“Meu nome é Luis Felipe ou Lula, tenho 28 anos e sou arquiteto e urbanista formado pelo Mackenzie. Hoje em dia eu estou trabalhando em um projeto de restaurante com container e está sendo o meu primeiro grande trabalho. Estou num momento bem legal, diferente do que foi o pós-faculdade. Eu me formei na Steiner onde eu conheci o Ian, ele era 2 salas abaixo da minha, mas sempre muito parça, tivemos muitas histórias de basquete juntos e conversas sobre tênis.”

Lula, qual a sua relação com tênis no geral?

Tênis é uma coisa que eu gosto muito de ver e apreciar bons designs. Tudo que é design de produto, diferente da arquitetura na qual a gente faz pro homem, em geral atinge de forma muito mais forte porque é tudo o que a gente está encostando. Então é o tênis que você está usando, o relógio no seu pulso, o copo que você segura, a cadeira que você senta, isso tudo tem um pensando que pode ser de um arquiteto, mas é muito mais presente no design. O tênis está tão forte nisso quanto qualquer outra coisa, porque tanto o processo criativo, quanto o propósito dele, é um projeto. Vai seguir uma forma, uma função, atende um espaço, tem suas dinâmicas e fluidez. Lógico que depende, tem alguns tênis e marcas que eu não gosto, mas deve ter algum valor porque o povo compra. Por exemplo a Asics, tem uns tênis que eu acho feio pra porra, eu não entendo isso (risos).

Mas acho que a relação que eu tenho com o tênis é super superficial, ela não é nada profunda, não é nada louca. A relação que tenho com eles é esse prazer de ver o design e querer saber fazer, ter idéias e querer também executar. É essa a minha relação em geral, ela não é nada profunda, mas eu tenho uma grande admiração por quem faz, pensa, executa e faz essas coisas maravilhosas.

E qual a sua relação específica com esse Reebok?

Cara, eu sou meio esquerdalha no momento. Fico muito crítico com a opressão da mídia, da publicidade, com essa coisa de você tentar ser o que não é e etc. Mas uma coisa é quando você tem um herói, que além dele ser inatingível porque está longe, é também caro de ter porque aqui no Brasil é muito caro ter um tênis que lá fora você consegue pegar fácil. Ter esse herói, começar a ter apego por ele e pelas pequenas coisas que você pode copiá-lo, por exemplo o tipo de cabelo – eu fazia uns cornrows. Nessa idade a gente está começando a entender como que funciona patrocínio e marca e a minha relação com ele é justamente conseguir atingir aquilo que eu estava vendo e querendo: ser um pouco mais, chegar mais perto e criar uma segurança psicológica.

Quem trouxe esse tênis pra mim foi a minha prima, ela estava em Miami e eu estava muito nervoso com medo de que não chegasse o tênis no tamanho certo. Quando ela chegou com ele foi um momento maravilhoso porque eu estava de olho no Answer IX, que eu não conseguir pegar, mas ter o X foi muito foda.

Cara, nas palavras de um homem muito sábio chamado Iverson “quando você se veste como um super-herói, você joga como um” (risos).

Mito! (risos). Mas é, foi uma parada que me acompanhou por muito tempo, ele era o único tênis em que eu tomava muito cuidado, inclusive acho que ele tá bem inteiro. Eu só jogava com ele em quadra fechada.

Você tem alguma história específica com ele?

Esse era o tênis que eu mais usei durante a minha vida toda, então pra ser bem clichê vou falar de basquete com ele. Eu estudava no Pueri Domus e sai de lá com raiva, não gostando de ninguém. Me mudei para a Steiner, e um dia teve um jogo entre as duas escolas que eu ia jogar especialmente contra o pessoal do Pueri que eu não gostava. Era a primeira vez que jogava como titular e esse foi o jogo que joguei melhor, contra as pessoas que eu tinha um ressentimento. Nós ganhamos o jogo, fiz 14 pontos sendo que um foi uma bola de fade away na zona morta contra o Bob, que era um menino que eu gostava pra caralho, ele estava me marcando mega cavalo e lembro que dei um fade todo desequilibrado e a bola entrou. Acho que esse foi o meu highlight de vida. Nunca mais fiz algo tão legal. Era um jogo mega especial e eu estava usando o Iverson. Com o tempo eu fui parando de jogar por causa de faculdade e tal, e ele continuou sendo “o tênis”.

Comecei a curtir basquete com o Iverson sendo o meu ídolo, nesse tempo todo o meu único tênis bom era esse Answer X. O Iverson saiu, tive a oportunidade de ver ele jogar contra o Kobe lá em Denver quando fui morar fora, e isso mexeu bastante comigo. Ele foi saindo, eu fui parando de jogar, e esse tênis ficou parado. No momento eu substituí o meu amor, demorou bastante, mas agora eu estou trocando esse tênis do Iverson pelo Kyrie II. Foi uma era de infância e adolescência idolatrando uma pessoa com um tênis, e agora mais velho eu consegui achar um novo ídolo e estou oficialmente aposentando esse aqui.

Reebok Answer X
Dono: @kurtlow
Comprado: 2006
Tamanho:  BR44/US12