Converse_Golf-01

Em nossa viajem a NY tivemos o prazer de conhecer uma pessoa, que além de muitos talentos, foi muito parceira e nos ajudou a fazer o Kickstory acontecer lá.

O Marvin faz um pouco de tudo. Além da fotografia, ele tem sua marca de roupas e bordados Extra Flee  e também faz música. Ele nos recebeu no escritório da i am other, onde ele trabalha gerando conteúdo para a conta us da BBC US.  Ele contou um pouco da onde vem suas inspirações, a reviravolta que deu em sua vida, e o que o atraiu tanto no seu converse one star golf leflour.

A gente do Kickstory queria agradecer muito o Greg que salvou o dia com as sua fotos incríveis e a Vitória que fez a ponte para a gente!

FOTOS POR GREG

“Meu nome é Marvin e eu uso muitos chapéus. Eu apenas tento achar toda e qualquer oportunidade criativa que eu possa pra me expressar. Esse é o tipo de pessoa que eu sou. Apenas um criativo, aventureiro e sempre tentando pensar fora da caixa.”

 

Você é fotógrafo, faz músicas, e também tem a sua própria marca de patches e camisetas. Um pouco de tudo.

E bordados. Sim, eu coloco a mão um pouco em tudo. E todas essas são coisas pelas quais eu fui influenciado quando eu estava crescendo. Eu sempre pensava comigo: “Eu quero fazer isso”, e percebi que eu poderia se eu quisesse. Entende? É só você ir atrás, eu passei muito tempo investindo em mim mesmo e aprendendo coisas que me interessavam. E eu trabalho melhor desse jeito. Muitas pessoas vão à faculdade, muitas vezes fazem coisas que não querem, mas eu percebi que: quanto mais eu fizesse isso, mais infeliz eu seria. Então eu decidi apenas ir atrás de tudo que eu soubesse fazer ou que eu quisesse aprender a fazer.

MÚSICA É TUDO, PRA TODO MUNDO. NÃO EXISTE UMA PESSOA QUE NÃO GOSTE DE MÚSICA. ATÉ A PIOR PESSOA GOSTA DE PELO MENOS UMA MÚSICA, SABE?

Quais são as suas influências? Como você aprendeu a fazer música e design? Ou foi tudo natural?

Eu sinto que parte foi natural por causa do ambiente em que eu cresci, as pessoas que estavam à minha volta. Música é tudo, pra todo mundo. Não existe uma pessoa que não goste de música. Até a pior pessoa gosta de pelo menos uma música, sabe? Então, eu cresci com meu pai ouvindo uma porção de músicas diferentes. Ele me apresentou a vários gêneros e tipos de artistas diferentes. Eu sou Haitiano, e nós ouvíamos música haitiana, música da Colômbia, de Porto Rico, da República Dominicana e até do Brasil. Ele que me colocou em contato com estilos de música como samba e coisas desses tipo. Então essas foram as coisas que ajudaram a influenciar minha música, porque em toda canção, eu consigo encontrar um elemento que eu goste. Algo que eu queira incorporar no meu som.


Você sabe dizer que tipo de som você faz?

Eu faço uma mistura de coisas. Faço um pouco de lo-fi, um pouco de boom-bap. Um pouco de eletrônico, dependendo muito de como eu estiver me sentindo no dia. Mas, a maior parte do que eu tenho feito agora é lo-fi. Porque eu adoro o som do lo-fi. É tipo “ambicioso” e cru, eu gosto disso.

Você trabalha no escritório da “I Am Other” há 10 meses. Como você chegou aqui?

Bom, no ano passado eu estava trabalhando em uma empresa de construção – eu sei, parece doideira, é totalmente o oposto a tudo isso que faço hoje. E eu não tava feliz lá por causa das pessoas que trabalhavam comigo. Eles me deixavam mal, tipo o tempo todo. Então meu amigo Chris – ele tinha a vaga que eu tenho hoje aqui, mas saiu porque conseguiu uma vaga na adidas. Então felizmente, ano passado, eu fui pra Califórnia para a Complex Con, era pra eu ter ido com a minha amiga do Brasil, a Tássia, mas algo aconteceu com o passaporte dela e ela não pode vir. Então eu fui à Complex Con sozinho.

Todo ano, a Billionaire Boys Club tem um estande na Complex Con, e aí eu mandei uma mensagem pro meu amigo Chris falando: “Ei, eu sei que você tá trabalhando esse fim de semana, mas se você tiver algum tempo livre, me avisa. Eu vou estar aqui sozinho.” Aí ele falou: “Cara se você quiser trabalhar aqui com a gente e dar uma mãozinha, seria uma ajuda muito bem vinda.”  E eu super topei. Porquê não? Então no fim de semana na Complex Con eu trabalhei com eles e me tornei próximo de todo mundo aqui. Me senti como eu fosse parte da equipe. Então, quando chegou o momento do Chris ir para a Adidas, ele me indicou aqui e todo mundo já me conhecia. Eu mostrei o meu trabalho e eles me colocaram no time. E é engraçado porque esse ano a gente foi à Complex Con, e eu era parte oficial da equipe, e meu amigo Christopher, ele que estava lá ajudando a gente, então meio que invertemos os lugares (risos).

 

Que incrível! E hoje o que exatamente você faz na I am other?

Eu diria que o nome oficial é marketing de conteúdo. Eu cuido da conta da do Instagram BBC US. Então eu subo todas as fotos, falo para as pessoas sobre os lançamentos, coisas que vão sair, às vezes eu faço algumas artes, para deixar mais interessante, e não ficar só a imagem da foto, sabe? Faço também coisas pro site, faço uns shootings aqui e ali. E também quando estamos criando uma coleção ou alguma coisa, às vezes eu ajudo dando ideia. Não sou eu que venho com todos as ideias, mas, sei lá, eu faço tudo que eu conseguir aqui. Eu tenho essas habilidades, então eu tento aproveitá-las. Até mesmo um dos meus beats já foi usado em um dos vídeos que fizemos para uma promoção. Então eu misturo todos os meus talentos para colocar tudo em prática aqui.

 
E para você, como é trabalhar em uma marca grande e conhecida como essa?

Se eu voltasse no tempo e dissesse à minha versão de 13 anos que eu estaria fazendo isso agora, eu enlouqueceria. É muito surreal. Quer dizer, no fim do dia, nós somos uma equipe pequena mas temos grandes tarefas. É muita responsabilidade então nós ajudamos uns aos outros o máximo que podemos. É surreal estar aqui, honestamente. E toda a maneira como eu cheguei aqui, sabe? Você pensa sobre o universo e como as coisas acontecem… Tudo pode acontecer. Eu imaginei isso há uns 5 ou 6 anos atrás mas eu não me levava a sério, eu achava que era apenas um sonho.

E o trabalho fala por si só. Acho que o fato de que, antes de eu ser efetivamente contratado, eu ter tido a oportunidade de mostrar meu trabalho e o meu esforço, fez uma grande diferença. Quando as pessoas conhecem o trabalho que você é capaz de fazer, isso faz você se tornar mais confiante sobre você e sobre as coisas que você pode fazer. Uma coisa muito legal é que todo o tipo de pessoa passa por esse escritório, e às vezes eu ainda não acredito. O fato de que pessoas que eu ouço sempre, que eu vejo na TV e em revistas, às vezes eles só vêm e passam pelo escritório (risos). Então é interessante. E tem tanta inspiração por aqui. Tipo, em todo canto. Todas as pessoas com que eu trabalho são super talentosas. É muito louco.

E hoje em dia, qual é a sua relação com tênis?

Quando mais novo, eu era dessas pessoas que queriam todos os tênis. O negócio é que eu queria tênis que eram desses bem exclusivos, tipo o Jordan 3, é um dos meus favoritos. O 3 e o 4. O
Black cement?  Ele é sempre bom (risos). Mas quando eu era jovem minha família não tinha condições de bancar vários Jordans, de vez em quando eu guardava algum dinheiro para conseguir um par. Eu lembro do meu aniversário de 17 anos, eu guardei dinheiro o suficiente e comprei o 8 Aqua. Esse também é um dos meus favoritos. Então, os tênis sempre foram sobre adicionar algo ao meu estilo. Eu já sabia que eu tinha estilo, eu não precisava dos tênis para ter estilo, mas sabia que eles seriam tipo a cereja do bolo. Sabe?

Hoje em dia é muito mais sobre conforto. Antes eu não queria que meus tênis sujassem, não queria que ficassem marcados (risos). E isso se tornou estressante. Um dia falei “Quer saber? Eu preciso só usar meus tênis.” Eu sinto que meu corpo tá ficando mais velho. Tenho 29 agora. Não sou tão velho, mas…. você sente as mudanças no seu corpo, então, cheguei em um ponto que eu preciso que meus pés estejam confortáveis. Mais do que super exclusivos ou descolados. Sabe? Então, quando o
Tyler The Creator lançou o Converse One Star x Golf LeFlour, eu fiquei tipo: “Wowp” olha esse design!

Comprei esse verde e o pink no mesmo dia – eu coloquei no pé e foi tão confortável. Aí
eu tava olhando o Twitter e vi que o Tyler The Creator, no dia do lançamento, disse: “Só use seus tênis. Use até gastar. Suje eles. Use eles até eles se acabarem.” E basicamente eu levei aquilo muito a sério. Eu simplesmente uso eles. Esse tênis já foram comigo pro Brasil, pro México, tipo, onde quer que eu viajo, eu levo eles comigo. Porque eles são confortáveis e eu consigo sempre arranjar uma maneira de combinar eles. Eu sinto que as cores e o design do tênis, meio que demonstram um pouco de quem eu sou, sabe? Tipo, simples, mas notável.  

EU TAVA OLHANDO O TWITTER E VI QUE O TYLER THE CREATOR, NO DIA DO LANÇAMENTO, DISSE: “SÓ USE SEUS SNEAKERS, USE ELES. USE ELES ATÉ GASTAR. SUJE ELES. USE ELES ATÉ ELES SE ACABAREM.” BASICAMENTE… E EU LEVEI AQUILO MUITO A SÉRIO. EU SIMPLESMENTE USO ELES. ESSE TÊNIS JÁ FORAM COMIGO PRO BRASIL, FORAM COMIGO PRO MÉXICO. TIPO, ONDE QUER QUE EU VIAJO, EU LEVO ELES COMIGO.

Você tem uma coleção? Ou só alguns que você realmente gosta?

Hoje em dia, eu acho que eu acabei doando boa parte dos meus tênis. Isso ou meu irmão mais novo pegou eles (risos). Então eu sinto que estou reconstruindo minha coleção. Agora eu tenho um pouco mais de adidas, porque o Billionaire Boys Club tem conta exclusiva com a adidas, então eu fui apresentado mais a marca. Até um tempo atrás eu nem ligava muito mas agora eu to curtindo bastante, especialmente ao Boost 2.0. Eles são muito confortáveis, eu tenho usado bastante os Human Races, NMDs…. Todos esses tênis que o Pharrell tem lançado. Então eu tenho ido mais pro lado da adidas mesmo. E meu amigo Chris na adidas foi quem me introduziu à vários tênis, então eu tô bem adidas agora (risos).

 

Quão difícil é conseguir um tênis por aqui? Tipo aqueles drops especiais… Você tem que ficar na fila? Você vê a galera se enlouquecendo?

Honestamente, depende do lançamento. E do hype do tênis. Porque um sneaker como esse provavelmente esgotaria no site do Tyler The Creator, mas você consegue ir a uma Footaction ou Footlocker e encontrar um par. Então depende do tênis. Às vezes você só precisa procurar um pouco, ou encontrar uma loja mais escondida e menos popular pra achar o tênis que você quer. Mas depende muito do hype em torno do tênis. Tipo, o Cactus Plant, esgotou em um segundo (risos). Eu sei que a collab do Pharell com a Human Made, a marca japonesa, que era um NMD com um coração azul da Human Made em cima… Esses esgotaram na hora.

Obviamente, você gosta de tênis. Mas você chega a se considerar um sneakerhead?

Hum… Hoje em dia eu diria que eu sou um sneakerhead calmo, se eu perder um lançamento, então eu perdi, sabe? Eu não vou ficar no frio (risos). Ou se eu tiver que esperar três horas, eu não vou atrás. Tipo, agora eu ganho meu próprio dinheiro, então eu não penso tanto no preço. Lógico que às vezes eu tenho minhas responsabilidades, tipo eu não posso sempre comprar tênis… Mas agora eu tomo minhas decisões. Se eu gosto, eu compro. Eu faço o esforço para poder ter, mas se eu souber que todo mundo vai estar online, ou que todo mundo vai ficar doido atrás desse tênis, então eu deixo pra lá, se for pra mim, então eu vou ter. Eu vejo desse jeito.

Aqui em Nova Iorque, muitas pessoas compram pra revender. Eles sabem que os tênis são populares, e mesmo que eles não queiram, eles compram, aumentam o preço e cobram um monte de dinheiro, pra lucrarem com isso. Acontece muito aqui. É um grande problema pra nós. Porque alguém quer comprar e depois cobrar de você duas vezes o preço. Acontece muito.

UM DIA, UMA AMIGA NO TWITTER, QUE TINHA TIPO 10.000 SEGUIDORES, COLOCOU O LINK DA MINHA PÁGINA, E EU COMECEI A RECEBER VÁRIOS PEDIDOS (RISOS). EU ACHO QUE TIVE UNS 300 PEDIDOS, MAS EU NÃO ESTAVA PREPARADO. PORQUE NO MEU SITE, SE VOCÊ QUER ALGO, EU FAÇO NA HORA. ENTÃO MEU SITE NÃO TINHA UM LIMITE PARA QUANTIDADE DE PEDIDOS, ENTÃO AS PESSOAS SÓ ENTRARAM E TODO MUNDO FOI FAZENDO PEDIDOS, E PEDIDOS. AÍ EU TAVA LÁ COM UNS 300 PEDIDOS E ERA EU. EU FIQUEI TIPO: “ISSO É LOUCURA!

Vamos falar um pouco sobre a sua marca Extra Flee. Você tem algum plano para o futuro?

Eu acabei de comprar uma máquina enorme de bordado, que tem umas 15 agulhas. Eu posso fazer chapéus, bolsas, jaquetas e tudo. Quando eu comecei minha marca, basicamente o que eu fazia era comprar patches no Ebay ou no Etsy, e eu colocava eles em camisetas, nos bolsos das camisetas e em bonés. Eu fazia tudo à mão. E aí eu ia à loja ou quando eu saia as pessoas ficavam: “Onde você conseguiu essa camiseta?” ou “Onde você arranjou esse boné?” E eu falava: “Eu comprei um patch e eu fiz.” Aí, eu comecei a comprar um monte de patches e costurar em roupas e em bonés. E teve um dia em que eu procurei um certo tipo de patch e não achei, porque ninguém tava fazendo. Então eu fui atrás de máquina que fazia patch, mas todas eram muito caras, tipo $5.000, $10.000. Eu não tinha esse dinheiro, mas aí achei uma máquina pequena, como uma de costura comum, mas com um acessório para bordar. E era tipo $300, ai deu pra comprar.

Então eu comecei a fazer pequenos patches na máquina. Acho que fiquei nessa por 1 ano. E bordando roupas, que eu mesmo fazia. E aí, um dia, uma amiga no Twitter, que tinha tipo 10.000 seguidores, colocou o link da minha página, e eu comecei a receber vários pedidos (risos). Eu acho que tive uns 300 pedidos, eu não estava preparado. Porque no meu site, se você quer algo, eu faço na hora. Então meu site não tinha um limite para quantidade de pedidos, então as pessoas só entraram e todo mundo foi fazendo pedidos, e pedidos. Aí eu tava lá com uns 300 pedidos e era eu. Eu fiquei tipo: “Isso é loucura! Quando eu terminar esses pedidos eu tenho que repensar em como eu vou fazer isso”.

Porque quando eu comecei, era muito pequeno. Eu não estava pensando em crescer muito nem fazer algo tão grande, então de vez em quando, eu lanço algumas coisas, ou com escrito e normalmente tenho um retorno positivo de muita gente. Eu estou garantindo que minha marca seja conhecida e quando eu estiver pronto para um grande lançamento, eu já esteja com tudo pronto.

Mas como você conseguiu entregar todos os pedidos? Você fez tudo sozinho?

É. Eu mandei um e-mail dizendo: “Obrigado pelo apoio, mas sabe, preciso de um tempinho…” E eu tinha alguns amigos que vieram e me ajudaram a conseguir finalizar isso. E daí em diante, eu expandi e comprei uma máquina maior, que me permite fazer coisas maiores. Uma das maiores máquinas. Então, é uma escalada lenta, mas sabe, eventualmente você chega lá. Então é bem maneiro. Ano que vem, tenho vários planos. Ano que vem vou fazer um lançamento oficial. E por a coisa pra funcionar, e de fato montar um negócio profissional.

Converse One Star X GOLF Le FLEUR
Comprado: 2018
Dono: Marvin
Fotos por: Greg