“Meu nome é Leonardo, 27 anos, sou formado em engenharia de produção, pós graduado em gestão de projetos mas não atuo em nenhuma das áreas. Hoje trabalho com esportes de maneira “sintética” como costumo brincar, prestando assessoria e consultoria para academias de musculação na parte estratégica, comercial, administrativa e marketing. Tenho também uma marca no ramo do narguilé que completou 2 anos esse ano.

Sempre gostei muito de basquete, que é de onde vem a minha paixão por tênis. Quando moleque, cheguei a jogar como federado pelo clube Paulistano, mas devido a contratempos tive que parar e mesmo assim a minha paixão continuou. Conforme a minha situação financeira foi melhorando, a gente foi fazendo as loucuras da vida – sempre que havia possibilidade (ou não) a gente achava uma maneira de comprar aquele tão sonhado tênis, que nunca é um; sempre dois, três, quatro… mas no final sempre dá aquele jeitinho brasileiro para caber no nosso orçamento. (risos)

Pra mim o ponto que mais pegou foi quando tive que me desfazer dos meus pares de tênis para almejar algo que também era importante pra mim – o crescimento pessoal e financeiro. Por conta da minha marca, acabei me desfazendo de alguns pares pra que esse sonho se tornasse realidade.”

Leo, qual a sua relação com tênis no geral?

Eu sempre digo que o tênis é a extensão da minha pessoa, acho que não só de mim, mas como de todo mundo que gosta de tênis. Querendo ou não o que você faz para consegui-lo, a forma como você adquire, o dia a dia com ele em si, acaba tendo sempre uma ocasião especial em que você quer colocar um tênis especial. Tem toda uma conexão, tênis pra mim não é só um objeto, ele acaba sendo uma extensão de quem eu sou. Hoje em dia os poucos pares que restaram, ficaram por causa das histórias que passei com eles; e os que foram, estão retornando aos poucos.

O primeiro tênis que joguei basquete, o primeiro Jordan, o primeiro salário, o primeiro presente de alguém. Enfim, os pares sempre têm uma importância específica. Algumas pessoas de fora vão dizer que isso é um absurdo, uma loucura, mas uma loucura que é sua e ninguém vai mudar. Sneaker é a extensão da minha pessoa – eu sou o Leonardo Lana Henrique / Sneaker / Tênis – é tipo o meu sobrenome (risos).

Você lembra de quando começou a gostar de sneakers, de quando ” se tornou” seu sobrenome?

Tênis entrou no meu sobrenome quando eu literalmente tive o dinheiro para comprar o meu primeiro par para jogar basquete em 2002, quando tinha 12 anos. Foi com o meu primeiro salário através do esporte. O governo fez uma ação junto com clubes chamada “esporte cidadão” e nós recebíamos 150 reais por mês, não me esqueço disso. Quando recebi o dinheiro, eu tinha que escolher um tênis que cabia nesse orçamento, porque estava jogando com um tênis velho e precisava de um novo. Não fui em busca de um modelo específico, até porque eu jogava em um clube de classe altíssima, peguei um modelo que cabia no meu bolso – o Kobe 1.

Esse foi literalmente o primeiro sneaker que tive, que depois eu tive o prazer de doar para uma pessoa que ia começar a jogar. Assim como me doaram o meu primeiro tênis, eu tive o prazer de doar ele; a única coisa que sobrou foi a caixa, ainda está guardada em casa.

E qual a sua relação específica com esse Space Jam?

Não só pra mim, mas acredito que quem nasceu na época dos anos 90 tem uma ligação muito forte com o filme. A junção da realidade com a animação teve um impacto muito grande para os amantes de basquete, pelo fato de envolver um desenho com personagens que eram muito icônicos. Além do Michael Jordan que é um ícone para quem gosta e não gosta do esporte.

A possibilidade de comprar algo linkado com a minha infância é algo surreal, acho que até por isso que esse tênis teve uma saída surreal e a loucura não foi diferente – precisei mentir para comprar o tênis, precisei de outras pessoas para favorecer outros amigos que não tiveram a oportunidade de vir para São Paulo comprar o tênis.

A importância desse tênis pra mim com certeza não é só pela estética e conforto, apesar dele ser lindo e confortável, mas sim por essa ligação que tenho com ele. Me perguntaram “porque você ta comprando esse tênis?”, ter o tênis que era usado pelos monstros, numerado o número 45, a própria história no retorno do Jordan em que ele queria usar esse modelo mas não tinha com o número 23 estampado no tênis, então ele acabou usando o número 45, é uma mistura de histórias, é surreal. Ele vem de um modelo que tem uma importância muito foda, que é o Air Jordan 7210, digamos que é uma recriação desse tênis, que é um dos mais cobiçados da marca.

Hoje em dia eu não me considero um sneakerhead pela quantidade de tênis que tenho, porque muita gente se categoriza assim, mas me considero sneakerhead pela paixão pelos tênis que me sobraram – e esse é um deles. Ele foi ensaiado pra usar, comprei em dezembro mas foi usado pela primeira vez só em maio. (risos)

E qual foi todo o corre pra consegui-lo?

Normalmente, quando o tênis é muito hype, só liberam um tênis por pessoa – é óbvio que algumas pessoas são privilegiadas por conhecerem uns contatos que acabam segurando os tênis pra eles. Mas eu não estava nessa situação e tinha que pegar 3 pares de tênis em três números que são muito cobiçados – US 7.5, 8.5 e 10.

Cheguei às 6h no shopping, o vendedor chegou mais tarde – até aí estava tudo certo para a compra, não tinha nenhuma restrição, pelo código do consumidor eu posso comprar a quantidade que eu quiser desde que eu tenha dinheiro – e eles não podiam me barrar.

Quando descobri que não poderia pegar os 3 pares, tive que recorrer à alguém. Moro bem perto do shopping, liguei para o meu pai – tirei ele da cama – e ele entrou no shopping da mesma forma que eu (falando pro segurança que era um funcionário). Até então dois tênis estavam garantidos, até que um vizinho saiu de casa pra comprar pão e ele não comprou pão, ele foi me ajudar a pegar esses tênis. (risos)

Senti que tinha a obrigação de ajudar meus amigos a terem os tênis. Em específico um deles, já que eu e meus amigos fizemos uma vaquinha pra comprar, de uma forma ou outra você quer ajudar, e deu certo.

Por incrível que pareça todo mundo quer deixar ele bonitinho, mas eu não vejo a hora de quando a sola amarelar, aposto que ele vai ficar mais lindo ainda.

Air Jordan XI Space Jam
Dono:@leobronks
Comprado: 2016