FOTOS POR  VITOR MANDUCHI
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“Meu nome é Mar, tenho 25 anos e sou de Valência. Estudei Belas Artes, depois fiz um Mestrado em Produção e agora estou aqui em Barcelona estudando Direção de Arte.”

Por que você estudou Belas Artes, isso foi algo que sempre quis fazer?

Bem, eu não escolhi, foi algo natural para mim. As pessoas são boas em certas coisas e eu sou boa em fazer coisas manuais. Eu não sei, desde criança isso sempre foi claro… só no colegial que eu sofri uma certa pressão, porque eu tinha boas notas e eles me pressionaram para eu ser médica ou um advogada – mas fora isso, meus pais sabiam e nunca tentaram mudar, eles assumiram que era uma coisa natural para mim. Eu não era boa nas coisas, não era como “uau, você desenha muito bem!” ou “como você pinta bem!”, mas eu sabia que queria ser artista. 

Depois de Belas Artes você estudou Direção de Arte e Produção Artística. Com essas áreas de estudo, quais são os projetos que você quer fazer no futuro?

Eu gostaria de trabalhar como Diretora de Arte. Amo os projetos em que tenho que levar as coisas do abstrato para o figurativo, é o que eu faço de melhor. Pessoas com perfis como de Design Gráfico são muito racionais, tudo tem que ser perfeito. Eu estou mais na vibe de fazer o que vier à minha mente, mais emocionais, que transmitam algo, que sejam abstratas – Arte tem isso, te dá outro ponto de vista sobre tudo. 

Conte pra gente sobre pessoas que te inspiram – no trabalho, na moda, na vida.

Na moda Margiela, obviamente. Ele era o melhor nesse mundo, mas não é mais já que a Diesel comprou a marca e não é mais ele comandando. Quanto a artistas, gosto muito do James Turrell e principalmente esses artistas de instalação – eles são completos, dominam o conceitual, a estética, o espaço, dominam tudo, tudo o que pode ser arte.

Eu tento não me fixar em pessoas que são inacessíveis para mim, posso ter como referências, mas elas são como deuses. Em compensação, minhas maiores inspirações são meus amigos, tenho pessoas muito boas que trabalham do meu lado – você se inspira nelas e elas podem contribuir para o seu trabalho, porque todos estão no mesmo nível, para mim isso é muito mais interessante. Quando você abre uma revista, como a i-D ou algo assim, e vê a filha do Will Smith ou alguma outra pessoa que ganha tudo fácil, enquanto há pessoas ao seu redor trabalhando de graça, fazendo coisas incríveis – isso é admiração. O que eu tenho para artistas já consagrados é respeito, mas admiração, eu só tenho para pessoas que estão no meu nível. 

Qual sua relação com tênis no geral?

Eu sempre usei tênis, desde que eu era muito pequena. Tem um que usei quando criança, que sempre me lembro dele, da Polly Pocket – tenho eles guardados na minha memória, inclusive acho que foram os primeiros que tive. Não sou o tipo de menina que sai carregando uma bolsa, sabe? Sempre quis estar confortável, é por isso que eu sempre usava tênis, eu sempre fui assim.

Só não gosto quando as pessoas compram tênis só para ter. Acho que se você comprar algo que vale tanto dinheiro, tem que ser útil, eu não compro e guardo, como se tivesse em um museu – não sou colecionadora. Posso gostar muito, mas eu não vou gastar €200 se não vou colocar eles no pé. 

Quando e como começou a sua relação com tênis?

Acho que foi na faculdade. É a época que você começa a ter seu próprio estilo, a ter mais maturidade e saber mais como escolher as coisas. Eu já sabia que roupas eu gostava, ouvia minha mãe dizendo “Parece uma barata toda de preto” – porque eu estava me vestindo de preto de novo, mas cores sempre te influenciam na hora de se vestir e preto é sempre a melhor opção. Além disso, quando você fica mais velho, você começa a comprar coisas mais caras, porque você está ganhando mais dinheiro e começa a comprar as coisas que você quer, e não o que você pode, o que é uma diferença muito grande. 

Por que você tem uma coleção de Nike Air tão grande?

Quando você gasta mais de 100 euros em um tênis, tem que pensar que está pelo menos investindo em tecnologia. 

Qual é a sua relação com esse Nike Air Zoom Spiridon?

Eu tive que ir atrás desses tênis – já os outros que tenho não foi muito difícil achar. Eu queria sneakers pretos para variar, porque eu estava sempre com meus 95’s – que são os melhores tênis que eu tenho, são os que mais duram, os mais robustos. E foi tipo, eu gosto tanto deles que eles precisam descansar um pouco. Então comprei esse Spiridon reflexivo para intercalar, perfeito porque tenho uma obsessão com a luz – tenho um background em vídeos, projeções e instalações, e quando eu vi a parte reflexiva dele no sol, me apaixonei. Mas todas as vezes que ia comprar, nunca tinha meu tamanho, até um dia que foi como “agora ou nunca” e comprei. 

Nike Air Zoom Spiridon
Dona: @m_a_r_a_r_a_g_o
Comprado: 2018
📸 @vmanduchi