Em Belo Horizonte, a cultura sneaker ganhou uma casa na Nëphëw Clothing, nossa entrevista da vez. Conversamos com seu fundador, Vitor Sobrinho, sobre sua inspiração para criar uma marca de streetwear, processo criativo e expansão para São Paulo.

Claro, também falamos da sua relação com os tênis, principalmente o seu Adidas NMD XR1 Consortium x Titolo, colaboração da Adidas com outra famosa loja de tênis.
FOTOS POR DANILO SILVA

"Eu sou o Vitor Sobrinho, tenho 34 anos, sou empresário e DJ. A Nëphëw nasceu no final de 2012 apenas como uma marca de vestuário focada totalmente no e-commerce. Eu tive uma experiência de morar nos EUA por 1 ano, convivi com outras marcas e quando eu voltei ao Brasil eu senti que aqui, principalmente BH, a cena do streetwear estava apenas começando. Principalmente de ter marcas com um lifestyle por trás e que tinha também uma conexão com a música – que é a minha paixão e que me movia. Então eu tive a ideia de criar a Nëphëw, uma marca inspirada no lifestyle da música, do DJ, dessa cultura street, que puxa um pouco o Hip-Hop, e também da música eletrônica e da House.

Em 2014 a gente abriu a primeira loja, a no Prado. Sempre buscamos a valorização da cultura local, da comunidade, então desde o início da marca a gente produziu as nossas coisas – 80% da nossa produção é feita por nós, temos nossas próprias costureiras e equipe. E a Nëphëw é uma empresa familiar, ela nasceu da minha ideia, foi apoiada pela minha mãe, e hoje a minha irmã também faz parte da empresa.

Depois de um tempo sentimos a necessidade de inserir o tênis junto com a marca. A gente sempre soube que uma coisa completa a outra e elas se complementam entre si, o cliente que curte tênis tem tudo a ver com que a gente cria. Então começamos vendendo Vans, depois New Balance, Adidas, e hoje temos Converse e Fila. Em 2015 abrimos a segunda loja, em 2016 abrimos a de São Paulo e no final de 2018 abrimos a quarta loja aqui em BH, que é essa que estamos hoje, no Savassi."

De onde veio o nome "Nëphëw"?

Meu nome é Vitor Sobrinho, e aí quando eu fui criar a marca eu pensei em meu sobrenome em inglês, que é Nephew.


Além de produzir vestuário completo, vocês fazem seus próprios acessórios também, é uma marca bem completa. Vocês tem vontade de algum dia produzir tênis?

Hoje em dia a gente faz praticamente tudo de vestuário, temos cueca, meia, chinelo, acessórios, se a pessoa quiser sair totalmente vestida de Nëphéw ela consegue. Já fizemos chinelo, estamos desenvolvendo uma bota com a Black Boots, que vamos lançar em breve, mas eu nunca tive a pretensão de fazer tênis. Mas se rolar um convite para collab eu topo com certeza.

Por que vocês sentiram a necessidade de abrir uma Nëphëw em São Paulo?

A marca sempre foi focada no e-commerce e 60% das nossas vendas estavam concentradas em São Paulo, e também fazemos revenda para lojistas e a maioria deles estavam concentrados lá. Vimos que São Paulo poderia ser uma praça para gente apostar no crescimento da marca, em BH ela já estava bem reconhecida, funcionava bem, quem tinha que conhecer já conhecia, e aí queríamos fazer essa aposta fora de BH e tentar crescer um pouco mais e ser reconhecido nível Brasil. Essa é a nossa intenção.

É legal ver que a Nëphëw é uma referência em BH para algumas pessoas, claro que estamos construindo isso ainda, a cena ainda é pequena. Queremos construir uma comunidade mesmo, conectar mais com as pessoas e os clientes. A gente tenta trazer o cliente mais próximo da gente, trocar uma idéia, fazemos eventos para aproximar a galera, a gente tenta ter essa conexão ao máximo.

Qual é o seu processo criativo na hora de criar uma coleção?

Primeiro buscamos tendências, o que tá rolando, o que a galera tá usando lá fora e que talvez venha pra cá, e em cima dessas tendências a gente trabalha a coleção. Por exemplo, no ano passado vimos que o verão seria com muito neon, animal print, blusas floridas com botão, então a gente pensa em jeito de juntar tudo isso dentro de um tema e colocar em uma coleção. A coleção "Jamaica No Problem" nasceu e trouxemos esse mix de tendência dentro de um tema que é conectado com a música, o Dancehall jamaicano e o Reggae.

Normalmente a gente lança duas coleções anuais e dentro delas trazemos cápsulas. Por exemplo, lançamos a coleção da Jamaica no final de novembro, no final de dezembro tinha outras coisas novas chegando na loja, no final de janeiro também, agora virá uma outra parte da coleção que conversa com a Jamaica mas não faz parte nem dessa coleção nem da de inverno, ela tá no meio das duas.

Quais são os planos da Nëphëw para daqui alguns anos?

Eu sou um cara bem inquieto, eu abri quatro lojas em muito pouco tempo em uma época que o país estava em recessão e agora eu tô querendo abrir outra (risos). Eu já tô buscando alguma outra coisa para fazer, eu pretendo abrir outra loja em São Paulo mais focada na Nëphëw. E para BH, pensamos em expandir focando no público feminino, tanto em streetwear como os sneakers.

NUNCA FUI UM GRANDE COLECIONADOR, EU GOSTO BASTANTE DE ALGUNS E TENHO ESSES POUCOS. E QUANDO EU ME APAIXONO EM UM TÊNIS EU USO ELE SEM PARAR, DEIXO ELE ACABAR E AÍ TROCO.

Qual sua relação com tênis em geral?

Eu sempre amei tênis, eu só gostava de andar de tênis, eu andava muito de skate também e o tênis que usava fazia toda diferença. Engraçado que hoje em dia você reconhece muito a personalidade da pessoa só de olhar para o tênis que ela tá usando, às vezes a primeira coisa que faço quando conheço uma pessoa é observar o que ela tá usando no pé, eu consigo descrever melhor ela assim do que conversando (risos).

Mas enfim, nunca fui um grande colecionador, eu gosto bastante de alguns e tenho esses poucos. E quando eu me apaixono em um tênis eu uso ele sem parar, deixo ele acabar e aí troco. Eu não me apego, descarto ou doo mesmo, o ano passado eu doei 15 pares de tênis, sabe? Eu acho um pecado ficar com aquele tanto de coisa parada no armário sem ta usando, tem que passar para frente mesmo, tem que usar. Claro que tem alguns que o apego é maior e que a gente guarda com grande carinho, mas eu não tenho pretensão nenhuma de ter um quarto com milhares de tênis.

QUANDO VOCÊS ME CHAMARAM A PRIMEIRA COISA QUE EU PENSEI FOI DE ESCOLHER UM TÊNIS DA ADIDAS PORQUE SE HOJE EM DIA A NËPHËW TÁ NESSE NÍVEL, É PORQUE ELA FOI UMA DAS MARCAS QUE ABRIU PORTAS PARA MIM, ELES ACREDITARAM NA MINHA HISTÓRIA E NO MEU TRABALHO.

E porque de todos os tênis de sua coleção você escolheu esse Adidas NMD XR1 Consortium x Titolo?

Quando vocês me chamaram a primeira coisa que eu pensei foi de escolher um tênis da Adidas porque se hoje em dia a Nëphëw tá nesse nível, é porque ela foi uma das marcas que abriu portas para mim, eles acreditaram na minha história e no meu trabalho. O Salvador veio conhecer a Nëphëw, nós recebemos os lançamentos e isso fez total sentido para a gente ser o que é hoje.

Segundo motivo é eu peguei esse tênis em uma viagem bem inesquecível que fiz com os amigos. Terceiro motivo é que eu amo tênis branco mesmo sendo os piores para a gente usar, suja muito (risos). E o quarto motivo é porque eu sou muito fã da Titolo, eles são muito referência. Eu amei a construção do tênis, a escolha dos materiais e principalmente a história por trás do tênis. Pelo que eu li na internet, a Titolo é uma marca Suíça e eles se inspiraram na formação do país, nas geleiras – então o branco do tênis representa o gelo e o azul da sola representa as águas que se formaram com o derretimento das geleiras. É um tênis que tem uma história por trás, não é simplesmente um modelo que nasceu do nada.

Adidas NMD XR1 Consortium x  Titolo
Comprado: 2017
Dono: Vitor Sobrinho
📸: Danilo Silva