FOTOS POR PÉROLA DUTRA

KK: “Sou Cauê Santos, meu nome artístico é KK Ousado e tenho 19 anos de idade. Venho da Zona Norte da capital paulista e trabalho na área de criação – sou diretor criativo e músico, estou ali entre a música e a moda.”

MAT: “Meu nome é Matheus Santos, mais conhecido como MAT.jpg. Trabalho com música, sou empreendedor na indústria da moda, DJ, beatmaker, produtor musical e MC.”

Como vocês se conheceram e qual foi o momento que decidiram trabalhar juntos?

KK: A gente se conheceu primeiro através do Instagram, por eu ser da Zona Norte e ele da Sul, marcamos de se conhecer pelo Centro, lá na República, onde o Mat cantou pela primeira vez. Depois a gente se trombava na vivência e desde então estamos juntos nessa caminhada querendo construir algo que fosse relevante e consistente – através da música e da moda. Os dois se interessavam nisso, então nossa amizade se deu por causa da arte e da vontade de fazer.

MAT: Pra gente foi a parada de ver um outro preto criando a mesma coisa que você, foi uma identificação muito grande, naquela época não existiam jovens, tínhamos 15 anos, fazendo isso. Foi muito orgânico porque a gente sempre teve a mesma idéia e pensamento.

KK: Quando começamos a fazer música juntos mesmo que aí que as coisas evoluíram e ficamos mais próximos ainda. Hoje em dia nós somos irmãos de outras mães, essa é a verdade. Até o nome é igual… Santos.

Mat, desde quando e de onde surgiu o interesse em criar sua própria marca?

MAT: Vou te contar uma história triste, quando comecei a Massati, no começo de 2016, eu só tinha 100 reais no bolso, comprei retalhos de tecidos e comecei a costurar e criar, vendo onde dava pra chegar. Comecei a ver que existiam formas de criar com pouco dinheiro e mesmo assim vender e conseguir meu ganha pão em cima disso. Foi assim que me toquei que com pouco eu podia fazer muito, comecei a vender as coisas por encomenda, tudo pelo Instagram e Facebook.

Depois comecei a criar com pouco, e pensava em fazer uns bagulhos diferentes, a cena tava muito massante porque todas as marcas tinham muitas referências da gringa, muita coisa que não é nossa. Então coloquei um ponto final nisso e busquei algo mais voltado pras favelas do Brasil, pras quebradas, pra nossa bandeira – e claro, com referência Africana, porque a gente é isso. Até então tava fluindo uma parada que foi tão original, que as pessoas começaram a se identificar bem mais do que os conteúdos que já haviam no mercado. Foi satisfatório esse processo de pirâmide – começar de baixo e em pouco tempo crescer, minha marca não está em todos os lugares ainda, não são peças que as pessoas acham em qualquer tipo de loja, é diferente.

KK, você é super engajado com moda também né?

KK: Eu tranquei a faculdade no fim do semestre, mas pode-se dizer que entrei primeiro na moda como modelo e depois efetivamente na música, quando ia em eventos trabalhar como MC e DJ. Fazer essa faculdade foi bom porque abriu a minha mente em vários sentidos, do significado de criação, da arte – até porque eu era um peixe fora da água no mercado da moda, eu não me via ali. Mas isso foi bom porque eu entendia que a minha caminhada era diferente, as formas que eu teria que fazer as coisas virarem pra mim, assim eu nunca me segurei na faculdade. Mas sem dúvida esse respaldo teórico sempre me deu uma outra visão pra tudo que eu fazia, seja na música ou no que for, comecei na moda e agora tranquei, mas é algo que quero levar como uma proposta do meu trampo pra sempre. E futuramente lançar meu próprio projeto de moda.

Eu estudava na Santa Marcelina, faculdade muito mais voltada pra criação, lá aprendi bastante sobre o desenvolvimento das peças, era mais voltado para a passarela mesmo. Mas sinto que a minha essência vem do streetwear, nessa vivência, na minha realidade – por isso que eu decidi trancar, pra eu me dedicar a música e quando chegar com uma proposta para as ruas vai ser eu, vai ser autêntico, se eu precisar voltar pra faculdade eu vou voltar.

Agora entrando mais no tema dos sneakers, qual relação vocês tem com tênis em geral?

MAT: Pra mim o boot é o carro chefe, independente do que você for fazer.

Para finalizar, porque o Vapormax? O que esse tênis representa pra vocês dois para ele ser tanto o tema de uma música como escolhido para o Kickstory?

KK: Depois do Nike Shox, acho que o Air Max foi um dos mais impactantes na cultura de rua no Brasil. Quando eu comecei a me aproximar da cultura dos sneakers, conhecer o bagulho mais diferenciado, ficar mais metido a besta, eu até olhava os Air Max com preconceito. Mas quando lançaram o Vapormax, na época que a Adidas tava tomando a cena com os pés na porta – com os primeiros Yeezys, os Ultra Boosts estourando – ninguém tava olhando pro Vapormax.

No Air Max day que da Casa na Paulista, teve uma instalação monstra que ninguém deu muita bola, você não via o pessoal usando. Mas a gente queria muito o boot e nunca tiramos o olho dele, a gente achava ele foda, bonito, diferente e ficamos com essa meta. Acabou que a Solapé surgiu, é uma música que tem produção e composição do Mat; a gente se apegou muito ao conceito porque é algo que fala muito da nossa história e de várias outras pessoas da nossa geração. O Vapormax é isso, estar um passo a frente, enquanto ninguém ligava pra ele nós estávamos com aquela meta já.

Quando a gente apresentou esse conceito pra Nike, o Marcus que tava lá na época, falou “segura essa música pra Março de 2018 que vai ser o ano do Vapormax”. A gente ficou se coçando, esperamos – e dito e feito! Olha o tanto de re-edit que você vê dele, qualquer lugar que você vai tem um. 

KK: Ninguém nesse meio aqui no Brasil tá abordando esse produto, que tá em um momento tão importante no calendário deles. Esse é o OG – a gente mandou uma música pra eles no final do ano passado, eles gostaram e mandaram pra gente vestir – pra gente é dahora porque era um boot que a gente queria, mas estamos em uma fase na nossa carreira que não é o suficiente, a gente precisa de dinheiro pra investir no nosso projeto.

MAT: Produto nunca é suficiente, nem começando de baixo é o suficiente.

Vocês podem ouvir o EP Vida Florida aqui e ver todos os clipes aqui.

Nike Air Vapormax
Donos: @kakaousado & @mat.jpg
Ganhados: 2017
📸 Pérola Dutra