Transformar a sua paixão por tênis no seu trabalho é algo que poucas pessoas têm a sorte de alcançar. Para fechar o ano, fomos até o estúdio do Caio Victor The Vict conversar sobre como surgiu o seu canal, e o seu processo de criar um dos seus customs mais incríveis – o híbrido Nike Big Air 97 – misturando duas silhuetas e exaltando a essência da família Air Max.
FOTOS POR GABI NERY

“Eu sou apaixonado por tênis desde muito cedo por conta do basquete. Comecei a jogar basquete com 6, 7 ou 8 anos de idade. Depois, um pouco mais velho, fui trabalhar por alguns anos em piso de loja de tênis, fui sub-gerente, gerente, o que aumentou mais a minha paixão por tênis. Eu via um déficit nas redes sociais sobre esse assunto e aí cara, pensei “preciso falar mais sobre isso”. Eu decidi trazer a minha paixão, e hoje tenho o canal no Youtube The Vict, o canal Sala 5 – que a gente aborda um pouco sobre tênis, mas não é o foco; o podcast Na Fila do Drop, e aí tem o Instagram também. Então hoje o meu mundo virou isso – falar sobre tênis, em todos os lugares que eu to eu falo sobre tênis. Até jogando vídeo-game eu falo sobre tênis hoje”.

Hoje seu canal no Youtube, The Vict, tem mais de 640 mil inscritos em menos de 4 anos. Essa é uma trajetória impressionante! De onde veio a sua vontade de fazer um canal para falar de tênis?

Cara, foi tão natural. Eu sinceramente não consigo ver um start, não consigo imaginar quando eu falei “eu vou criar um canal e vou falar só sobre tênis”. Acho que foi vindo, falei porra, eu quero falar um pouco mais sobre aquilo que eu gosto. A proposta do canal na verdade começou até um pouquinho diferente do que eu crio hoje – apesar de que antes de eu criar o canal de fato, eu lembro de “desenhar” os quadros que eu queria fazer, sobre o que eu queria falar e era muito voltado sobre a tecnologia, a história do tênis em si, história da marca e tal.

Foi ampliando, ao ponto que chegou, onde hoje eu vivo não só fazendo conteúdo histórico ou sobre tecnologia, mas às vezes também uma curiosidade, às vezes um teste de passar com um carro em cima do tênis para ser um pouco mais de entretenimento. Aí tem os bate-papos que acontecem  nas outras redes, as fotos, enfim. Foi tomando uma proporção tão grande que cara… eu to só sendo levado (risos). As coisas vão acontecendo de um jeito que às vezes nem sou eu que tô controlando isso. Muito louco. Eu vou na onda, sabe? 

Eu nunca fui o cara da arte, nunca, eu sempre achei que eu era um cara bem do médio pro ruim em relação a arte, quando era jovem, fazia uns graffitis e tal, mas nunca fui o cara de desenhar. Então a custom realmente surgiu com a ideia de reviver. E aí fui melhorando minha técnica, minha vontade de querer fazer cada vez algo melhor – porque cara, eu sou disso, se eu vou fazer algo, eu vou querer ir até o fim. Estou aprendendo até hoje.

O Swoosh light pra mim é o ápice porque nem tem pintura! Eu coloquei a luz ali, eu fiz o swoosh ali com resina, etc. Eu curto mesmo é sair fuçando, eu sou “fução” mesmo, eu já quase botei fogo em casa dando curto circuito nas coisas, criando coisas (risos). Esse lance de criar sim, sempre teve na minha veia. Agora a arte, o desenho, é muito difícil. Tanto é que praticamente nenhum é desenhado de fato. É um espaço onde eu admiro tanto ao ponto de homenagear, isso pra mim é uma homenagem. Não é meu local de falar, mas as pessoas me colocam muito como se fosse o cara da customização, e é muito louco isso.

EU RESOLVI INTRODUZIR A CUSTOMIZAÇÃO COMO UMA MANEIRA DE REVIVER UM TÊNIS MAIS ANTIGO, E ESSE VIÉS VEM ATÉ HOJE, DE FAZER AS PESSOAS TIRAREM O TÊNIS DO ARMÁRIO QUE NÃO USAM MAIS E TRAZER UMA VIDA NOVA PARA AQUILO ATRAVÉS DA CUSTOM. A BASE DISSO ERA TRAZER O TÊNIS DE VOLTA E NÃO NECESSARIAMENTE TER UM TÊNIS DIFERENTE.

Você tem um bloco de customização muito legal no canal. Onde você aprendeu a fazer esse tipo de trabalho?

As customs em tênis tinham um certo preconceito aqui no Brasil, as pessoas não olhavam com bons olhos. Então eu resolvi introduzir a customização como uma maneira de reviver um tênis mais antigo, e esse viés vem até hoje, de fazer as pessoas tirarem o tênis do armário que não usam mais e trazer uma vida nova para aquilo através da custom. A base disso era trazer o tênis de volta e não necessariamente ter um tênis diferente. Então nasceu como uma forma de restauração, foi crescendo, e se tornou tão grande que hoje as pessoas associam muito meu canal à customização – tomou uma proporção tão grande que pessoas começaram a fazer suas próprias customs, e aí eu comecei a fazer “reagindo a customização”. Pelo menos foi essa a ideia inicial da custom. E tem esse viés até hoje no final das contas. Eu sempre acabo relembrando isso para que não morra essa ideia minha do início, sabe?

Qual foi o primeiro custom que você fez? 

O primeiro custom que eu fiz foi o Air Max 90, foi uma bem simples que eu fiz com as cores do canal – preto, branco e vermelho – esse vídeo tem mais de 1 milhão e 600 mil de visualizações mais ou menos. Eram tintas muito baratas, eu pintei com tinta de tecido e não deu ruim não, eu nunca usei o tênis porque ele faz parte do meu acervo histórico, inclusive eu pintei até a sola do tênis também. Aquilo pra mim foi um momento muito marcante, era o começo do canal, eu não tinha ideia do quão grande isso se tornaria, do quanto influenciaria as pessoas também. Era tudo muito novo. Eu não tinha essa ideia que esse vídeo chegaria a 1 milhão e 600 mil views e que as pessoas usariam esse vídeo pra fazer as suas próprias customs!

E onde você aprendeu a fazer um swoosh de led, por exemplo? Precisa de muito conhecimento e técnica para fazer algo assim.

Caio: A vida me fez aprender mano. É muito louco. Eu já trabalhei tanto, de tanta coisa diferente, desde instalar portão, a fazer capacete de fibra na mão, entregar panfleto no farol, entregar pizza e enfim. Eu já passei por tantos trabalhos, tão diversos, que cada coisa que eu passo, seja ela qual for, eu tiro alguma coisa de lá, seja ela qual for.  Eu tenho uma bagagem de conhecimento de coisas completamente aleatórias que me fazem chegar ao ponto de fazer um tênis com luz mesmo não sendo um técnico. Tanto que eu errei um monte, por erros e acertos, mas foi tudo dentro daquilo que eu já conhecia, que eu já tinha feito quando era menino brincando ou até de um trabalho que eu fiz.

Como eu falei, as pessoas esperam muito de mim na custom. Elas colocaram na cabeça delas que eu sou um customizador. Então por mais que eu fale que eu não sou, parece até que eu to sendo humilde o suficiente para falar assim “não, eu não sou esse cara”. Mas eu realmente não sou esse cara (risos). Então de alguma forma eu tento fazer algo diferente dentro daquilo que eu posso, dentro daquilo que eu acho que cabe a mim, daquilo que eu quero ultrapassar a barreira do que já foi feito, sabe? Porque o swoosh light pra mim é algo tão inovador por que eu nunca vi algo assim. Claro, tênis com luzinha, quando você é criança, que você pisa e acende e tal. Normal. Mas imaginar uma custom de um cara qualquer que foi lá e fez assim? Eu nunca vi. 

Eu nunca fiz um curso de customização ou algo do tipo, mas não é ao acaso. Como eu falei, eu tenho humildade, mas eu sei reconhecer que estou onde estou hoje porque tudo que eu vivi até hoje foi muito importante pra mim, foi sempre um aprendizado, sempre tendo a humildade de ouvir as pessoas, de aprender, de reconhecer e etc. Então o meu conhecimento vem de observar, aprender, e de ser sempre curioso. 

Tay: E teimoso. Porque quando a gente foi fazer o swoosh light por exemplo, a gente procurou muito led específico que ele queria na cabeça dele e aí quando chegamos na empresa eles falavam “cara, é impossível você fazer isso”. E aí ele falou “quando eu fizer, eu trago aí pra vocês. Obrigado, vou procurar um lugar onde é possível”. E aí ele quebrou a cabeça, fez vários erros, mas ele fez. 

Caio: Hoje eu faria em 40 minutos, mas eu demorei 3 dias inteiros só fazendo o swoosh light. Foi na base do erro e do acerto. 

O que acho legal é que o vídeo desse tênis ficou grande por conta de pessoas falando “nossa, o cara colocou uma luz no tênis, se liga no que esse cara fez”, as pessoas foram compartilhando entre elas, e chegou nesse número tão grande. Eu tenho um carinho enorme por esse tênis, gigantesco, porque ele fugiu de tudo que era normal. Eu fiz algo que não existia, postei de um jeito que eu não estou acostumado, e eu usei esse tênis em um momento muito especial. Eu estreei ele no evento que fui convidado pelo YouTube onde tinha um telão gigante cheio de pequenos telões e ali passavam, próximo de 30 criadores de conteúdo, e eu aparecia a cada 1 minuto ali nos telões. Então eu era uma das 30 pessoas mais, muito entre aspas, “mais importantes daquele momento”, pelo menos na visão do YouTube. E eu tava usando esse tênis. Esse tênis é uma junção de momentos especiais.

MAS CARA, É QUASE UM SONHO VOCÊ SER NOTADO POR UMA MARCA AQUI NO BRASIL. O PROBLEMA É QUE ELES NÃO RESPEITAM O NOSSO TRABALHO, NÃO ENTENDEM A IMPORTÂNCIA DO QUE A GENTE PRODUZ. E QUANDO EU FALO A GENTE, EU FALO VOCÊS E TODAS AS OUTRAS PESSOAS.

Você lembra quando começou a sua paixão por tênis? Quando foi aquele momento que você viu um par e deu aquele “clique” especial?

Foi exatamente em 2000, quando eu tinha 14 anos, com o Kobe 1 da adidas. Eu vi ele na vitrine, nem encostei no tênis, mas foi tipo “uau, caramba que tênis”. Ele é bem feito, eu sempre falo isso, ele é completamente diferente do que a gente tá acostumado hoje, apesar de eu achar que em 2021, essa década 20 agora vai explorar muito esses tênis prateados e cromados. Mas enfim, foi esse momento em 2001 que eu falei “cacete esse é um tênis foda”, que eu tive contato. Até porque, uma coisa é você ver fotos dos tênis Jordan e etc, outra coisa é você ver ali ao vivo, aquilo mexeu comigo.

Eu não tinha a menor condição financeira para comprar o tênis, mas depois já surgiram várias oportunidades e até hoje eu não comprei, porque eu quero que seja tão especial que nunca vai ser tão especial a ponto de eu querer comprar, sabe? (risos). É muito louco, acabei nunca comprando ele. 

O momento pra mim que deu o “clique” foi quando eu comprei o primeiro tênis na Galeria do Rock, um tênis completamente sem marca, completamente branco, devia ser o tênis mais barato da Galeria. Ele era de basquete, todo branco de couro fechadão, sistema de amortecimento em EVA vermelho embaixo, sabe-se lá que tênis era aquele, eu era tão jovem. Aquilo foi especial.

Para os vídeos, você compra todos os seus tênis ou você recebe algum apoio de marcas? 

Eu nunca tive patrocínio de nenhuma marca, de nenhuma loja, nem nada. A Nike na verdade me mandou algumas coisas e eu fiz um ou dois trabalhos nesse tempo todo. Mas cara, é quase um sonho você ser notado por uma marca aqui no Brasil. O problema é que eles não respeitam o nosso trabalho, não entendem a importância do que a gente produz. E quando eu falo a gente, eu falo vocês e todas as outras pessoas. 

Por isso que pra manter o canal aqui o custo é enorme, mas pelo menos eu faço do jeito que eu quero, a hora que eu quero, como eu quero. Eu vou te dizer que, sei lá, 3% dos tênis que eu tenho são ganhados. E outra, não é só porque tá me pagando que eu acabo falando de qualquer tênis não. Mesmo pagando eu não vou falar bem desse tênis, desculpa. Eu tenho um comprometimento maior com o meu público antes da marca. A minha preocupação é sempre com o público.

De todos os tênis da sua coleção e os que você customizou, por que você escolheu esse Nike Big Air 97 para a entrevista de hoje? 


Porque eu cortei 2 tênis pra fazer 1 tênis (risos). Eu me surpreendi com o resultado, inclusive eu falo, acho melhor ele do que o Nike Air Max 720, tanto de conforto, até na sensação de pisar. Eu curti tanto o estilo dele, que na época tava super em alta os tênis volumosos, tipo o Triple S, estava muito em alta. E por ele ser volumoso chamou bastante atenção. Mas é isso, é tudo teste, que eu falei lá na customização, vou pensar fora da caixa, vou fazer algo que nunca ninguém fez, então eu vou fazer isso aqui.


Repercutiu tanto que chegou a Nike, e foi o momento que eu falei “vou ganhar o reconhecimento né, chegou na Nike, funcionários da Nike me elogiando”. Claro que não aconteceu isso (risos). Mas pra mim aquela experiência foi sensacional. E ele é um tênis único né. Então com certeza esse ficou muito marcado, muita gente fez todo o tipo de arte que você possa imaginar com esse tênis, muita gente. Eu não sei quantificar quantas pessoas fizeram artes em camisetas, só arte mesmo, digital, inúmeras. Inclusive, me mandaram uns posters maravilhosos com a arte desse tênis, como se a Nike tivesse produzido ele e fizesse toda arte visual da divulgação da campanha, sabe? Ficou incrível.

Como você vê a sua relação com tênis no geral? O fato de hoje, o assunto tênis ser o seu trabalho, isso fez com que a sua relação com eles mudasse?

Caio:
O que acontece, eu sempre tento fazer exercícios mentais para me trazer à base. Tanto financeiramente, relembrando tudo que eu já passei, quanto o desejo que eu tive por tênis durante um tempo onde eu não podia comprar. Eu sempre falo “eu não consigo acreditar que estou aqui e esses tênis são meus”. Como eu falei, eu não tinha condição de comprar, e de repente eu tenho vários, de repente eu tenho que comprar para o canal, de repente eu quero e ao mesmo, tempo será que eu deveria?

Eu falo pra mim mesmo “cara, você veio da humildade, veio da onde não tinha condições, então agradeça a cada um dos seus tênis”. É marcante, eu quero lembrar, mano isso aqui é o momento. Não é porque é só seu trabalho também hoje que não tem que deixar de ser um momento. É um momento. Então esse amor não pode morrer. Porque o amor pelo tênis é a base do canal, a base do que eu produzo. Se esse amor morre, morre o canal junto. É um exercício, de verdade. Não posso deixar o amor morrer.

Tay: Esse questionamento veio inclusive porque ele comprou esse Jordan ‘Day of the Dead’. Um cara de Curitiba conseguiu para ele, e aí o tênis chegou. E foi um dia que a gente tava com muito trabalho e a caixa ficou aí. E a noite, quando a gente terminou o trabalho, ele sentou aí e falou “caralho, olha o tênis que eu nem abri a caixa. Isso não pode acontecer”. Ele olhou no meu olho e falou “isso é a minha paixão, ieu não simplesmente posso ignorar um filho depois de um dia de trabalho”. É uma comparação muito besta mas é algo que ele ama muito. Aí ele sentou ali, abriu, fez o vlog que ele tinha que fazer, olhou cada detalhe, do jeito que ele sempre olhou.

E uma outra coisa que também ele faz é não comprar mais nenhum tipo de tênis que não faça tanto sentido pra ele só pra mostrar pra outras pessoas no canal. Quando você começa a ter coisas que não fazem sentido, vira acumulador. Se tem um tênis que a galera quer muito e o Caio precisa mostrar e destrinchar tudo aquilo, ele vai, compra, grava o vídeo e depois doa para alguém que vai realmente fazer uma história com aquilo, sabe? Transforma isso de alguma forma que seja positivo. 

Caio: E outra coisa que eu faço também é deixar os tênis expostos, aqui tão expostos, em casa eu tento deixar o mais exposto possível. Porque eu não quero que o meu desejo de uma coisa se torne uma caixa escondida lá que eu não lembro, tá ligado? O amor ali vai estar sempre presente onde eu estiver. Se eu for tomar banho, até o caminho vai ter tênis. Vou entrar no quarto dos tênis, vão estar os tênis expostos ali. 

Eu tenho que lembrar de todos os meus pares, eu não posso ter o tênis só por ter. Passou 2 anos ali e eu não lembrei do tênis, não tem porque eu ter mais. Então vai pra alguém, vai ser doado. Porque se aquilo não faz mais sentido pra mim, se passou 2 anos e eu nem olhei pra ele, então não tem importância pra mim, mas ele pode ter muita importância pra outra pessoa. Quando a gente fala de tênis a gente sabe o quanto ele pode ser importante na vida de algumas pessoas que não tem condições. Cê é louco, quantos moleques que eu já encontrei em quadra jogando descalço, chega lá com um tênis pro moleque e fala “mano, tá aqui”. Não tem o que pague na vida.

EU TENHO QUE LEMBRAR DE TODOS OS MEUS PARES, EU NÃO POSSO TER O TÊNIS SÓ POR TER. PASSOU 2 ANOS ALI E EU NÃO LEMBREI DO TÊNIS, NÃO TEM PORQUE EU TER MAIS. ENTÃO VAI PRA ALGUÉM, VAI SER DOADO. PORQUE SE AQUILO NÃO FAZ MAIS SENTIDO PRA MIM, SE PASSOU 2 ANOS E EU NEM OLHEI PRA ELE, ENTÃO NÃO TEM IMPORTÂNCIA PRA MIM, MAS ELE PODE TER MUITA IMPORTÂNCIA PRA OUTRA PESSOA.

É muito louco o fato do canal ter tomado uma proporção tão grande, você imagina essa história sendo multiplicada milhares e milhares de vezes. Quantas pessoas eu já encontrei na rua que falaram que começaram a trabalhar para conseguir comprar um tênis depois de ver o canal? E assim, para algumas pessoas pode parecer um puta bagulho fútil, você tá fazendo um moleque comprar uma besteira. Mas vai além disso. O cara começou a trabalhar com 14 anos para buscar uma coisa que ele desejava. Mesmo quem tem mais acesso, tem mais facilidade para comprar tênis, a gente tenta passar muito isso: não é porque você tem tudo, que você não tem que dar o valor que ele merece. 

Uma coisa que eu parei de fazer é postar a foto do tênis de lançamento que consegui perto do lançamento, eu não quero fomentar isso. Um monte de tênis que lançou recentemente eu não postei foto ainda, porque eu não quero que as pessoas comprem só pelo hype, sabe? Como eu já fiz coisas sem pensar no começo do canal. A gente faz muita coisa bem pensada porque eu não falo sobre tênis, eu falo sobre a vida então eu não posso vacilar. Tênis é um pano de fundo e a gente tem que tomar cuidado com cada açãozinha. São muitos jovens que estão ali se formando ainda. 

Olha de exemplo o Jordan 1 Mid. Ele é o excluído, todo mundo sabe disso, mas se você quer comprar um Jordan, compra um Jordan 1 Mid. O Mid era R$500, enquanto os High eram R$700 na época que eu comecei a falar disso. Aí o cara vem e fala que se você tem R$500, você consegue pagar R$700. Mas o cara que ia pagar R$500 já não tinha os R$500. Na real ele só tinha R$300 e tá se esforçando ao limite, ao extremo para conseguir comprar o de R$500. O Jordan 1 Mid pra mim é o tênis mais importante de 2020, porque ele fez pessoas se sentirem incluídas em algo. Elas se esforçaram pra caralho pra conseguir comprar um Jordan 1 Mid.

Tay: E é tão legal que as pessoas falam “Caralho, Caio, você tá com o Jordan 1 Mid”. Qualquer lugar que a gente vai e ele tá com o Mid: “porra, eu também to com o Mid” e aí eles se identificam. Não discrimina o tênis. É história. Quando os caras mandam qualquer tênis pro Caio, ele fala parabéns pela sua aquisição, comece a fazer histórias com ele. Use, abuse, tenha memórias e tal independente do que seja.

Nike ‘Big Air 97’
Dono: Caio Victor The Vict
Ano: 2019
Fotos: Gabi Nery