PHOTOS BY PÉROLA DUTRA
NAths AllStar
Nesse “Outubro Rosa”, o Kickstory e a Altai se uniram para ajudar na conscientização sobre a importância da prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama.
Convidamos duas ilustradoras incríveis para conversar com a gente sobre seus trabalhos, suas influências e porque a mulher é o principal assunto de suas artes. Elas criaram ilustrações exclusivas para essa ação que serão vendidas no evento da campanha. Todo dinheiro será revertido para uma instituição que ajuda na batalha e prevenção do câncer de mama. Faça como a gente: #VistaRosa e entenda um pouco mais sobre o assunto.

“Meu nome é Nath Araújo, tenho 29 anos e nasci no interior de Minas Gerais, em uma cidade chamada Paraguaçu que fica perto de Varginha…talvez seja por isso que eu desenho tantos aliens (risos). Morei em Jundiaí na minha adolescência e já faz 10 anos que estou em São Paulo. Vim para cá fazer faculdade de publicidade e acabei ficando, cheguei a trabalhar na área por um tempo mas sempre desenhando em paralelo. Sempre fui muito ligada em internet e redes sociais – antes do Instagram tive Fotolog, Blog, Tumblr, criando meu conteúdo mais ou menos do mesmo jeito que faço hoje, publicando desenhos, fotos e textos.

Mas foi o Instagram que profissionalizou tudo, enquanto eu ainda era publicitária eu publicava um desenho ou outro, e vi pessoas que eu nunca tinha visto na vida, começando a me seguir e me perguntando coisas. Fui ficando muito animada com aquilo até que chegou o momento que eu tinha dois trabalhos. Hoje eu sou exclusivamente ilustradora e posso me dar o luxo de só pegar projetos que eu gosto, já que muita gente me procura por causa do meu estilo.” 

Ilustração por Nath Araújo, para a campanha #VistaRosa de Kickstory e Altai

O que ilustrar significa para você?

Ilustrar faz parte de mim. Como toda criança, antes mesmo de eu aprender a escrever eu já desenhava, a diferença é que a grande maioria das pessoas crescem e param de fazer isso… eu talvez gostava mais do que as outras pessoas e ficava desenhando mais tempo. Nessa época era uma brincadeira, depois quando eu era adolescente foi uma forma de expressão, e depois que eu fiquei adulta virou meu trabalho. Hoje, além de eu me expressar, eu expresso várias outras pessoas que acompanham o que eu faço. Existem situações pelas quais eu não passei, mas eu desenho sobre elas porque alguém me pediu, ou por algum comentário. 

Você lembra quando tomou a decisão de tornar ilustração a sua profissão?

Nossa, foi osso (risos). Quando eu era criança, eu morava numa cidade que era muito pequena, não tinha internet como é hoje e eu não tinha referências de pessoas que trabalhavam com isso – tinha o Maurício de Souza e o Walt Disney, mas tudo muito longe da minha realidade. Pode até parecer besteira, mas eles são homens, e eu não me identificava com aquilo. Mesmo dentro da minha família, ninguém nunca me falou pra ser ilustradora, sempre foi “faz moda, faz publicidade”, mas acho que nem passava pela cabeça deles que isso poderia ser uma opção. Com o passar do tempo, eu fui crescendo e vendo que existiam pessoas vivendo disso. Além do mais, eu sempre gostei muito de escrever, e queria muito trabalhar não só com o desenho, mas com textos também.

O Instagram e outras redes sociais me ajudaram muito, comecei a receber cada vez mais clientes, normalmente pessoas físicas mesmo, que me pediam “me desenha, desenha minha avó, desenha minha mãe” e chegou um momento que eu já não estava mais dando conta, comecei a cobrar mais caro porque eu já não estava mais conseguindo fazer tudo.

Eu publiquei uma série ano passado chamada “Quem é você no Instagram?”, e a primeira que eu fiz foi a ‘Hipster do Instagram‘, que era uma ilustração com as características escritas do lado como ‘só posta foto de céu’  ou ‘legenda que ninguém entende nada’ e a galera amou e se identificou muito. Era para ser só esse, mas depois disso, fiz vários e esse projeto me ajudou muito. 

Comecei a sair em revista e em lugares que me deram visibilidade, comecei a receber orçamento de marca grande quando eu ainda trabalhava na outra empresa e eu nem sabia o quanto cobrar. Mas tinha uma amiga que trabalhava comigo que era quem contratava as influenciadoras para os projetos e eu perguntei para ela o quanto eu deveria cobrar, ela me falou um valor muito absurdo pra minha cabeça da época, eu achava que nem conseguiria falar esse valor para a cliente. Ela então se ofereceu para ir comigo numa das salas de reunião, ligar para a cliente e fingir que era minha assessora (risos). Como ela já sabia negociar, já tinha muito mais habilidades nessa área, conversou com a cliente, definiu datas, foi uma super empresária enquanto eu estava do lado branca, não acreditando no que estava acontecendo. Mas no final a cliente aceitou e foi quando me bateu que dava para viver disso, que era um dinheiro que eu poderia me sustentar. Isso rolou com mais umas duas marcas, com essa amiga ainda me ajudando, amiga que depois saiu da empresa e é minha assessora até hoje.

Eu fiquei uns três meses sem parar de trabalhar, com meu emprego do dia a dia e o que estava rolando de ilustração. Até que um dia eu recebi um orçamento da Nike, que era um projeto que nessa minha rotina, eu só entregaria se eu não dormisse nunca mais – então eu precisava sair da empresa para conseguir entregar, e foi um risco que eu corri, até porque não era um trampo super grande que pagaria minhas contas por um ano. Além disso eu tinha medo de dizer pro meu pai e pra minha mãe que eu tinha me demitido pra viver de arte, pensava que eles iam me matar (risos), eu me demiti e depois que contei pra eles, mas no final nem ligaram (risos).

Depois da entrega desse trabalho foi rolando, criei mais conteúdo para a internet, para aparecer mais e estamos aí até hoje, já vai fazer dois anos. 

O seu estilo de ilustração é muito seu. Quando e como você achou esse estilo?

Eu falo que tenho o mesmo estilo de desde que eu era criança, a diferença é que antes eu não coloria os desenhos, só comecei a fazer isso depois de mais velha. Uma coisa que atrapalhou mas ao mesmo tempo me ajudou é que eu não tive formação em desenho, então tudo que eu aprendi foi fazendo sozinha, não tinha ninguém pra falar que estava certo ou estava errado, fui sentindo até criar um negócio que era meu. 

Você acabou de lançar o livro ‘Eu Acho Que Você É Meio Doido, Sim‘. Nos conte mais sobre a idea e o processo para a criação dele.

Como eu comentei antes, desde criança eu gostava de desenhar e escrever, e desde essa época eu criava umas histórinhas, com narrador, com textinho, eu nem sabia o que eu estava fazendo direito (risos). Nessa mesma época eu adorava ler os livros do Ziraldo, e um dia perguntei para a professora quem desenhava os livros deles, ela me respondeu como se fosse a coisa mais normal do mundo que era ele mesmo – eu fiquei impressionada que ele desenhava e escrevia seus próprios livros!

Desde aquela época eu queria publicar alguma coisa, e a uns 10 anos atrás eu comecei a escrever um livro na internet, publicando por capítulos. O tempo passou e eu me foquei mais nos meus desenhos, mas percebi isso e tentei publicar essa minha história antiga para não deixar esse meu lado para lá, mas ninguém quis porque a história é pesadona e até nem tem mais nada a ver com a minha imagem de hoje. 

Mesmo com esse projeto não rolando, no fim eu consegui achar uma coisa que eu queria, que como eu já falei, era aprofundar mais o que eu já faço no Instagram com os desenhos e as legendas. O título é ‘Eu Acho Que Você é Meio Doido, Sim’, e por trás disso a mensagem é pra você ser sempre fiel ao que você quer, ao que você gosta, a si mesmo. Já que por exemplo, quando eu falei que ia trabalhar com desenho todo mundo achou que eu era doida, quando eu era criança eu fazia minhas histórias muito loucas e as pessoas achavam que eu era doida (risos), mas no fim das contas percebi que sempre que achavam isso era bom pra mim.

O livro é interativo, para você poder falar dessas suas coisas doidas, para você olhar para dentro e perceber no final, você tem coisas que são só suas e que podem virar alguma coisa, um trabalho ou um projeto, que talvez você ache que seja besteira, mas que é algo únicamente seu.

Por que a mulher sempre foi um tema nos seus trabalhos?

Faço terapia a uns dois anos e não descobri ainda (risos). Assim, agora já está tudo um pouco mais igual, mas quando eu era mais nova, as mulheres que tinham as roupas legais, os cabelos legais, maquiagem e hoje em dia nós temos a Pabllo. Então acho que me acostumei a desenhar mulher e agora ficou assim.

 

Quais são suas inspirações? Tanto para ilustrar, tanto para se vestir, na vida em geral.

Minhas inspirações saem todas da internet, mas para desenhar eu evito me inspirar em outros desenhos, porque se você perceber, todos os ilustradores que tem uma temática muito do agora, eles acabam tendo as mesmas referências e no final tudo acaba ficando muito parecido. Então eu sempre tento pegar coisas que são muito minhas, como os aliens que eu falei, ou o meu gato – o Samuel. As referências são sempre bem atuais de cor, de estampa, de tudo, mas sempre com coisas minhas, coisas que tem a minha cara. 

Agora falando sobre tênis, qual sua relação com tênis em geral?

Eu sou uma pessoa que não usa salto, então eu basicamente uso tênis. Mas não sou de colecionar, o que eu tenho são tênis que estão comigo a muito tempo, como por exemplo um All Star que tenho desde os meus 16 anos e que vou ter para a eternidade.

A marca que eu mais tenho é Converse, tenho um branco, um preto, um vermelho que comprei por causa do Stuart Little, o da Miley Cyrus com a sola de glitter e um outro inteiro rosa. É uma marca que por eu usar desde criança, me marcou bastante, minha família usa, até dei pro meu pai no aniversário dele de 50 anos. Você pode usar o All Star se você for velho, se você for novo, é um clássico total. 

Essa entrevista é parte de uma ação entre o Kickstory e Altai, com apoio da Converse para o Outubro Rosa, trazendo mais visibilidade para a causa. O que te fez aceitar participar da campanha com a gente?

Tenho uma posição nas redes sociais que eu não sou muito ativista, porque eu tenho um pouco de medo. Por mais que eu desenhe bastante mulher, não me posiciono como “a feminista”, até porque, acho que tem bastante gente fazendo isso e que entendem muito mais do assunto. Mas sempre que surge alguma causa que mexe comigo eu acabo me posicionando. O Outubro Rosa conecta muito forte porque tive uma amiga minha na faculdade que era muito jovem e teve o câncer. Hoje ela já superou mas foi um susto muito próximo da gente. Ela ainda descobriu cedo porque sempre foi uma pessoa que se cuidou, que ia ao médico e apesar de ter tido isso muito nova e ter sido muito agressivo, ela se curou.

Além desse caso, minha bisavó faleceu de câncer de mama, então eu desde novinha me preocupo com isso, para mim sempre foi normal. Já ouvi amigas dizendo que nunca fizeram o auto-exame por vergonha – tornando um tabu uma coisa que deveria ser falada por todos. Essa campanha para esse mês é um informação que pode salvar vidas. 

Converse Chuck Taylor All Star
Ganhado: 2018
Dona: @nanaths
Apoio: @converse_br e @saymynameclub
📸 Pérola Dutra