Se você quer uma boa conversa sobre o Nike Dunk, você quer falar com o Marcelo Sassá, que já teve 160 pares do modelo na sua coleção. Ele começou a andar de skate em Fortaleza, cruzou com o modelo e se apaixonou. A conversa com a gente rolou com um What The Dunk nos pés, uma fusão de vários outros Dunks icônicos. São muitas histórias entre o 1° e o 160° par! De comprar tênis até passar a vender e colecionar. Leia a entrevista completa no nosso site.
FOTOS POR VINICIUS MARTIN

"Meu nome é Marcelo, eu sou de Fortaleza e moro em São Paulo desde os meus 17 anos. Hoje em dia eu ando bem pouco de skate mas eu sempre gostei de andar. E também eu sou um desses caras que é louco por tênis e essa paixão é principalmente para tênis que tem a ver com skate."

Quando você começou a andar de skate?

Eu comecei a andar quando eu tinha mais ou menos 16 anos lá em Fortaleza. Eu nunca fiquei sem um skate, eu posso ficar sem andar mas eu tenho que ter um skate – eu prefiro me desfazer de um tênis que eu gosto muito do que me desfazer do skate. Hoje em dia muita gente vê o skate como esporte mas para mim, é um estilo de vida.

Tinha um cara que namorava uma menina da minha rua, ele tava lá toda hora com o skate dele, e eu comecei a me aproximar dele para eu ter um contato direto com o skate. Nessa época eu era bem mais novo, eu tinha uns 13 anos, e meu pai não deixava eu ir para lugares muito longe – eu morava mais ou menos 30 minutos da beira mar de Fortaleza, lá tinha um calçadão e toda a galera andava por lá. A gente saia de skate do centro até a volta da Jurema, que é uma das últimas praias do calçadão. Deciamos umas ladeiras, andávamos nos picos que eram proibidos, tive umas aventuras bem legais. Meu pai começou a me proibir de fazer isso, e quando eu tinha uns 16 anos voltei a andar e levar mais a sério.

Todo mundo que anda de skate tem algum apego com o tênis. Eu sempre tive o meu para andar de skate e o para rolê...na verdade eu sempre tive no mínimo quatro pares. Eu comprava para o rolê, depois que ele tava muito usado eu usava ele para andar de skate, e aí quando acabava eu comprava outro, e assim ia reciclando eles.

A CENA AQUI É BEM DIFERENTE, VOCÊ ACHA TUDO. O TÊNIS LANÇA LÁ FORA E PODE TER UM DELAY DE ALGUNS MESES, MAS UMA HORA CHEGA. QUANDO EU VIM PARA CÁ FIQUEI ENCANTADO COM A GALERIA DO ROCK, TINHA TODOS OS TÊNIS DE SKATE FODAS E COM PREÇO ACESSÍVEL.

Quando você chegou em São Paulo, qual foi a maior diferença entre a cena de tênis de Fortaleza e a daqui?

A época do plano real foi muito boa para Fortaleza, chegava umas coisas bem legais lá. Eu tive uns tênis que hoje em dia eu daria uma grana foda para ter eles de volta; eu tive o DC do Rick Howard, do Colin Mckay, do Danny Way e Rudy Johnson. Tive também o éS do Tom Penny, do Chad Muska, os primeiros Kostons,eu tive todos esses quando eu morava lá em Fortaleza.

A cena aqui é bem diferente, você acha tudo. O tênis lança lá fora e pode ter um delay de alguns meses, mas uma hora chega. Quando eu vim para cá fiquei encantado com a Galeria do Rock, tinha todos os tênis de skate fodas e com preço acessível. Na época eu pagava R$100 em um Action. Nessa época valia a pena pagar R$100 em um tênis para andar de skate; hoje em dia quem é que vai pagar R$600 em um tênis para colocar na lixa?

Você lembra qual foi o primeiro tênis que você batalhou para ter?

O tênis que eu mais batalhei para conseguir foi o do Tom Penny. Ele é um atleta que eu sempre me inspirei, eu sempre curti o rolê dele...ele andava bem para caramba. Foi o irmão do Pedro da Sigilo que conseguiu esse tênis para mim, eu acabei tendo dois desses, um para andar de skate e o outro eu deixei guardado. Só que a sola dele era de EVA e com o tempo, hidrolisou. Mas o real motivo de eu gostar desse tênis é porque ele era o modelo de um atleta que eu gostava e admirava.

Mas em questão de tênis mesmo, foi outro. Antes eu não gostava de Nike, quando a galera começou aparecer com Nike eu torcia o nariz por quê ela não era uma marca de skate. Eu sempre pensava que se eu fosse gastar o meu dinheiro eu iria ajudar as marcas de skate, como a DC, éS, Etnies e enfim. Mas aí é um amigo meu de Santa Catarina me passou um Nike Dunk High da linha SB que foi fabricado no Brasil. Eu usei o tênis para andar de skate e achei muito bom, aí acabei comprando outro e foi indo. Um dia eu parei para ver e eu já estava com 10 pares.

E porque maior parte da sua coleção são Nike Dunk?

Tinha uma época que eu comprava de tudo – e eu não tava dando conta, eu precisava pagar aluguel, as parcelas da faculdade e etc. Então, cheguei na conclusão que eu precisava focar em uma coisa só e eu burro, foquei em Dunk...só que tem muita CW! (risos). Mas o que eu mais gosto do Dunk mesmo, é que a maioria deles tem história, ou é collab, ou é uma CW que parece muito com alguma coisa e o pessoal cria uma história em cima disso – por exemplo o da Heineken. Até o WTD, eles juntaram os tênis que mais tinham história pra fazer ele.

Isso que me fez gostar muito de Dunk, porque tem história e tem aquele apelo. Na época tudo que lançava eu comprava, mas hoje em dia eu tô bem mais seletivo. Eu separei uns 40 pares, vendi alguns e deixei outros na Pineapple. Agora eu tô focado em pegar o tênis que foram lançados até 2010, que é blue box. Quero pegar mais tênis que tem a ver com o What The Dunk. A primeira série do SB eu só tenho um, que é de cano alto que foi lançado em 2002. Eu tive oportunidade de pegar outros mas não deu, são muito caros.

E qual é a história por trás desse Nike SB What The Dunk?

Eu fiquei namorando ele por um ano. O Cris, que hoje é o supervisor da YourID, postou uma foto dele no Instagram e aí eu comentei falando que tinha achado muito dahora. Ele falou que não era o size dele, que era um 12 – que é o meu size. Eu fiquei enchendo o saco dele perguntando do tênis durante um ano; aí teve um dia que ele passou lá na loja, na época eu tava trabalhando na galeria, e me trouxe o tênis dentro de uma sacola. Eu nem olhei dentro dela, eu só coloquei atrás do balcão e falei "você tá ligado que isso não vai sair daqui né, é meu, já era" (risos), aí eu perguntei "quanto você quer por ele?". A gente negociou o valor e consegui. Ele falou que só vendeu o tênis para mim porque eu realmente gostava de Dunk.

E de todos os Dunks da sua coleção, porque você escolheu esse Nike WTD para fazer o Kickstory?

É um tênis que, como outros também, eu tinha a ideia que eu nunca teria. Porque olha só a probabilidade – eu vi a foto de um cara que postou no Instagram, e deu certo eu conseguir ele. Além disso, eu o escolhi pela história, só com esse par, ele conta a história de vários outros Dunks. Em um par eu tenho 30 histórias.

ALÉM DISSO, EU O ESCOLHI PELA HISTÓRIA, SÓ COM ESSE PAR, ELE CONTA A HISTÓRIA DE VÁRIOS OUTROS DUNKS. EM UM PAR EU TENHO 30 HISTÓRIAS.
MAS DEPOIS EU REALMENTE COMECEI A GOSTAR E COLECIONAR...AÍ FOI INDO. MEU AMIGO SEMPRE FALA A SEGUINTE FRASE "EU TENHO MAIS DO QUE EU PRECISO, MAS EU TENHO MENOS DO QUE EU QUERIA TER".

Você comentou que uma época você tinha 10 tênis, mas assim do 10 para 160, como é que foi isso aí?

Teve uma época que eu comprava muitos pares do mesmo para vender. Mas aí eu ficava com dó de vender um, depois o outro – por exemplo, tinha vezes que eu comprava 10 pares e vendia 2, saca? (risos). Mas depois eu realmente comecei a gostar e colecionar...aí foi indo. Meu amigo sempre fala a seguinte frase "eu tenho mais do que eu preciso, mas eu tenho menos do que eu queria ter".

Nike Dunk SB What The Dunk
Comprado: 2015
Dono: Marcelo Sassá
📸: Vinicius Martin