“Meu nome é Juno, por mais que não pareça eu tenho 36 anos (risos). Sou da geração do Jordan, comecei a jogar basquete exatamente por causa dele quando eu tinha 9 anos de idade. Naquela época todo mundo jogava futebol, ninguém jogava basquete, e eu era o do contra. Eu era muito ruim no futebol e sempre me colocavam no gol, até que um dia meu professor de educação física me disse “é melhor você encontrar outro esporte, que tal o basquete?”, fui tentar. Pedi uma bola e uma tabela pra minha mãe, era bem porcaria, mas ficava lá treinando loucamente. Eu colocava uma meta na minha cabeça que eu ia fazer 10 cestas e ficava lá tentando até conseguir.

Foi assim que comecei a jogar e curtir, não tinha muita concorrência então eu jogava pela escola – a minha vida escolar inteira foi jogando basquete. Eu vi todo o auge do Michael Jordan, ficava até altas horas da noite esperando os jogos na Band, eram tão tardes que antes passava aquele programa Sexy Time. Eu tinha 10 anos e já tinha visto o “Na Cama com Madonna” porque estava esperando o jogo começar (risos). Mas enfim, era uma coisa impressionante como ele jogava, até se hoje você tiver a oportunidade de rever os jogos das finais, é realmente maravilhoso o que acontecia – ele sabia conduzir o jogo, era mágico. Aliás tenho certeza que muita gente começou a jogar por causa dele. Inclusive o Kobe Bryant, sempre falou em entrevista que imitava o Jordan, por isso que os movimentos dele eram tão parecidos.

O Magic Johnson disse em uma entrevista uma vez “se Deus um dia viesse pra Terra jogar basquete, ele seria Michael Jordan”. E é aquela coisa né, tem a perfeição e a imperfeição – o cara é um ser humano mas ele consegue fazer uma coisas impressionantes.

Depois que o Jordan se aposentou parei de jogar porque comecei a trabalhar e etc. E cara, é uma coisa que não sai de você nunca mais. Se olhar meu guarda-roupa, grande parte dele é de basquete, eu tenho um pouco de tudo. É uma coisa que eu curto, é um movimento, é uma coisa cultural tão forte que você é dominado por tudo isso. Se a pessoa gosta de basquete ela vai entender o que eu to falando.

Basquete é um esporte coletivo, eu gosto de assistir times como o San Antonio ou o Bostonjogando. Se você for ver, eles não tem nenhum superstar, eles realmente conseguiram jogar o puro basquete e isso é uma beleza pra quem realmente gosta do esporte.

Voltando a falar sobre mim, trabalho com usabilidade e design, uma coisa que está na moda hoje mas eu faço isso a muitos anos já. Quem me contrata sabe que o que eu vou fazer é muito diferente, eu penso muito na estratégia do que vamos executar. Até porque hoje todo mundo quer fazer tudo, todo mundo acha que vão criar o próximo Facebook e eu sempre falo a real pra eles que não é bem assim (risos).”

Juno, qual a sua relação com tênis no geral?

Tenho muito tênis de verdade e recentemente entrei em uma pira muito louca de minimalismo, de ter menos coisas na minha vida. Doei 50% dos meu tênis, eles já foram embora e tenho vários sobrando ainda (risos), sendo que alguns eu nunca usei.

No design as coisas falam com você, parece que tem uma comunicação, que o objeto cria uma conexão. Acho que quem é designer tem essa necessidade de viver e conviver com objetos ou coisas que te inspiram só de olhar ou tocar. Então quando você olha o tênis é a mesma coisa: é aquele objeto de desejo acessível de certa forma pelo seu valor, e você vai usar e viver aquele design no seu dia a dia. Como designer, tudo é design pra mim – me vestir é um design, de combinar cores e etc. O tênis é uma forma de complementar a sua comunicação, é uma coisa louca.

Aqui no Brasil não acontece tanto, mas nos Estados Unidos acontecia direto comigo de, do nada, um cara vir elogiar o meu tênis ou alguma camisa de basquete. Principalmente com esse Jordan aconteceu várias e várias vezes. Me perguntavam onde eu arranjei esse tênis porque nunca tinham visto um igual e isso é muito louco porque alí as pessoas são muito ligadas nos tênis da Jordan. Esse é um design super clássico da marca, esse tênis representa a “Era do Michael Jordan”. Eu vejo ele como uma herança que existe até hoje, é um pedaço da história do Michael que tenho pra mim. Eu sou tão louco pelo Jordan que até tenho uns bonecos dele, eu tenho umas paradas muito loucas.

Você tem alguma história específica com ele?

Não usei esse tênis por muitas anos porque tinha muita dó. Quando fui morar em Nova Iorque esse foi o primeiro tênis, de todos, que eu queria levar comigo. Ele desgastou muito por causa da neve, mas foi muito especial usar ele lá. Pra mim e pra Daphne foi muito bom porque era a primeira vez em que ficamos juntos uma temporada lá em Nova Iorque morando no Brooklin. Foi uma fase bem diferente nas nossas vidas, e o tênis estava muito presente em tudo isso.

Tenho uma coisa no meu Instagram pessoal que todos os tênis que abandonei ou parei de usar: tiro uma foto e coloco na legenda data de nascimento e a data que ele morreu (risos), ainda coloco o local onde o comprei e deixei. É um velório mesmo. E isso é uma decisão que eu paro e penso que é a hora de aposentar os tênis. Mas não jogo fora, eu deixo ele em algum lugar pra quem quiser pegar e ter uma história com ele.

Teve uma vez que fomos pra Trancoso e deixei um tênis meu lá no hotel que a gente estava. Aí o pessoal do hotel me ligou falando que tinha esquecido o tênis lá e “não, não, eu deixei ele, não me liguem” (risos). Era um Stan Smith da Adidas todo branco, muito legal, que um amigo meu customizou ele todo com grafite, e lá em Nova Iorque todo mundo me perguntava onde eu tinha customizado ele, onde tinha arranjado. Mas enfim, fiquei com muita dó de deixar, mas o tênis já estava muito velho, feio, duro, todo detonado já, eu decidi que era a hora dele ir.

Air Jordan 1 High Strap
Dono:@junojo
Comprado: 2009
Tamanho: BR42/US10