“Meu nome é Susana mas as pessoas costumam me chamar de Shiruba. Me formei em moda e depois acabei enveredando para direção de arte/design gráfico, porque nunca gostei de criar produtos e sim de como compor idéias e vender através de um todo – não só vender o produto. Sempre gostei muito debackstage, como trabalhei com moda, gostei da parte de produção de foto, shooting, toda a programação pra aquilo acontecer e isso começou a me inspirar em muitos aspectos da vida.

Pelo fato de ter me formado em moda, foi muito fácil começar a me interessar por sneaker. Sempre me interessei pela cultura street em geral e passei a chamar tênis de sneaker por causa desse tênis aqui.”

Shiruba, qual a sua relação com tênis no geral?

O sneaker é o tamanho perfeito para você fazer mil experiências, juntar pedacinhos de várias coisas que te inspiram, que você gosta, de textura, de cores para você calçar. Pra mim, a parte mais importante do meu corpo são os meus pés, eles me sustentam o dia inteiro, eu ando muito, gosto muito de dar rolê e se eu tiver que escolher entre pegar transporte público ou andar, vou escolher dar uma andada. Basicamente tênis é o que consigo usar todos os dias, acho que eles são um combo de praticidade. Se eu fosse um produto, eu seria um sneaker. Me considero uma pessoa prática e gosto de coisas criativas, gosto de cor, coisas alegres. Então quando olho um tênis, me vejo nele e quando eu o visto, ele se torna uma parte de mim.

E como você começou a gostar de sneakers?

turning point foi justamente quando comprei esse 574 no começo de 2009 – ele foi lançado no final de 2008. Eu precisava de um tênis pra ir para a faculdade, porque pensa, moro perto do metrô Sumaré e me locomovia até a Zona Leste, dava de 1h30 à 2h de percurso. Eu não tinha sapato, tinha aquela definição que meninas tinham que usar sapatilhas e meninos os tênis, além de que não tinha a grana também, porque vamos combinar né, nessa brincadeira não existe tênis barato e sim tênis menos caro, não é mesmo? (risos).

Lembro que um dia estava andando no shopping e esse tênis estava em promoção. Ele tem tudo o que eu gosto, mistura vários materiais e a colorway é muito foda. Gosto muito de tons pastel, é uma coisa que sempre puxa o meu olhar. Depois que comprei, comecei a entender e analisar mais o tênis, porque ele é cheio de detalhes e nessa comecei a me perguntar sobre o porquê dos modelos, dos nomes, comecei a pesquisar mais sobre a marca. Na época da faculdade tive que fazer um trabalho e resolvi fazer sobre tênis – foi aí que aprendi tudo. Depois que aprendi, comecei a comprar mais e aí não tem mais volta. Às vezes você faz uns rolos ou doa, mas você sempre repõem e geralmente, por mais de um.

A partir desse M574M que eu passei a chamar tênis de sneaker; daí em diante eu comecei a me interessar mais pela cultura lendo Highsnobiety, comecei a entender os caras que na gringa já falavam muito disso na época – isso à quase 10 anos atrás. Enfim, entendi também o que era o Reed Space do Jeff Staple, comecei a pesquisar os caras e me aprofundei para entender as partes dos tênis porque eu parti da parte técnica: primeiro eu entendi toda a estrutura do tênis, como ele é composto, pra depois entender o porque ele virou uma febre, isso também me ajudou a gostar mais da construção da imagem do produto, do que o produto em si.

Você tem alguma história específica com ele?

Com esse tênis eu passei muita coisa em 10 anos, coisas boas e muitas coisas ruins. O ano que comprei ele, foi o ano que eu perdi o meu pai, então assim, já são duas coisas muito marcantes pra mim. Mas além disso, não lembro de nada específico. Ninguém acredita que o tênis tem 10 anos a não ser por essa sola ridícula que eu preciso arrumar. Ele chama muita atenção, pra criança então eu sou a rainha do ônibus (risos), a criançada olha pro tênis e fala “pai, quero o tênis dela!”.

@newbalance M574M Graffiti Pack
Dona: @shiruba
Comprado: 2009