Em parceria com o SneakersBr e apoio da adidas, começamos uma série de entrevistas para falar sobre a família de tênis que tem 36 anos desde seu primeiro lançamento, e se mantém uma das linhas mais icônicas da adidas até os dias de hoje, tendo já passado por inúmeros momentos na história e transitou entre todos os tipos de corredores, a diferentes cenas músicas. A família ZX, que esse ano adicionou mais uma silhueta a sua linha de tênis icônicos, o adidas ZX 2K Boost.

Sentamos para bater um papo com Enrico, ator, criativo e apaixonado por tênis, que busca juntar o máximo de conhecimento sobre a família ZX. Em nossa entrevista, Enrico falou sobre o que, nos seus olhos, faz a linha ZX ser tão importante e relevante até hoje, e como um look retrofuturista faz ele não parecer um tênis de quase 40 anos. Ele conta também como começou seu interesse por tênis, e como a admiração pelo trabalho de Kanye West o levou para a fila do Yeezy 350 ‘Pirate Black’ com apenas 12 anos de idade.
FOTOS POR JULIO NERY

Eu sou o Enrico, daqui a uma semana eu vou ter 18 anos, sou ator e nesses últimos anos também venho sendo modelo. Pô, eu sou uma pessoa muito movida para produzir, seja trabalhando num set de filmagem, fazendo o que eu mais gosto que é atuar, ou até com uma produção própria minha, que é algo que eu comecei recentemente – eu to começando a dirigir algumas coisas agora, me diversificando criativamente. Curto muito criação, produção de ideias com as pessoas que eu gosto de tá do meu lado, com os meus amigos. Eu acho que é isso que me move. Se eu me vejo parado, eu afundo, eu me sinto estagnado. Como se eu tivesse pisado no cimento e ficado preso.”

Você atua há um bom tempo já – como que você se interessou e começou a sua carreira?

Cara, eu comecei 10 anos atrás com 7 anos. Minha mãe quando jovem era modelo e trampava com eventos, fazia umas fotos, campanhas de publicidade. Quando ela teve o meu irmão, ela levava ele para as agências infantis, e aí ele trampou de modelo até uns 13 anos fazendo foto, catálogo, publicidade. E aí eu lembro até hoje que quando eu tinha 6 anos, eu vi um calendário de papel da Johnson’s Baby com uma foto do meu irmão, tipo bebêzinho assim, gordinho, no calendário. E aí eu falei: “Mãe, eu também quero. Me leva. Eu quero aparecer na TV, eu quero fazer filme”.

Eu sempre fui muito apaixonado pelo audiovisual – quando eu era pequeno, eu pegava meus bonequinhos, a câmera da minha mãe e fazia uns vídeos de stop motion mexendo eles, e eles se transformavam em personagens. E aí foi assim, por muita insistência e encheção de saco a minha mãe começou a me levar nas agências que ela conhecia e foi indo, eu comecei trampando como modelo fazendo publicidade. O meu primeiro trampo, eu tinha 7 anos, foi um comercial para a prefeitura de São Paulo que eu tava num busão, eu era um turista perdido com um mapa, foi muito louco, mano. Depois de mais ou menos um ano e meio, a minha mãe largou o trampo dela e aí, desde então, ela me acompanhou e me acompanha até hoje. Minha mãe é minha agente, minha empresária, meu tudo assim, minha melhor amiga – eu não estaria nem perto da onde eu tô hoje se não fosse pelo apoio que ela me deu, desde o começo pra tudo.

Mas assim, no cenário atual do nosso país é muito difícil você conseguir vingar como ator, por isso que eu sinto cada vez mais a necessidade de me diversificar profissionalmente e criativamente. Não é só a questão do talento – tem a questão do Q.I., a sorte, tem a questão de você ser aceito nas panelinhas, que querendo ou não, no nosso país, em qualquer setor que você trabalha é tudo questão de contato e conexões que você tem. Então, é muito difícil você se estabelecer como ator no Brasil. E mesmo depois de você se estabelecer, eu acho que você se manter é mais difícil ainda. Tem muita gente que acaba caindo no esquecimento. Pessoas que um dia foram consagradas e hoje a gente não ouve mais falar, que são colocadas na geladeira, que perdem contrato, enfim. São tempos difíceis para o audiovisual, mano.

E quais são seus planos para o futuro, como ator e como um criativo? 

Eu comecei a estudar cinema esse ano, tive um mês de aula, me apaixonei perdidamente, amei os professores, a matéria…e aí de repente veio a pandemia. E aí foi uma desilusão completa porque eu odiei o ensino a distância, fiquei muito frustrado. Terminei o semestre arrastado, na base do ódio, e depois tranquei a faculdade. Mas eu gostei muito do curso, apesar do ensino à distância ter sido zoado, pelo menos pra mim, e tenho a intenção de voltar a estudar cinema assim que for possível e fazer isso de forma presencial. E na verdade, estudar também me possibilitou, me deu a confiança e talvez até o conhecimento necessário pra fazer outras coisas nesse âmbito criativo, e começar a ser um “projeto” de diretor. 

Eu dirigi, o primeiro projeto da minha vida, com o meu melhor amigo que tem uma marca de roupa. Ele vai lançar uma coleção com um artista muito foda lá do Rio, e aí ele falou “pô mano, quero fazer um vídeo de lançamento que nem as marcas fodas fazem, você é meu melhor amigo e a gente tá trocando ideia todo dia sobre isso”, desde que ele começou a desenvolver a coleção eu tava junto trocando ideia sobre e aí ele falou “como você acha que a gente devia fazer?”. E eu falei ué, me chama pra dirigir aí então, mano. E ele falou “é isso”. E eu não acreditei, porque era um sonho mesmo de criança para mim, dirigir qualquer coisinha que fosse. Eu sempre quis isso, sempre foi minha ambição de vida. Claro que a ambição de vida seria dirigir o meu longa e tal, mas eu tenho pé no chão, sei que as coisas não são assim tão fáceis ou rápidas. Eu não tenho nem 18 anos, pelo amor de Deus. Mas pô, eu posso dizer com muito orgulho que eu tive minha primeira experiência como diretor antes de virar maior de idade e isso foi muito especial para mim. Fiquei muito feliz.

EU ACHO QUE É MUITO SOBRE A GENTE AGARRAR AS OPORTUNIDADES QUE APARECEM E FALAR: MANO, EU FAÇO. VAMO PRA CIMA. EU TENTO, EU APRENDO. APRENDO FAZENDO – OS GRANDES APRENDEM FAZENDO.

Você está sempre correndo atrás do que quer, e fazendo acontecer. Diria que isso é essencial quando você trabalha com criação no geral, né?

Eu acho que é muito sobre a gente agarrar as oportunidades que aparecem e falar: mano, eu faço. Vamo pra cima. Eu tento, eu aprendo. Aprendo fazendo – os grandes aprendem fazendo. E eu acho que nesse momento que estamos vivendo, temos duas coisas para enfrentar: a primeira, que é a pandemia do coronavírus; e a segunda, que são os problemas relacionados à saúde mental. Isso foi muito real e me afetou bastante. Junto com esse momento de quarentena, eu perdi minha avó recentemente e eu era muito próximo dela, era como se fosse a minha melhor amiga de 84 anos. E aí lidar com a perda, junto com a quarentena, foi muito difícil. E pra mim, voltando até para o que eu comecei falando, o que me deu propósito, que fez eu sair da cama de manhã, foram essas possibilidades de criar, de trabalhar produzindo essas coisas que me completam, que fazem eu ter um propósito. 

E sempre fico me lembrando que é um puta de um privilégio trabalhar com o que você gosta, a gente esquece disso no dia a dia. A grande maioria das pessoas trabalha para se manter, para conseguir sobreviver. Então, mano, se você tem um trampo, você gosta dele e consegue se manter, você estourou, tá ligado? Tá feito na vida de verdade.

Agora falando sobre o que todos nós amamos por aqui – qual foi o seu primeiro contato com tênis? 

Mano, eu acho que eu comecei a me interessar por tênis com os meus 12 aninhos. Sempre que eu viajava com os meus pais, eu via uns tênis diferentes que não tinham pro Brasil. Isso começou a despertar uma curiosidade, aí eu comecei a fuçar na internet e no YouTube para entender mais. Achei primeiro os blogs gringos de tênis como o Sneaker News e o Nice Kicks – lembro que eu acessava todo dia, e amava ficar vendo as collabs novas que iam lançar. Eu aprendia sobre a história dos tênis e como foi a performance esportiva que acabou criando essa cultura de tênis que a gente tem hoje, como isso surgiu 30 anos atrás, tá ligado. Eu comecei a me apaixonar por tudo aquilo, e ao mesmo tempo, nessa época eu comecei a me apaixonar por Rap, por Hip-Hop – principalmente pelo Kanye West, que eu sou muito fã dele mano, até hoje.

E o tênis que começou minha relação com a adidas foi o Yeezy 350 – segundo Yeezy que lançou aqui no Brasil. Eu tinha 12 anos, fui na fila com meu pai, fiz ele passar a madrugada comigo na lá, meu pai é muito brother. Eu fui a segunda pessoa sorteada a pegar o tênis, e aí depois o meu pai também foi sorteado então eu saí com dois pares! Fiquei muito, muito, feliz, eu tenho a foto até hoje na verdade – eu com o tênis na mão, incrédulo, com um sorriso de orelha a orelha e chorando, mano. Eu chorei de felicidade. Infelizmente hoje ele não cabe mais no meu pé, porque é um 37. Sabe quem usa agora? Minha mãe. E o tênis é muito bem construído, ela usa até hoje e tipo tá inteiraço, cara. Para um tênis de 5 anos?

E aí a minha relação tanto com a adidas, quanto com o SneakersBr começou aí, foi esse dia que eu conheci o Jaime. Foi muito doido. Pô conheci na verdade muita gente que, claro que hoje em dia não mais tanto, o tempo passa a gente acaba se distanciando das pessoas, mas conheci muita gente daora que eu tenho até que um contato até hoje. As pessoas pessoas que você conhece nesse meio, ter amigos que gostam das mesmas coisas que você, que você pode conversar por horas, é muito foda. E foi nessa noite que eu me apaixonei definitivamente pela cultura do tênis. Passei a noite inteira trocando ideia com pessoas 10, 15 anos mais velhas que eu sobre tênis e ouvindo música, e todo mundo trocando muita ideia, conversando, foi muito daora.

E acho que, não querendo soar como um velho de 18 anos, mas naquela época era diferente, sabe? Tinha um senso muito maior de comunidade mesmo. Eu acho que as pessoas se ajudavam, era menos sobre o valor do tênis e mais sobre a paixão por aquilo.

AS PESSOAS PESSOAS QUE VOCÊ CONHECE NESSE MEIO, TER AMIGOS QUE GOSTAM DAS MESMAS COISAS QUE VOCÊ, QUE VOCÊ PODE CONVERSAR POR HORAS, É MUITO FODA. E FOI NESSA NOITE QUE EU ME APAIXONEI DEFINITIVAMENTE PELA CULTURA DO TÊNIS. PASSEI A NOITE INTEIRA TROCANDO IDEIA COM PESSOAS 10, 15 ANOS MAIS VELHAS QUE EU SOBRE TÊNIS E OUVINDO MÚSICA, E TODO MUNDO TROCANDO MUITA IDEIA.
INFELIZMENTE, OU FELIZMENTE, SE NÃO FOSSE POR ESSAS PESSOAS A CULTURA NÃO SERIA DO TAMANHO QUE ELA TÁ HOJE. E EU ACHO QUE CONTINUA A MESMA COISA PARA QUEM GOSTA MUITO DE TÊNIS – SÓ TEM QUE CHEGAR UM POUQUINHO MAIS CEDO.

Antigamente se a pessoa tava fazendo esse tipo de corre para pegar um tênis é porque ela queria mesmo, ainda e falava “nossa, tem malucos que nem eu.” 

É uma faca de dois gumes também, ao mesmo tempo que é chato ter essas pessoas que só se interessam pelo dinheiro que envolve a parada, é tanta gente, que isso se tornou um mercado mundial, como a gente vê hoje no StockX. Infelizmente, ou felizmente, se não fosse por essas pessoas a cultura não seria do tamanho que ela tá hoje. E eu acho que continua a mesma coisa para quem gosta muito de tênis – só tem que chegar um pouquinho mais cedo.

Você está participando da campanha ZXpedia com o SneakersBr e a adidas, e teve a oportunidade de receber o adidas ZX 2K Boost que fotografamos hoje. A icônica família ZX surgiu a 36 anos atrás e até hoje são silhuetas muito relevantes. O que você mais curte sobre a família ZX, e o que ela representa pra você? 

A família do ZX tem uma importância histórica muito grande. A adidas era a marca de performance, a marca do esporte, ela tinha esse amor ao esporte muito forte – e esse é o espírito da marca ainda. E nos anos 80 o ZX foi a culminação máxima disso – foi a primeira linha de tênis que oferecia vários tipos de calçados para vários corredores de tipos diferentes. Foi algo inimaginável na época, e que abriu espaço para o que todo mundo faz até hoje, vários tipos de tênis diferentes para vários tipos de corredores diferentes. Tênis para a pessoa que precisa de suporte, ou que precisa de mais leveza, ou a pessoa que precisa de mais amortecimento. Então começou assim, só que como tudo pô, além deles serem extremamente funcionais e muito bons no que eles foram projetados, eles também são tênis muito lindos. 

Até hoje a adidas produz ZX lá dos anos 80 porque são tênis com design muito a frente do tempo, chega até ser meio retrofuturista, na minha opinião, eles não parecem ser de 40 anos atrás. Você imagina naquela época, ainda mais para as pouquíssimas pessoas que eram apaixonadas por tênis aqui, imagina isso: você no Brasil, só vendo os Kichutes da vida e de repente você vê um ZX numa prateleira? Deve ter sido um choque total. Então eu acho que além desse marco na performance, a família do ZX também teve e ainda tem uma grande importância para a cultura dos tênis.

A FAMÍLIA DO ZX TEM UMA IMPORTÂNCIA HISTÓRICA MUITO GRANDE. A ADIDAS ERA A MARCA DE PERFORMANCE, A MARCA DO ESPORTE, ELA TINHA ESSE AMOR AO ESPORTE MUITO FORTE – E ESSE É O ESPÍRITO DA MARCA AINDA. E NOS ANOS 80 O ZX FOI A CULMINAÇÃO MÁXIMA DISSO – FOI A PRIMEIRA LINHA DE TÊNIS QUE OFERECIA VÁRIOS TIPOS DE CALÇADOS PARA VÁRIOS CORREDORES DE TIPOS DIFERENTES. FOI ALGO INIMAGINÁVEL NA ÉPOCA.
CONFORME EU TO ENTRANDO NESSA JORNADA DE CONHECIMENTO COM OS MENINOS, APRENDENDO MAIS SOBRE O ZX, SOBRE A HISTÓRIA QUE O TÊNIS CARREGA EU VENHO ME APAIXONANDO CADA VEZ MAIS. E ISSO TÁ REFLETINDO NO MEU ARMÁRIO (RISOS).

A “A-ZX SERIES” conta com 26 lançamentos de ZX: de A a Z. Cada letra é um lançamento e cada lançamento da série A-ZX é uma collab diferente que traz referências de ZX dos arquivos adidas. Até o momento, qual foi o ZX que você mais curtiu? 

Em 2008 e 2009, eles lançaram o primeiro A–ZX. E agora eles vieram de novo com essa série e ta muito daora – e mais daora ainda que dessa vez vão vir quase todos os 26 para o Brasil. Então já veio o ZX 8000 da Deadhype que foi muito foda, da Concepts também lindo demais, que aliás fiquei muito triste que eu não consegui pegar. O da Lego também ficou muito foda, tá na minha wishlist.

Mas no geral, os ZX que chamam mais atenção e que me deixam mais apaixonado mesmo são os antigos, mais em específicamente o 8.000 e o 1.000c. Mas o 4D também tá uma coisa linda hein, eu nunca tive um 4D. Conforme eu to entrando nessa jornada de conhecimento com os meninos, aprendendo mais sobre o ZX, sobre a história que o tênis carrega eu venho me apaixonando cada vez mais. E isso tá refletindo no meu armário (risos). 

adidas ZK 2K Boost
Dono: Enrico
Size:
US 10.5
Ano:
2020
Fotos: Julio Nery
Video: Gustavo Barcellos