FOTOS POR PÉROLA DUTRA
Deerupt-01

“Me chamo Kaique Brasileiro – esse é o meu sobrenome mesmo – e tenho 23 anos. Hoje trabalho como Relações Públicas e tenho alguns clientes no Brasil, Estados Unidos e na Europa principalmente em Paris e Espanha. A minha missão é conectar marcas com as pessoas mais legais da cidade, que estejam trabalhando com moda, música, arte e dança. Comecei a trabalhar com 16 anos e já fiz de tudo um pouco – desde jornalismo e assessoria de imprensa até styling e produção de moda. Trabalhar com tudo isso me deu uma bagagem bem legal sobre o mundo da moda, eu cobria muito semana de moda, festivais de música, sempre com foco em streetstyle. Hoje me vejo como uma pessoa que tem sede de criar e vontade de dar voz para gente que tem potencial para mudar o mundo.” 

NINGUÉM QUER MAIS FICAR PRESO DENTRO DE UM LOCAL SÓ. A GENTE MORA EM UMA CAPITAL QUE TEM UM MILHÃO DE COISAS ACONTECENDO, ENQUANTO ESTAMOS SENTADOS AQUI ACONTECE 4 EVENTOS CULTURAIS PELA CIDADE, É MUITO FODA VOCÊ FICAR PRESO DENTRO DE UM ESCRITÓRIO, SUA CABEÇA BORBULHANDO SABENDO O QUE ESTÁ ROLANDO NO MUNDO LÁ FORA.

Qual sua trajetória? Desde a criação do seu Tumblr até os dias de hoje.

A primeira coisa que fiz foi um Tumblr falando sobre músicas alternativas. Eu pegava coisas que quase ninguém conhecia e colocava nesse blog. A MTV me achou, eles me acompanhavam, gostavam do meu estilo e me perguntaram se eu tinha interesse em escrever sobre moda dentro do portal deles – naquela época só tinham blogueiras de moda, não tinha ninguém pra falar de moda masculina. Foi incrível, me abriu várias portas para eu conhecer muita gente legal, dentro e fora da MTV.

Logo depois veio um convite para ser correspondente internacional de um dos maiores portais de moda do Chile, o Viste La Calle, e até hoje eu colaboro com eles. Por incrível que pareça acho que os outros países da América Latina tem muito interesse em saber o que acontece no Brasil, porque querendo ou não, a gente é um polo pra tudo que acontece nas grandes capitais como Nova Iorque, Paris, Seul, Milão e acho que esses países veem a gente como esse centro que exporta as tendências pro mundo. Eles têm muita curiosidade em saber moda do Brasil, o que estamos usando e etc, até porque a moda lá no Chile é muito conceitual. Meu trabalho com o Viste La Calle é levar o que acontece aqui pra lá, com uma linguagem que se aproximasse mais dos leitores do site, que também é uma revista impressa.

Nesses dois primeiros anos conheci muita gente legal, o que me aproximou muito de pessoas que estavam a frente de marcas. O meu trabalho abriu portas aqui no Brasil e lá fora que eu nunca imaginei que iriam abrir. Comecei super pequeno, no meu quarto, na brincadeira e do nada “boom” – e hoje eu vivo inteiramente disso, é muito bom ter a segurança que seu trabalho depende inteiramente de você. Hoje eu não consigo trabalhar dentro de uma empresa, de um escritório e acho que a nossa geração está caminhando pra isso, ninguém quer mais ficar preso dentro de um local só. A gente mora em uma capital que tem um milhão de coisas acontecendo, enquanto estamos sentados aqui acontece quatro eventos culturais pela cidade, é muito foda você ficar preso dentro do escritório, sua cabeça borbulhando sabendo o que tá rolando no mundo lá fora. 

De onde surgiu seu interesse por streetwear?

Minha mãe e meu pai sempre foram fãs de Rap, Hip Hop e afins. No começo eu não era fã porque acordava às 7h da manhã e estava tocando RZO no volume máximo, até as paredes tremiam (risos). Era assim com Racionais também, eles colecionavam CD, eles eram muito fãs. Eu sempre tive muita proximidade com o mundo da música, minha mãe tinha amigos músicos e através disso comecei a me interessar e pesquisar mais sobre o Rap e Hip Hop. Fui me aprofundando, comecei a ver o que os caras estavam usando – e não é simplesmente na roupa, mas em todo o lifestyle.

Como muita gente sabe, muitas das tendências do que usamos hoje surgiram nos Estados Unidos com os rappers e até hoje eles ditam o que vamos usar. Aqui no Brasil principalmente, temos os meninos da CEIA, que posso dizer que são os maiores influenciadores na cena do Rap, ditando moda e tendências de consumo – quem acompanha eles querem comer onde eles comem, querem ter o que eles têm e querem andar com quem eles andam. Isso é uma coisa que abriu muito minha cabeça porque eu achava que influenciador era simplesmente a pessoa que tinha um blog que falava sobre moda, lifestyle, mas hoje consigo enxergar que não.

Eu dei um talk na Converse para o time de Marketing da América Latina, eles estavam com muita dificuldade de entender a forma de conversar com o cliente final. Mesmo com a marca estando no gosto popular, eles estão sempre lançando coisas novas e muitos lançamentos estavam passando despercebido. Uma das coisas que falei é algo que trago no meu trabalho também: A pergunta que a devemos fazer quando pensamos como marca não é “como” eu vou falar com o meu cliente final, mas sim “quem” eu vou usar pra falar com o meu cliente final, isso é muito mais importante. Você dá a voz para sua marca através de um lifestyle completamente diferente, você sai de dentro do escritório para ir à rua através de uma pessoa para falar com seu cliente final.

Isso cria uma conexão sentimental, no geral a sociedade está muito carente e as pessoas têm a necessidade de se sentirem abraçadas de alguma forma. Quando você pega seu cliente final com alguma conexão emocional, que ele identifica com a história de vida, com algum tipo de dificuldade ou conquista que teve na vida, ele cria uma conexão muito forte com a sua marca, sabe? 

ESTAMOS NUM MOMENTO PROPÍCIO PARA FALAR SOBRE AS QUESTÕES QUE ESTÃO POR TRÁS DESSE PACK. INDEPENDENTE DA SUA ORIENTAÇÃO, ISSO É UMA CAUSA DE TODOS NÓS.

Qual sua relação com tênis em geral?

Isso veio muito cedo na minha vida através da minha mãe, porque ela sempre amou tênis, ela sempre amou moda de rua. A primeira coisa que ela comprou quando ganhou o primeiro salário foi um Adidas Superstar, que durou anos e anos. Isso me marcou muito porque ela usou ele por muito tempo, ela conservou muito bem. Depois ela passou o tênis para a minha tia, que passou para o meu primo, que usou por bastante tempo também, esse tênis passou por duas gerações! Infelizmente não passou por mim, mas meu primeiro também foi um Superstar, desde aí a minha relação com tênis foi muito próxima.

Quando eu converso com alguém a primeira coisa que olho é o tênis, não é pra julgar nem nada, mas eu acho que o tênis traduz demais a personalidade, você consegue fazer uma leitura só através dele. Eu lido muito com pessoas, meu trabalho é esse. 

Qual sua relação específica com esse Adidas Deerupt Pride?

Eu sempre prezo duas coisas: Tecnologia e conforto. Sou muito fã do NMD porque ele é o tênis mais confortável que eu já coloquei no meu pé, e olha que eu já coloquei muitos. O Deerupt me dá uma sensação de estar calçando o NMD,ao mesmo tempo que ele é um pouco mais justo, bem estruturado e o pé fica certinho na forma.

Mas escolhi o do Pride Pack porque estamos num momento propício para falar sobre as questões que estão por trás desse Pack. Independente da sua orientação, isso é uma causa de todos nós. O preconceito está muito presente ainda, e temos muitos problemas em consequência dessa diferenciação que as pessoas gostam tanto de fazer. Isso afeta a sociedade em geral, seria tão ótimo se todos pudessem viver em harmonia independente da escolha da orientação, sabe? Seja feliz da sua forma e deixa o outro ser da forma dele. Eu fico muito feliz de ter essa coleção, entra ano e sai ano e faço questão de ter porque acho que é um momento de muita reflexão.

SEJA FELIZ DA SUA FORMA E DEIXA O OUTRO SER FELIZ DA FORMA DELE.

Às vezes usando essa roupa e tênis, a pessoa bate o olho, vê a bandeira e pode ter uma reflexão que ela não teria se eu não estivesse usando, por onde eu passo eu acabo plantando uma sementinha de reflexão. A gente tem visto muitas notícias ruins, como assédio por conta da Copa, um monte de LGBT sendo morto no mundo, um monte de preconceito, de coisas ridículas acontecendo, e ver pessoas compactuando com esse pensamento pra mim é o fim. Então a minha escolha é pelo mês do orgulho e pelas manifestações que estão acontecendo – quanto mais a gente poder lutar e levantar bandeiras de causas, mesmo que não sejam as que a gente vive, é maravilhoso.

Outra coisa que gostei muito desse Pride Pack foi que a Adidas fez uma parceria com a Casa 1, um centro que acolhe e apoia LGBT em situação de riscos – eles promovem workshops, palestras, um monte de ações para dar um suporte social para eles.

Você tem alguma história com ele?

Ele é muito novo, tem dias, é um recém-nascido. Mas só o fato de eu poder calçar e sair na rua com ele, mesmo sabendo que o Brasil ainda é um país muito preconceituoso, já é um caminho. 

Adidas Deerupt Pride
Dono: @kaique
Comprado: 2018
📸 Pérola Dutra