Quando eu tive um AVC em 2011, eu fiquei um bom tempo parada, no final de 2012 eu comecei a fazer a minha reabilitação no atletismo, eu parei no final de 2012 porque o Aramaçan acabou com o time de atletismo. Em 2013, antes de eu completar 16 anos, comecei no SESI e o meu treinador na época, que era de olímpico e paralímpico me via correndo, via que ocorria com a galera do Olímpico mas eu tinha várias dificuldades e ele perguntou porque eu mancava tanto e porque eu não consegui usar tanto meu braço. A primeira coisa que eu pensei em pedir era desculpa, porque eu não sabia que era uma sequela, eu não sabia o que poderia ser, mas ele falou “eu só queria saber por que eu acho que todo esse tempo você estava competindo com o olímpico sendo paralímpica”. E isso me deixou muito mais forte inclusive.

Em março eu fiz a minha classificação para o paralímpico, entrei, primeiro eu corri o regional – muita gente achava que era impossível eu correr o regional – corri e ganhei nos 100, 200m e no salto em distância. Depois eu fui para o brasileiro – que muita gente achava impossível eu conseguir o índice para o mundial – e fiquei em primeiro no 100, 200m e no salto em distância e ainda fiz o índice para o mundial adulto. A minha terceira competição oficial foi o Open, é uma competição oficial que acontece aqui no Brasil, achavam que era impossível eu ganhar porque tinha vários atletas de outros países, reforcei o meu índice para 100, 200m e para o salto em distância e ainda bati o recorde mundial do 100m. Então a minha quarta competição oficial foi o mundial. Entre o Open e o mundial, o recorde foi batido cinco vezes, então as meninas eram muito forte, não esperavam que eu fosse também. Foi muito louco, porque quando eu vi eu tava na frente, quando eu vi, eu ganhei o campeonato mundial!