Essa semana postamos a última entrevista do projeto em parceria com a PUMA para o lançamento do primeiro modelo da famíla PUMA Rider, a releitura do Fast Rider, o modelo dos anos 80 que enraizou a corrida como um lifestyle, podendo ser praticada não só por atletas, mas por amadores também.
A Julia Costa fez o corre para criar sua marca de roupa, onde ela expõe o seu estilo e talento, podendo criar as coisas do seu jeito. Hoje em dia sua marca além de reconhecida, ajuda a sustentar sua carreira na musica também. Essa entrevista é parte da campanha #NoFilter, onde o novo PUMA Rider mostra a vida como ela é e as cores como elas são.
FOTOS POR VITÓRIA LEONA

“Meu nome é Julia e eu tenho 22 anos. Trabalho independente com roupa, tenho a minha própria marca, e estou trabalhando pra poder fazer música também.”


Como começou o seu interesse por moda? 

Eu comecei a fazer roupas quando eu tinha 14 anos. Eu queria muito comprar coisas que eu não poderia comprar na época porque eu não tinha dinheiro, então eu comecei a ir em brechós e customizar as peças. Aí as meninas da minha escola gostaram e eu fui fazendo pra elas, e elas foram me pagando, e no meio de tudo isso eu fui gostando (risos). Um tempo depois, arrumei 3 empregos pra conseguir me bancar de fazer uma roupa do zero, ao invés de só ficar customizando. Porque, além de dar muito trabalho, eu não tinha um estoque de roupa, eu não conseguia fazer duas vezes a mesma peça porque é difícil achar uma roupa boa no brechó. Aí o tempo que eu tinha para ficar produzindo, eu tinha que procurar roupa, e os brechós perto da minha casa já não davam mais porque eu já sabia tudo que tinha lá e aí eu tinha que ir pra longe. Mas enfim, eu arrumei os 3 empregos, e aí em 2015 quando eu tinha 16 anos, comecei a AJULIACOSTASHOP fazendo roupas do zero. Comprei uma máquina de costura e fui tentando aprender, quando minha avó viu que eu tava realmente interessada, ela deixou eu usar as máquinas dela. E aí eu fui fazendo. Depois surgiu a oportunidade de eu sair da casa dela, arrumei um espaço pra mim e comecei a costurar lá.

EU NÃO SABIA PINTAR E UMA AMIGA SABIA, AÍ EU FALAVA “AH ME ENSINA A FAZER UMA COISA E EU TE ENSINO A PINTAR”. PARA EU COMEÇAR A COSTURAR E FAZER UMA ROUPA DO ZERO MESMO, EU DESCOSTURAVA AS ROUPAS PARA VER COMO ELAS ERAM COSTURADAS.

E onde você aprendeu a fazer costurar e fazer as customizações?

A minha vó e minha mãe são costureiras, e elas ensinaram todos os meus tios a costurar. Então todo mundo da minha família sabe e eu sempre via elas fazendo. E aí eu lembro que comecei a procurar uns vídeos na internet, e fui tentando fazer umas coisas diferentes. Eu não sabia pintar e uma amiga sabia, aí eu falava “ah me ensina a fazer uma coisa e eu te ensino a pintar”. Para eu começar a costurar e fazer uma roupa do zero mesmo, eu descosturava as roupas para ver como elas eram costuradas. E aí eu fui fazendo e aprendendo. 

Para esse projeto com a PUMA, selecionamos quatro pessoas que são muito autênticas no que fazem e em seus trabalhos. Como você mostra a sua individualidade através da AJULIACOSTASHOP?

Além do carimbo do cifrão – todo mundo sabe que a roupa que tá com cifrão é a roupa da Julia – eu gosto de fazer modelagem base e eu não uso muita estampa também. Gosto de fazer uma coisa básica, mas assim, diferente do que as pessoas andam usando. Eu não pego tanta referência, e eu procuro usar o mínimo de referência do Brasil, principalmente. E também, eu penso em como a modelagem pode mudar, por exemplo “eu tenho uma camiseta assim, mas e se eu fizesse de outro jeito?”. Porque foi assim que eu aprendi, fazendo, imaginando como seria a modelagem de outra forma. Tanto que eu não desenho, eu não sei desenhar, mas eu sei pensar em modelagem. Já que eu corto e costuro, então eu posso tentar fazer alguma coisa nova e diferente. 

Você comentou que está trabalhando para investir na sua música. O que você mais curte em fazer na música?

Eu gosto de rimar, sempre rimei. E na verdade eu acho que eu quero começar sendo justa com todas as pessoas que vão trabalhar comigo – então para isso eu preciso ter um recurso, e para eu ter um recurso eu preciso trabalhar – para poder investir. Porque música é um negócio também. E pra eu começar a fazer, eu tenho que ter um investimento como qualquer outro negócio. 

E eu quero fazer as duas coisas, minha loja e minha música. A Julia Costa Shop é uma coisa que eu não vou largar por nada. Eu quero poder fazer os dois e conseguir conciliar os dois, que eu acho que é o mais difícil. Mas eu vou conseguir. 

Qual sua relação com tênis no geral?

A minha relação com tênis sempre foi de muito amor e ódio. Eu sempre gostei, mas eu nunca tive dinheiro pra poder comprar um tênis que eu realmente queria. Inclusive, o primeiro tênis de marca que eu comprei foi customizando roupas pra minha marca, então foi a primeira vez que eu tive acesso a uma coisa que eu realmente queria que era um tênis. Eu acho que tênis fala muito da sua identidade. Pode parecer raso, mas eu acho que tênis diz muito sobre você, e ainda mais pro hip hop o tênis é uma das histórias do Hip Hop. Então eu acho muito legal. 

Eu sou muito difícil de comprar tênis, sendo bem sincera com você, eu só uso o necessário. Eu não tenho muito tênis, mas agora eu ando ganhando bastante tênis, então isso é legal. Porque aí eu penso, nossa há um tempo atrás eu faria de tudo por um tênis e agora as marcas tão me dando tênis, isso é muito legal!

E para fazer o Kickstory sobre o PUMA Rider, por que você escolheu o Guarda Roupa SP como locação? 

Porque a Betinha, dona do Guarda Roupa SP, pra mim é uma das mulheres que mais ajuda os jovens. Ela dá muita oportunidade para todo mundo da moda independente e ela lapida muito diamante. Eu tenho certeza que vai sair muito diamante desse lugar, porque ela realmente dá muita oportunidade para as pessoas crescerem e aprenderem, o que é o mais foda. Ela é aberta para ajudar as pessoas, projetos, ela é aberta pra ensinar. Porque a moda é muita pouca gente que quer ensinar, e ela é totalmente o oposto.

Ela compra das marcas pra deixar lá, e aí ela veste todo mundo de marca independente. Ela faz isso, ela apoia. Ela trabalha com publicidade, e publicidade é da burguesia, então ela pega o que eles têm e ela tenta passar o máximo que pode para as pessoas que estão começando agora e que não tem esse recurso. Ela fala que ela é tipo um filtro.

Puma Style Rider Ride On
Ganhado: 2020
Dono: Julia Costa
Fotos: Vitória Leona