Nós fomos até a casa do Leandro Dário mergulhar na sua arte e na sua história com tênis. O artista faz desenho, escultura, fotografia, bordado, street art, crochê com um estilo único e autoral. É assim que ele acabou com um Converse ERX Impress Jewel High Top no pé. Descubra porque de todos os Converse de sua coleção, ele escolheu o ERX Impress Jewel High Top para fazer a entrevista com a gente.
FOTOS POR VITÓRIA LEONA

“Meu nome é Leandro Dário. Eu sou artista – tenho um trabalho de desenho, faço escultura, fotografia, bordado, street art com crochê. Também trabalho como digital PR atendendo algumas marcas bem bacanas aqui do Brasil.”

Como começou sua trajetória no mundo da arte?

Eu trabalhei durante 12 anos dentro do mercado de publicidade como Diretor de Arte, e nos últimos 5 anos, como Diretor de Criação. No meio desse período eu tava fazendo uma pós de história da arte e aí eu comecei a me envolver mais com arte no geral. Sempre ilustrei, para marcas, campanhas, mas eu comecei a sentir a necessidade de ter um trabalho autoral, menos publicitário. Então resolvi que queria focar nisso e me lançar realmente como artista, era um desejo que eu sempre tive.

Aí nessa “brincadeira” eu fiquei 6 anos trampando só com arte e aproveitei esse tempo pra estudar tudo que eu podia. Então fiz curso de escultura, de cerâmica, pintura, fiz mais cursos de desenho; busquei um monte de oficinas gratuitas na cidade, fiz vários cursos na Oswald de Andrade, no SESC – tem várias opções que a cidade de São Paulo oferece e muitas pessoas não conhecem porque elas não se informam. E são opções gratuitas ou às vezes por um valor muito baixo, assim você aprende a mesma coisa que você aprenderia em uma faculdade caríssima. E aí eu comecei a aproveitar que eu tava focado em trabalhar só com a minha arte e desenvolver o máximo que eu conseguisse da minha linguagem em todos os suportes que eu imaginasse possíveis. Durante muito tempo criei acessório, acessório com papel, acessório com crochê; aí transformei o crochê em arte de rua; fui pro street art, fiz tricô, desenho, mural, fiz escultura, fotografia, bordado, aí comecei a misturar tudo. Fui me inscrevendo em vários editais, botei meus trabalhos em galeria e museu – eu fui construindo meu currículo como artista.

O que eu gosto disso é poder misturar tudo, acho que tem muito a ver comigo, meu estilo é muito misturado, é muita coisa misturada. Eu adoro cultura japonesa, pop japonesa, movimento Kawaii, essas coisas tipo do harajuku, eu acho que eles estão muito mais evoluídos que a gente nessa questão de estética. Por mais que você tá falando de oriente – que teoricamente é uma cultura muito mais antiga que a nossa aqui do ocidente – eu vejo que eles tem uma leitura mais contemporânea que a gente das coisas. Eu tenho muito essa sensação. Então eu gosto muito de ver também o que eles estão fazendo por lá e tentar inserir de alguma forma, seja no meu estilo, ou seja na maneira que eu faço os meus desenhos, como eu apresento o meu trabalho. Eu acho isso bacana.

TEM UM MONTE DE GENTE QUE ME PERGUNTA “VOCÊ FICA BRAVO QUANDO AS PESSOAS ARRANCAM?” EU NÃO FICO BRAVO. EU NEM POSSO FICAR PORQUE QUANDO EU FAÇO UM TRABALHO DE STREET ART, EU FAÇO PRA RUA. VOCÊ TEM QUE FICAR CIENTE QUE AQUILO PODE ESTRAGAR, PODE TOMAR CHUVA OU ALGUÉM PODE VANDALIZAR.

A cidade te afeta/inspira o jeito que você faz e pensa arte?

Eu acho fundamental pra mim como artista conhecer e reconhecer a rua. Eu acho que se eu não vivesse a rua, não andasse pela rua, não falasse com as pessoas, a minha arte ia ser completamente diferente. Eu gosto de estar na rua, de ir a eventos na rua, de conversar com as pessoas da rua e de botar meu trabalho na rua. Quando eu tiro o meu trabalho de dentro da galeria ou de dentro da casa das pessoas e coloco ele na rua e fica acessível para as pessoas e qualquer um pode pegar ou estragar. Eu acho isso muito legal. Tem um monte de gente que me pergunta “você fica bravo quando as pessoas arrancam?” eu não fico bravo. Eu nem posso ficar porque quando eu faço um trabalho de street art, eu faço pra rua. Você tem que ficar ciente que aquilo pode estragar, pode tomar chuva ou alguém pode vandalizar.

Eu acho que isso vem muito também da minha relação com a cidade. De usar o espaço público, frequentar o espaço público e de ter a consciência de que aquilo não é meu. Aquilo é nosso. Então é isso que eu acho, eu acho que as pessoas, principalmente aqui no Brasil, elas se apropriam muito das coisas. Elas se apropriam do poste, elas se apropriam da calçada que tá na casa delas, elas acham que a calçada que tá na frente da casa delas é delas, não é. A calçada é das pessoas. É pra ser de todo mundo.

Qual sua relação com o tênis no geral? O que o objeto tênis significa pra você?

Eu sempre curti. Eu sempre fui aquela criança que quando minha mãe falava “filho, nós vamos comprar um tênis pra você”, eu adorava! Geralmente eu escolhia o modelo feminino, porque eram sempre os tênis coloridos, legais, divertidos e inovadores. Já os masculinos eram preto, cinza, branco ou azul marinho, e acabou. Mas eu nunca me ligava nas marcas, porque eu comprava o tênis que meu pai podia me dar. Eu só fui comprar um Nike quando eu tava trabalhando – eu comecei a trampar com 15 anos no colégio e aí eu ganhava uma graninha pra fazer estágio e pagar umas contas e aí sei lá, comprei um Nike. Mas eu nunca pirava com a marca, era mesmo com o modelo, o desenho, com a cor, isso sempre.

Aí quando eu comecei a comprar mesmo, foi na época que a economia no Brasil tava bombando e o dólar tava super barato, e aí começou a vir vários produtos pra cá. Então por exemplo, eu comecei a fazer muita compra em site gringo para entregar aqui – comprava umas camisetas iradas, óculos, tênis – e aí eu comecei a ter acesso a marcas que ainda não tinham aqui. Então durante um bom tempo eu tive muito Puma, eles tinham uma coleção que era tipo Pop Arte não sei o quê, eu tinha todos, um de cada, eu pirava. Aí depois teve a época que eu só tinha Nike, depois a época que eu comprei tipo um lote de Pony, eu comprei tipo uns 10 de uma vez, eu tinha roxo com amarelo, gravura rosa, verde abacate… As cores mais absurdas.

QUANDO EU ERA BEM CRIANÇA, EU TINHA SEI LÁ 4 ANOS, A MINHA MÃE TINHA UM TÊNIS QUE EU ACHAVA INCRÍVEL. ERA O SONHO DA MINHA VIDA. ERA UM CHUCK COM ZÍPER QUE VOCÊ DESCONECTAVA A SOLA DO CABEDAL, COLOCAVA OUTRA COR E AÍ VOCÊ FECHAVA O ZÍPER, TINHA VERMELHO, AZUL BEBÊ, ROXO E ETC. ERA UM BAFO! E EU PIRAVA! O MEU SONHO ERA TER AQUELE TÊNIS.

E o Chuck eu comecei a amar quando eu fui num evento da Converse e aí eu ganhei um naqueles fliperamas de bichinho, sabe? Ele é de couro preto, tenho até hoje e ele tá assim… detonado. E foi aí que comecei a viciar no modelo. Eu só usava ele e aí eles começaram a me dar. Eu comecei a ter acesso a várias marcas, então quando eu comecei a fazer trabalho de arte e fui virando influenciador, elas começaram a me mandar tênis. Só que os tênis que eu mais comecei a usar e que mais aparecia e que eu mais gostava acabou sendo da Converse. Que foi a marca que eu mais me identifiquei mesmo. E que tem super a ver também quando eu era criança, sempre ter tido Chuck.

Quando eu era bem criança, eu tinha sei lá 4 anos, a minha mãe tinha um tênis que eu achava incrível. Era o sonho da minha vida. Era um Chuck com zíper que você desconectava a sola do cabedal, colocava outra cor e aí você fechava o zíper, tinha vermelho, azul bebê, roxo e etc. Era um bafo! E eu pirava! O meu sonho era ter aquele tênis. E a minha mãe abria, trocava, botava de volta, era muito legal. E a Punky Brewster usava um tênis tipo Converse, né? Ela usava um tênis de cada cor que é total minha infância, e é uma coisa que eu adoro fazer, eu misturo um com o outro.

E por que de todos os seus Converse você escolheu esse Converse ERX Impress Jewel High Top?

Porque é um modelo muito especial, eu acho que esse é o tênis mais bonito que eu já tive na minha vida. Porque eu sempre gostei dessas pirações de tênis. E eu acho que ele tem tudo a ver comigo. Sabe quando você encontra uma coisa que parece que foi feita pra você? Dá a sensação que olharam pra minha foto e falaram assim: “eu vou fazer o tênis do Leandro Dário” (risos). Porque eu acho demais o material dele, amo essas cores, o azul é uma das cores que eu mais amo. Por dentro ele é cintilante, tem essa parte furtacor do lado de fora. É muito unicórnio esse tênis.

SABE QUANDO VOCÊ ENCONTRA UMA COISA QUE PARECE QUE FOI FEITA PRA VOCÊ? DÁ A SENSAÇÃO QUE OLHARAM PRA MINHA FOTO E FALARAM ASSIM: “EU VOU FAZER O TÊNIS DO LEANDRO DÁRIO”.

Converse ERX Impress Jewel High Top
Bought: 2019
Owner: Leandro Dário
Photos by: Vitória Leona