“Meu nome é Anthony Nathan e tenho 30 anos. Trabalho com design e arte desde os 15, e estou na Öus desde 2011. Aqui na marca sou designer gráfico e de produto, participando do desenvolvimento e criação de coleções e produtos. Minha relação com calçado começou aqui mesmo, já tive outras marcas pequenas desenhando produtos e tals. Eu sempre olhei a Öus de uma forma carinhosa, pelo cuidado, pelo peso e toda a história envolvida em tudo que fazemos.

Esse tênis aqui representa muita coisa pra mim. Eu poderia ter escolhido qualquer tênis que já participei da criação, mas esse é legal porque conta a história de um santo sapateiro, o São Crispim. Aqui a gente tem uma data de nascimento, temos um santo, diversas coisas que ajudam a contar a história da marca. Enfim, esse tênis foi feito em 2011, foi um dos primeiros que eu fiz.

Tem uma paróquia lá em Franca chamada paróquia São Crispim, a gente foi lá do nada, e tinha um quadro de três por quatro metros de tamanho. Tiramos uma foto dele, tratamos a imagem, e depois fizemos a transferência no couro.”

Nathan, qual a sua relação com tênis no geral?

A minha relação é que gosto de produtos que contam histórias, que tenham alguma coisa a mais dentro dele – quando não é apenas um tênis com um cabedal e solado. Eu admiro quando tem algum detalhe tipo uma frase, uma estampa especial que acaba contando algo. Então minha relação é o design, função mas é também a história.

Eu acabo doando vários pares, antes eu tinha bastante em casa e depois percebi que não precisava de tudo aquilo, então eu pego vários mas acabo passando muitos também.

Você já tinha trabalhado com tênis antes de entrar na Öus?

Eu já tive duas marcas pequenas locais de roupa, que nem tinham CNPJ nem nada (risos), eu desenhava, fazia produtos, colaboração com outros artistas e etc. Mas com calçado não, eu fui aprendendo tudo aqui e nas fábricas – se você não vai na fábrica você perde muita coisa, todo o processo, os materiais utilizados.

Às vezes você desenha um produto mas depois percebe que ele é improdutivo. É preciso saber o que é viável, qual é a dificuldade de fazer um certo processo, o que pode dar certo e o que pode dar errado e assim acaba conhecendo as dificuldades de produzir algo. Na real, até agora eu não consegui aprender tudo (risos), tem muita coisa.

Uma coisa é certa, não tem um produto que possa ter tantos materiais como um tênis – ele tem espuma, massa, marcador, o cabedal pode ir em qualquer tecido e etc. Sendo também que cada componente do tênis tem uma fábrica e cada fábrica tem uns 50 funcionários. Na média tem de 300 à 500 pessoas que participaram do processo de construção de um.

Öus Chef São Crispim Imperial
Dono: @anthony_nathan
Feito: 2011