e ganhei muito tênis (risos). Foi uma fase muito legal, mas eu me perdi um pouco na vida pessoal – os relacionamentos nunca davam certo mas a minha vida profissional tava indo muito bem. Eu continuei engordando e não tinha o esporte como aquela válvula de escape – era o esporte dentro da minha vida profissional e não pessoal. Percebi que eu precisava retomar a minha vida. Foi quando eu conheci o meu marido, ele foi meu paciente.

E quando a corrida entrou na sua vida?

dra. ana Eu tive o primeiro filho em 2014 e depois de um ano eu me vi com 95kg. Falei “não dá mais, eu preciso voltar a praticar esporte”. Tentei natação, não conseguia perder peso, aí meus amigos falaram: “põe o tênis e vamos correr”. Foi aí que me reencontrei. Perdi 1kg na primeira semana, 2kg na segunda, e foi indo. Eu fui me desenvolvendo muito bem na corrida porque eu tinha um bom cardio da natação. Participei de corridas de rua em São Paulo, ganhei pódios, perdi peso, e aos poucos voltei a me sentir bem.

Você dedica o seu instagram à saúde e bem estar, dando dicas de como prevenir lesões, e como funcionam os tratamentos. O que te levou a criar esse tipo de conteúdo e o que você espera transmitir para as pessoas?

dra. ana Nos meus atendimentos, as pessoas sofriam muito quando eu falava que elas tinham que parar de correr porque estavam machucadas, e eu me perguntava “caramba, porque elas amam tanto corrida?”. Decidi estudar mais sobre corrida e esse mundo da vida de atleta mesmo, até porque, eu fazia parte disso.

Em 2012 comecei a postar nas mídias sociais sobre como prevenir lesões, como não se machucar, como ser atleta, e tô nessa até hoje. A minha proposta é educar as pessoas para não se machucarem e assim, praticarem esportes por muito anos.

Eu gosto de mostrar também que eu não sou nada extremista. Vocês vão achar médicos que são super mais atletas que eu….hoje não consigo acordar 5h da manhã, comer 300g de carne, 3 comidinhas à tarde, sabe assim? Eu tomo um vinhozinho, como um chocolate ou besteirinha junto com as crianças. É uma decisão que eu tomo porque eu gosto da minha vida assim, mais leve. Hoje eu vejo muita cobrança da própria pessoa com relação ao seu corpo, com estética, resultado e pergunto, existe felicidade nesses extremismos ou a pessoa tá robotizada e só sabe fazer isso? Pra mim é mais sobre saúde, você estar bem e feliz.

Qual a sua motivação para estar sempre praticando atividade física?

dra. ana Minha vida inteira eu tive a mesma rotina: acordar e praticar esporte. E tem que ser tão automático que você não pode pensar “ah, tá chovendo, então não vou”. Não, você tem que ir. Vai lá embaixo e faz alguma coisa, não veja como uma obrigação, tem que ser gostoso. Esse hábito vai fazer toda a diferença na saúde das pessoas. Pra levantar da cama, você precisa de músculos, se não você fica aqueles vôzinhos que não consegue sair da cadeira – e eu quero ser aquela vózinha que você vê no bar com 70 anos e muito ativa. Então bota o tênis e vai fazer sua atividade física.

E além da corrida, quais outros esportes você costuma praticar?

dra. ana Faço musculação, pilates, natação, e brinco com os meus filhos de pular na cama, que também é uma atividade (risos). A Organização Mundial de Saúde fala que pra você ser uma pessoa saudável precisa fazer trinta minutos de atividade física por dia. Na pandemia, aumentou pra uma hora. Ou seja, pra ser considerado uma pessoa saudável, você precisa praticar esse tempo todos os dias – é um remédio diário que a pessoa precisa “tomar”, só que é de graça, você não paga nada. E o que é atividade física? É você aumentar o batimento cardíaco do coração 30% do que ele é no basal.

Hoje, qual é a sua relação com o tênis?

dra. ana O tênis na minha vida é tudo no sentido de praticar atividade. Na minha adolescência, a gente não tinha muito dinheiro, então não tínhamos acesso aos tênis caros e acabávamos comprando os nacionais – eu colocava o meu Olympikus e andava pro treino, pra escola, mas não como atividade física, como deslocamento. Eu era a única da escola que ficava de tênis o dia inteiro, trabalhava, voltava e fazia tudo de tênis esportivo o tempo todo. 

Hoje, pra mim, tênis se resume em duas palavras: esporte e saúde. Tênis é o que me leva e é o que me faz acontecer dentro do esporte. Hoje tem esses modelos com “super poderes”, com placa de carbono e grafeno, a gente fala que é quase um doping tecnológico porque eles te jogam pra frente. Eu acho isso sensacional. E a Olympikus fez o dela.

Eu respeito bastante a produção nacional, de empregar as pessoas dentro do nosso país, e agora eles estão procurando soluções sustentáveis, como usar nossa própria cana-de-açúcar e moinhos pra produzir. É uma das marcas que mais vendem no Brasil. Eu falo – é bom, bonito e barato.

Eu respeito bastante a produção nacional, de empregar as pessoas dentro do nosso país, e agora eles estão procurando soluções sustentáveis, como usar nossa própria cana-de-açúcar e moinhos pra produzir. É uma das marcas que mais vendem no Brasil. Eu falo – é bom, bonito e barato.”

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E porque de todos os seus tênis você escolheu falar do seu Olympikus Pride 2?

dra. ana Por isso que eu escolhi esse Olympikus, até hoje ele é o meu carro-chefe, é o que mais me representa. É como se eu fosse a “gata borralheira”. Hoje eu considero ter conseguido tudo que eu queria na minha vida – eu tenho uma clínica que eu sempre sonhei, sou autônoma, trabalho a hora que eu quero, não dependo de ninguém e ninguém manda em mim. Sou mãe. Represento a mulher na ortopedia. Você não encontra muita mulher nessa especialidade, a gente mexe com parafuso, chave, com broca, não é considerado feminino. Então eu represento uma mulher que está onde ela quer estar, mesmo que seja em um meio predominantemente masculino. Todo mundo se assusta que é uma mulher na ortopedia, uma mulher no esporte, comandando uma sociedade. Eu tô em todos os lugares que eu quero estar e se alguém falar “não”, eu vou buscar o “sim”.

A ortopedia é um meio muito masculino. Quando eu ponho o salto alto para ir trabalhar, é mais por uma cobrança social. Para me impor, eu sentia que precisava colocar uma farda: o jaleco e o salto pra ficar mais alta. No hospital, quando eu chegava mais largadinha, do jeito que eu gosto de estar, esportista, de tênis, me perguntavam “você é da equipe de quem? Enfermeira da onde?”. Não, eu sou a Dra. Ana Paula, a chefe de equipe, a cirurgiã. 

Agora, quando chego no hospital, “toc-toc-toc” do salto, com jaleco, toda pomposa, me tratam diferente, “oi, boa noite Dra.”. Mas hoje eu aprendi a lidar com isso. Às vezes eu chego de tênis no hospital, quando eu vou operar e não tenho mais nada do dia. Quer julgar? Eu não ligo, vou lá operar o meu paciente de boa.

Eu falo bastante sobre isso para as minhas seguidoras no Instagram. Tem mulher que sai de casa de salto, pega o metrô, vai pro trabalho de salto, trabalha o dia inteiro, volta pra casa e chega estourada. Eu quero mostrar pra elas que dá pra fazer essa transição do salto para o tênis, que ela pode levar um par na mochila e usar pelo menos na locomoção. Aí eu mostro, todos os dias, “olha tô tirando o meu salto e trocando pelo tênis. E você já trocou o seu?”.

Represento a mulher na ortopedia. Você não encontra muita mulher nessa especialidade, a gente mexe com parafuso, chave, com broca, não é considerado feminino. Então eu represento uma mulher que está onde ela quer estar, mesmo que seja em um meio predominantemente masculino.”

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Com tanta tecnologia, você tem um tênis específico para treino e um para maratona?

dra. ana Tenho! O tênis de treino é o do dia a dia, aquele pra você bater e usar sem dó, que já tão “deformados”, acostumados com meu pé e ao mesmo tempo, que são os mais duros, digamos assim. Agora, nos dias de prova que eu quero performar, pegar velocidade e fazer tempo, eu uso esses que são mais leves, com drop mais baixo e com placa de carbono. A Olympikus lançou o Corre Grafeno, ele vem com uma placa de grafeno, que é um material parecido com a placa de carbono.

Já nas provas longas, meia maratona ou maratona, eu uso um com drop mais alto, porque ele precisa absorver mais impacto. Eu vou fazer a minha primeira maratona em novembro, a de Nova York. Ganhei do maridão de presente dos namorados (risos). A gente nunca acha que tá preparado pra fazer a maratona porque é muita coisa, demanda muito tempo pra treinar. Tem treino que a gente chega a 36 km até fazer os 42 km…é bem puxado. Eu sinto que vou deixar um legado correndo essa maratona.

E com qual tênis você pretende correr a maratona?

dra. ana Então! (risos), eu ainda não escolhi. A única coisa que eu tenho certeza é que ele vai ter que ser tecnológico, com uma placa. Hoje eu tenho esse da Olympikus, da Nike e adidas. Tentei comprar o Metaspeed Sky da Asics, mas esgotou muito rápido. Mas não sei ainda, até novembro pode lançar algum modelo novo (rs).

Uma das coisas que eu também falo é: você não pode colocar toda a culpa da sua performance no tênis. Não é o tênis que te machucou, que te fez uma lesão e não é o tênis também que te fez ganhar a competição, nem que te faz perder.

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Você sente alguma diferença dos modelos importados para os nacionais?

dra. ana Eu não tenho esse afinamento. Uma das coisas que eu também falo é: você não pode colocar toda a culpa da sua performance no tênis. Não é o tênis que te machucou, que te fez uma lesão e não é o tênis também que te fez ganhar a competição, nem que te faz perder. O que faz isso acontecer é a sua força muscular, sua capacidade mental de superação, sua biomecânica, saúde, peso. São tantos fatores e variáveis. 

Você não deveria calçar o tênis como centro de sua performance. As vezes me perguntam “que tênis eu uso para prevenir lesões? Que tênis machuca menos?”. O que machuca menos é você estar fortalecido, treinar bastante, é botar a culpa mais em você e não no produto. O que vale é o seu treinamento no final das contas. Às vezes, as pessoas colocam na cabeça que o importado é melhor do que o nacional. Mas sinceramente, eu tenho os dois: eu corro e tenho os mesmos tempos, mesma performance com o importado e o nacional.

Olympikus Pride 2
Dona: Dra. Ana Paula Simões
Fotos: Pérola Dutra

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