Uma vez tímido, hoje Thiago fez da dança a sua vida e não tem medo de expressar quem ele é. A PUMA Brasil lança esta semana o primeiro tênis da família Rider, o Style Rider Ride On. Silhueta inspirada no Fast Rider dos anos 80, esse é um tênis que marcou a transição de corridas nas pistas para o começo das corridas na rua. O Kickstory apresenta esse novo modelo através das histórias de 4 pessoas criativas que mostram quem são através de seus trabalhos. O primeiro a falar foi o Thiago – ele nos contou sobre a reviravolta que teve na sua vida por causa da dança, como aplicou a mesma mentalidade da dança para tudo que faz na sua vida, e também como é essencial estar pisando confortável na hora de fazer seus passos sem perder o estilo.
Essa entrevista é parte da campanha #NoFilter, onde o novo PUMA Rider mostra a vida como ela é e as cores como elas são.
FOTOS POR DEKO

Meu nome é Thiago Miyamura, tenho 22 anos, sou dançarino e coreógrafo aqui em São Paulo e meu signo é peixes (risos). Um tempo atrás comecei faculdade de Engenharia de Inovação, mas não terminei. Depois fui para Relações Públicas, fiz um ano e meio e depois, saí. Mas agora vivo da dança, trabalhando com dança, arte e coreografia.”

Como e quando começou o seu interesse pela dança?

Quando eu era criança eu não gostava de dançar. Eu era muito tímido, não gostava nem que tirassem fotos minhas. E até uns 12 ou 13 anos, eu não dançava em festas de 15 anos ou casamentos. Falava que não gostava, mas a verdade é que eu tinha muita vergonha. Eu sempre assistia filmes relacionados a dança como High School Musical, Step Up, Camp Rock, eu gostava bastante.

Eu tinha uma turma de amigos, e um deles começou a fazer parte de um grupo de dança. Um dia, a gente tava reunido num sítio com a galera e eles começaram a treinar um passo chamado Wave – que são ideias de ondas com o corpo e o braço. Eu vi eles treinando e falei “gostaria de aprender esse passo, mas só esse passo”. Eles começaram a me ensinar, explicando etapa por etapa, certinho a técnica. Eu gostei de aprender e queria saber mais pra melhorar, e aí comecei a treinar só pra esse passo. Aí eles falaram “você é dedicado, você tá curtindo! Então porque você não vem conhecer lá o nosso treino?”. No começo disse que não, que eu não gostava de dançar. Mas aí um dia eles fizeram um treino aberto, chamaram todo mundo para conhecer o grupo e conhecer como funciona a dança e os treinos. Todos os meus amigos foram e aí eu fui junto. Foi um treino aberto de 1 hora, treinamos todo mundo junto, mais rimos do que treinamos, né? Porque turma de amigos que nunca dançou é só várzea, só bagunça. Eu curti muito e falaram que quem quisesse vir no próximo treino, seria aberto também. Só que no próximo só eu fui, ninguém mais foi.

Como eu já fiz muito esporte na minha vida antes de entrar na dança – como atletismo, tênis de mesa, tênis, kung-fu, natação, vôlei, futebol – a minha coordenação ajudou muito na dança. E aí meio que ficou fácil pra eu acompanhar os passos. Por eu ter coordenação ficou mais fácil eu ir pra direita, pra esquerda, fazer o braço certo. E aí eu falei “então eu tenho um ‘dom’”. Um “dom” entre aspas, porque esse dom já vinha sido treinado faz tempo. Comecei a praticar mais, a frequentar o grupo, e falei “nossa, gostei”. E aí foi.

Depois de 3 meses treinando, eu já tava apresentando com um grupo umas pequenas partes. E com o tempo eu fui melhorando e melhorando. Fiquei 4 anos nesse grupo, depois eu comecei a fazer aula regular em um estúdio, no Westside. E lá eu comecei a pegar aulas para estudar mesmo, com professores ensinando base, técnica, as nomenclaturas e fundamentos da dança. Porque no grupo não tinha, era algo mais informal mesmo. E aí depois que eu entrei no estúdio, eu comecei a estudar e ficar mais focado, e fazer aulas regulares. E depois, de tanto fazer aulas regulares como hobby ainda – nunca imaginei trabalhar com dança – aos poucos foram aparecendo oportunidades.

O primeiro clipe que eu fiz na minha vida foi o da Gloria Groove, nem foi pago ainda, porque eu nem queria trabalhar com dança, fui meio para conhecer e ter a experiência. E a Gloria tava começando também, ela não teve ajuda de custo, ela tava muito na parceria com todo mundo. Depois desse clipe foi muito daora, apareceram outras oportunidades, outros clipes, aí já sendo pagos. Eu fui aprendendo mais, fui substituindo alguns professores em algumas aulas aqui em São Paulo. E aí foi, né? Aparece clipe, aula, workshop, coreografia, contrato para coreografar artistas e fazer shows, publicidades. A dança ajudou muito e me ajudou muito não só na personalidade, mas em outras coisas fora da dança.

Reproduzir vídeo
ENTÃO ATUALMENTE EU FUI PRO CHILE, FOI MEU PRIMEIRO WORKSHOP INTERNACIONAL, PRIMEIRA VIAGEM PRA FORA TRABALHANDO – E EU NUNCA IA IMAGINAR QUE EU IA FAZER ISSO POR CAUSA DA DANÇA, NUNCA IMAGINEI QUE IA TRABALHAR COM ISSO. MAS O QUE EU PRETENDO É REALMENTE TENTAR VIAJAR O MUNDO COM A DANÇA, SEMPRE DANDO WORKSHOP OU MESMO SENDO POR PASSEIO MESMO MAS QUE A DANÇA CONSEGUISSE ME SUSTENTAR FAZENDO ISSO.

Você deu workshops e aulas no Chile, Rio de Janeiro, aqui em São Paulo também. Onde a dança já te levou?

Eu ainda to no começo da minha carreira. E infelizmente no Brasil a gente tem que trabalhar para pagar as contas, para se sustentar, e a gente não começa a trabalhar quando a gente tá no nível bom, a gente começa a trabalhar quando a gente consegue um trabalho. Teve uma época que eu trabalhei muito, dava 18 aulas de dança por semana e isso me consumia muito; entrava uma grana boa, mas os estudos não iam pra frente. Aí depois de um tempo, comecei a pegar workshops, outros trabalhos fora da aula regular, comecei a focar em estudar. Então hoje eu trabalho menos em questões de horas, mas eu consigo me sustentar igual.

E aí eu consigo focar nos meus estudos, e a partir desses estudos consigo evoluir minha dança, e evoluindo a minha dança eu consigo alcançar lugares que eu quero. Então atualmente eu fui pro Chile, foi meu primeiro workshop internacional, primeira viagem pra fora trabalhando – e eu nunca ia imaginar que eu ia fazer isso por causa da dança, nunca imaginei que ia trabalhar com isso. Mas o que eu pretendo é realmente tentar viajar o mundo com a dança, sempre dando workshop ou mesmo sendo por passeio mesmo mas que a dança conseguisse me sustentar fazendo isso. Meu maior sonho é viajar e conhecer várias países diferentes, e se for com a dança melhor ainda. Porque a gente conhece outros dançarinos, outras culturas, outras formas de pensar, e isso agrega bastante pra gente, como dançarino e como pessoa também. Eu nunca imaginei mas agora to no caminho.

Como através da dança você expressa a sua individualidade?

Essa pergunta é muito difícil. Isso é uma pergunta na verdade que todos os dançarinos quando estão no intervalo de “acabou de começar mas já tá há um tempo na dança” fica assim. Essa é a procura de todo dançarino – a minha identidade e a minha originalidade. Mas é muito difícil explicar porque normalmente a gente se compara muito, a gente sempre quer ser a nossa inspiração, a nossa referência. E a verdade é que nunca vamos ser iguais. O que a gente fala muito para os dançarinos é que você nunca vai ser igual ao outro. Você pode fazer o mesmo passo daquela pessoa, mas só pelo fato de você ser você, aquele passo já vai ser diferente. E aí o que a gente fala para os dançarinos é acreditar nele próprio. Investe nos seus estudos, investe na sua dança, nos fundamentos bases, na sua história, e aí quando você for fazer um passo, se você não pensar em copiar alguém, você vai estar sendo você.

Só que no começo é muito difícil, porque você não tem muito conhecimento de dança, de técnica, fundamento, e acaba que isso na sua cabeça não é tão claro, não é tão consciente. Mas depois de um tempo, quando você tem todo esse conhecimento, toda essa carga, quando você vai fazer um passo – você sabe que aquele passo já existe, alguma pessoa já o fez – mas você vai fazer ele com uma consciência maior, por conhecimento, pelo estudo que você já teve, pela vivência que você já teve. É uma brisa, mas pra gente faz muito sentido. O Pablo Picasso fala “arte é furto”. Então nada é criado, tudo hoje se copia, é readaptado, não tem como. O que muda é a sua vivência, ninguém tem a mesma vivência que você, a mesma história, é impossível. Então o que vai mudar mesmo é a sua história dentro daquele movimento, daquela dança, daquela coreografia. Então muita gente pode fazer coreografias, a mesma coreografia, mil pessoas, só que cada pessoa vai estar fazendo de um jeito diferente, mas é a mesma coreografia, com uma intensidade, com uma história, com uma emoção, com um fim diferente.

MAS É MUITO DIFÍCIL EXPLICAR PORQUE NORMALMENTE A GENTE SE COMPARA MUITO, A GENTE SEMPRE QUER SER A NOSSA INSPIRAÇÃO, A NOSSA REFERÊNCIA. E A VERDADE É QUE NUNCA VAMOS SER IGUAIS. O QUE A GENTE FALA MUITO PARA OS DANÇARINOS É QUE VOCÊ NUNCA VAI SER IGUAL AO OUTRO. VOCÊ PODE FAZER O MESMO PASSO DAQUELA PESSOA, MAS SÓ PELO FATO DE VOCÊ SER VOCÊ, AQUELE PASSO JÁ VAI SER DIFERENTE.

Como é o seu dia a dia?

Ser dançarino, é ser autônomo – então é como se você fosse um atleta. Só que diferente de um atleta, um atleta tem um treinador que vai falar “você vai acordar todos os dias as 6 horas da manhã, vai chegar lá no local de treino, vai treinar comigo e eu vou mandar o que você vai fazer”. Na dança a gente não tem isso. É você com você. Eu vou acordar 6 horas da manhã, vou tomar meu café da manhã, vou pra rua correr 2 km, depois volto pra treinar, então pra dançarino é muito difícil ter autodisciplina como um atleta. Eu tenho referências que falam que os dançarinos são atletas, porque eles cuidam do corpo igual um atleta pra fazer o que a gente faz. Porque a gente precisa ter o físico, precisa ter condicionamento. E além de tudo isso, tem o lado emocional, que é o lado mais artístico.

Então eu tento equilibrar essas coisas e ter a disciplina pra ser um dançarino melhor em questões técnicas de alta performance. Você pode ser um dançarino artístico de conceitos e tal, isso é muito bom, às vezes nem precisa de treino, prática, às vezes só sua personalidade vai te fazer ser um artista por si só. Mas quando a gente fala por performance, por condicionamento físico, por técnica, aí vem o lado da prática como um atleta e ter essa disciplina. Uma coisa que eu tento passar nos workshops é que ser dançarino é difícil como qualquer outra profissão atualmente e o que só vai fazer você se destacar no meio de tantos profissionais, eu acredito que é a disciplina, o foco e ser uma boa pessoa também. Não adianta ser um bom dançarino e ser uma merda de pessoa. Isso é o que eu mais tento trazer, independente se é iniciante ou intermediário. 

Só que eu tento flexibilizar tudo isso, dos meus estudos, aulas e workshops, com a vida pessoal. Então de final de semana eu tento sair com a minha namorada e fazer coisa sem ser da dança, porque a gente fica toda hora, all time, vivendo na dança e às vezes você tem que sair um pouquinho, ir no cinema, Netflix, ir no parque. Aí às vezes também procuro ir jogar tênis com meu pai, fazer algum esporte fora da dança. Mas tipo a maior parte do tempo eu estou dançando, treinando, fazendo aula ou dando aula, ou discutindo sobre dança, conversando com outros profissionais. E não foge muito disso. Eu sou workaholic, eu gosto de trabalhar, domingo pra mim não é dia de descansar, então se precisar domingo eu trabalho, segunda, sábado, terça, feriado. Pra mim o tempo que eu puder passar dançando, dançarei.

Você tem alguma conexão com tênis? Pois ele certamente tem um importância na dança, tanto histórico, quanto no funcional. 

É engraçado, quando eu era criança, eu sempre corria na escola, jogava futebol, e meu pai sempre comprava tênis falsos bem baratos das lojas X, de centro, e aí o tênis durava tipo 1 mês. Na minha cabeça isso não fazia sentido, eu pensava “não vale mais a pena comprar um tênis bom que dure 2 ou 3 anos, do que comprar um que vai estragar rápido?”. Mas enfim, eu não discutia né, era criança. Aí depois de um tempo quando eu comecei a dançar e fazer aula eu ainda não tinha um tênis específico pra dança, um tênis que os dançarinos usam pra performance essas coisas. Eu comecei a trabalhar, comprei meu primeiro tênis de marca, gastei mó grana, chorei, mas o tênis durou até hoje. Faz 4 ou 5 anos que eu tenho ele.

Hoje vejo que fez sentido comprar um tênis bom que dure mais tempo e que não prejudique meu joelho, porque como eu falei da saúde, como atleta, pro dançarino também precisa de um tênis bom que não vá afetar o nosso joelho, nossa pisada, que vai amortecer a queda. Então pra gente é muito importante esses tênis focados em esportes, mas ao mesmo tempo urbanos – porque dançar é uma performance que você usa o seu corpo, e é ao mesmo tempo stylish. Você tem que estar com um tênis urbano e que seja bom pra sua saúde. Então o tênis, a partir de quando eu comecei a dançar, não só o visual faz sentido, mas também o que que ele tem dentro do tênis pra garantir a sua saúde corporal, física, de que você não vai se machucar dançando, não vai torcer o pé. Então hoje eu sempre procuro comprar um tênis que vai me ajudar fisicamente, tanto na minha saúde, mas que tenha um visual também bonito para eu sair bem nas fotos e vídeos. 

MAS QUANDO O TÊNIS É STYLISH, QUE EU VOU USAR EM UM LUGAR QUE NÃO VAI SUJAR TANTO, É O MESMO TÊNIS PRA SAIR E PRA DANÇAR. A DANÇA TAMBÉM É O VISUAL, NÉ? ENTÃO A GENTE GOSTA MUITO DE ESTAR BEM VISUALMENTE.

O tênis que você usa para dançar é o mesmo tênis que você usa pra sair?

É, praticamente eu uso o mesmo tênis pra dançar e sair. Quando ele é mais branco, eu falo “esse aqui eu vou usar mais pra sair e dançar de vez em quando”. Mas quando o tênis é stylish, que eu vou usar em um lugar que não vai sujar tanto, é o mesmo tênis pra sair e pra dançar. A dança também é o visual, né? Então a gente gosta muito de estar bem visualmente.

Puma Style Rider Ride On
Ganhado: 2020
Dono: Thiago Miyamura
Fotos: Deko