FOTOS POR VINICIUS MARTIN

“Muita coisa aconteceu desde o nosso último ensaio até hoje, faz um ano já né? Mas desde quando a gente se falou pela primeira vez, foi quando eu comecei a trabalhar com essa empresa que estou até hoje, a gente tá indo pra Miami direto por causa disso.

Naquela época a gente já estava começando o Instagram dos bairros de São Paulo, eles começaram a crescer bastante então hoje em dia eles são grandes. Esse é um projeto que a gente dedica boa parte do dia, porque é algo legal. Outra mudança grande foi que eu parei de comer carne.”

Qual sua relação específica com esse Adidas The Kobe II?

Pegar esse tênis hoje pra mim foi igual a abrir uma garagem, acho que tem esse lance do design que foi feito pelos caras do Audi TT, a muitos anos atrás. Eu abri a garagem, o “carro” estava batido, quebrado, empoeirado, ai hoje de manhã eu tava passando o pano, como se fosse um carro, “liguei” pra ver se tava funcionando (risos).

Esse tênis era muito pra frente do tempo, até hoje na verdade, ele é super conceitual. As pessoas olham e falam “que que isso?”. Acho que a Adidas tentou fazer isso, de algo super diferente. Porém chega naquele assunto: porque o Kobe deixou a Adidas e foi pra Nike? Porque talvez essa linha deveria ter sido mais fashion/design, pra vender igual ao Jordan faz – porque tem alguns tênis que não são pra jogar, são só pra você usar e combinar como moda mesmo. Esse tênis deveria ter focado mais como fashion também.

O que a galera falou foi que esse tênis perdeu a função – tem a forma mas a função ficou de lado – todo mundo falava que era ruim de jogar com ele e o próprio Kobe não usava.

Sim, e isso foi até uma grande provocação, quando o Kobe saiu pra ir pra Nike foi um pouco disso – você tem um presidente de empresa que está mais preocupado em você como atleta, que é o seu trabalho real, do que você publicitário. A publicidade é uma coisa secundária e ela só existe porque o cara realmente é um superstar na quadra. Ele foi três vezes campeão número 8 com o patrocínio da Adidas. Depois que ele foi pra Nike, ele era um Kobe mais amadurecido, foi um outro tipo de atleta, de mentalidade.

Eu tive um outro tênis do Kobe, aquele que tinha um cano mais baixo, que tem textura de cobra. Esse eu usei muito pra jogar porque ele era super bom – mas ele acabou ficando velho e como vocês sabem eu não jogo os meus tênis fora, então eu deixei ele em algum lugar e alguém pegou.

Quando esse tênis lançou, em 2003, foi um “fracasso” porque muita gente não gostou e criticou o tênis. Mas você comprou ele e guardou até hoje, então o que você mais gosta nele?

Eu comprei no outlet aqui no Brasil…o que acontece é que na minha adolescência, que eu sempre gostei de basquete, as coisas eram muito caras. Então acho que depois que eu cresci e tinha condição com o meu trabalho comprar as coisas que eu queria. Eu sempre gostei muito de basquete então eu quis comprar, porque eu podia. Você encontrar isso era difícil. Hoje você acha muito tênis de basquete e mesmo assim, nem tem todos os tênis bons, ainda tem muito tênis porcaria aqui no Brasil.

Mas o dia que eu tava no outlet e vi esse tênis eu pensei “caralho, esse tênis tá aqui largado, ninguém compra ele” era o tênis do Kobe, fudido! Não teria outra oportunidade de comprar esse tênis…eu achava o design dele muito futurista demais, até achava que eu não ia usar. Mas eu usei até que razoavelmente, eu joguei basquete, usava pra sair, mas ai parei de usar porque as pessoas julgavam muito. Ai no final acabei parando de usar por causa disso, eu não gostava de jogar com ele porque ele não era muito confortável, era pesado também, e também porque as pessoas não entendiam. Aí ele ficou estacionado literalmente, ficou guardado todo esse tempo.

Mas eu ainda acho ele super bonito, é uma pena que ele tá quebrando porque ressecou, mas talvez eu cole ele e volte a usar. Talvez ele seja interessante por isso, por estar todo detonado.

Adidas The Kobe II
Dono: @junojo
Comprado: 2004
📸  @viniciuspontomartin