Continuando nossa série de entrevistas, falamos com mais um apaixonado por ZX – o Alexandre do SneakersMOB. Na sua segunda entrevista para o Kickstory, ele fala sobre o seu primeiro contato com um modelo ZX, suas colorways e collabs favoritas, e também, o que o encanta até hoje na família de tênis da adidas que tem quase 40 anos.

Esse projeto é uma parceria com o ​SneakersBR​ e apoio da ​adidas, para falar sobre uma família de tênis de 36 anos que, desde o seu primeiro lançamento, se mantém até hoje como uma das linhas mais icônicas da adidas. A família ZX passou por inúmeros momentos na história, desde diferentes tipos de corredores à diversas cenas musicais. Esse ano ela adicionou mais uma silhueta a sua linha de tênis icônicos, o adidas ZX 2K Boost.
FOTOS POR JULIO NERY

E aqui estamos de novo! Na entrevista que fizemos com você em agosto do ano passado falamos bastante sobre a criação do SneakersMOB. Mas agora queremos saber, o que mudou no SneakersMOB um pouco mais de um ano depois?

Aqui estamos de novo e mudou muita coisa! (risadas). Hoje eu já faço IGTV, tenho um podcast, tenho o podcast com os meninos – Na Fila do Drop – que, meu… é um projeto que eu tô muito realizado de estar fazendo. E novos projetos que estão por vir, que tão me tomando um tempo absurdo, mas tem muita coisa  boa por vir aí. Da nossa última entrevista para agora, o SneakersMOB ganhou uma proporção, as pessoas que estavam lá me seguindo agregaram muitas outras, e eles entenderam a ideia por trás da página. Entenderam que a gente está ali para passar uma mensagem sobre o quão legal pode ser tênis, o quanto informativo, o quão denso pode ser o mundo dos tênis, e o quanto importante são as referências.

Às vezes a gente não tá falando de lançamento, mas puramente de uma coisa que inspirou um lançamento de uma coisa que você tá vendo agora. Então a nossa ideia é de fazer um conteúdo atemporal – muito do que vocês fazem, de trazer a galera, trazer as entrevistas, trazer as histórias que daqui vinte anos, você vai ler e vai ser ainda muito pertinente, vai ser uma parada que inspirou um momento e que continuará inspirando um momento. Então, a gente cresceu muito, eu tive que evoluir bastante porque chegaram mais pessoas, chegaram mais projetos, isso que foi bem legal – e muito mais responsabilidades também.

O PRIMEIRO QUE EU TIVE A OPORTUNIDADE DE COMPRAR FOI O ZX 8000 CONSORTIUM, QUE VEIO NO COMEÇO DO ANO AQUI PRO BRASIL. EU FIQUEI MUITO FOCADO EM PEGAR ESSES TÊNIS, PORQUE EU TINHA DOIS EM MENTE, QUE EU GOSTEI BASTANTE QUANDO EU VI: O ZX 8000 AQUA QUE ERA O CLÁSSICO, E O HYDRA, O ZX 9000.

Você está participando da campanha ZXpedia com o SneakersBr e a adidas, e teve a oportunidade de receber o adidas ZX 2K Boost que fotografamos hoje. A icônica família ZX surgiu a 36 anos atrás e até hoje são silhuetas muito relevantes. O que você mais curte sobre a família ZX, e o que ela representa pra você? 

Eu sempre costumo ir nas lojas pois gosto muito da questão do local físico. Assim eu posso conhecer tênis, ver outros modelos, pegar eles na mão, saber o quê que ele tem ali, o que ele pode entregar para você. Acho que essa é a experiência que todo mundo que gosta de tênis deve ter. E em uma dessas idas, eu vi um lançamento que foi lá em 2013, o adidas ZX Flux, que era um modelo que me interessou bastante, porque eu sempre gostei desses modelos que são uma pegada tipo socks, meinha com cabedal liso, sabe? Eu gostei muito do tênis, e aí buscando informação no adidas Archive soube que ele fazia parte de uma linhagem muito antiga da adidas, com vários modelos, que tinha ido também para a série Spezial, que são muito interessantes, inclusive vem bastante pro Brasil.

Mas a linha dos milhares, mano…A linha dos milhares são os que eu olhei e falei: “Cacete!”.  Porque eu gosto muito dos tênis retrô runners, eu gosto muito da estética deles. O primeiro que eu tive a oportunidade de comprar foi o ZX 8000 Consortium, que veio no começo do ano aqui pro Brasil. Eu fiquei muito focado em pegar esses tênis, porque eu tinha dois em mente, que eu gostei bastante quando eu vi: o ZX 8000 Aqua que era o clássico, e o Hydra, o ZX 9000.

Quando rolou o aniversário de 30 anos no ano passado, eu já tava acompanhando. Rolou atrasado do lançamento da série de aniversário, os caras lá na Alemanha já tavam pedindo desculpas, que eles estavam com problemas de cronograma, mas eles iam entregar mesmo assim. Eu fiquei esperando os tênis chegarem no Brasil, sabendo que ia lançar com um pouco de atraso. Só que para minha surpresa, ao invés do relançamento dos retrôs, eles lançaram um modelo que foi adicionado na série. Quando a série foi interrompida lá em 1989, eles não voltaram mais com a estética retrô, só lançaram o ZX com Boost, aquele com células de bounce, o Flux, porém mano, quem gosta de retrô, queria ver um tênis com cara de retrô mesmo, não aquele retrô moderno. Aí eles lançaram o 10.000 C – esse pra mim foi um tênis que eu pirei, eu olhei e falei “mano, os caras fizeram uma parada que saudou realmente o início da família”. Porém, o OG só lançou lá na gringa, não veio pra cá.

Eu tenho contato com uns cara na Alemanha que piram pra caramba nos ZXs, e aí eu conheci um brother que é do adidas Connection, ele pegou dois OGs e depois conseguiu pegar um outro – então ele tava com três no total! Ele falou que um era para usar e dois para ficar de reserva, de tanto que o cara era pirado. E eu falei “mano, se não precisa desse tênis. Me passa aí vai!”. Ele calça a mesma numeração que eu… Mano… Fiquei uns seis meses enchendo o saco desse cara, até que um dia ele precisava liberar uns pares para comprar outros tênis, aí ele finalmente me passou e foi quase no preço da revenda, na pura camaradagem. E eu tava interessado bastante também no livro do ZX mas esgotou bem rápido. Até hoje eu tô na busca de um.

E qual seria o seu ZX preferido? Pode ser um que você pegou, ou ainda não.

Acho que o meu preferido é o ZX8000 mesmo, o Acqua. Eu não tenho nenhuma relação com a história dele em si, lá na origem dele, a história voltada a Alemanha e toda aquela loucura das cores que eles colocaram em tênis da época. Mas o que eles fizeram na questão de entrega de produto, isso me representa muito. E a mais especial para mim foi a versão Consortium, velho. A versão envelhecida dele – se você pegar um tênis realmente lá de 89 e colocar lado a lado, ele tá com as mesmas características tipo, sola com o EVA esverdeado, aquela parada mais opaca do couro nobuck. Ficou incrível, mano. Os caras realmente tiveram uma puta atenção na entrega do tênis assim.

Um tênis que eu queria muito, muito mesmo é o ZX Torsion com a Packer, que é aquele lilás  inspirado nas flores e tal, achei muito bonito, o contraste das cores ficou muito legal e o ZX Torsion é um modelo muito foda. E acho que pra quem gosta de ZX, com certeza não tem como deixar de fora um dos modelos que rolou lá em 2008, 2009, no primeiro A-ZX, uma edição limitada que homenageia os dois criadores da família – o Jacques Chassaing e o Markus Thaler – que é um modelo com azul e amarelo, e vinha a foto dos dois na língua do tênis. Meu, aquele tênis pra mim é um dos tênis que eu com certeza gostaria de ter. Se eu tivesse eu colocaria num aquário, uma parada pra deixar ele lá… Tipo um “Obrigado” a eles, tá ligado?

E ACHO QUE PRA QUEM GOSTA DE ZX, COM CERTEZA NÃO TEM COMO DEIXAR DE FORA UM DOS MODELOS QUE ROLOU LÁ EM 2008, 2009, NO PRIMEIRO A-ZX, UMA EDIÇÃO LIMITADA QUE HOMENAGEIA OS DOIS CRIADORES DA FAMÍLIA – O JACQUES CHASSAING E O MARKUS THALER – QUE É UM MODELO COM AZUL E AMARELO, E VINHA A FOTO DOS DOIS NA LÍNGUA DO TÊNIS.
O A-ZX PARA MIM É UMA DAS SÉRIES COLABORATIVAS MAIS BONITAS, NÃO SÓ AGORA, MAS EM 2008 QUANDO ELES FIZERAM O PRIMEIRO QUE SE JUNTARAM VÁRIAS LOJAS, CRIADORES, E DESIGNER POR TODO O MUNDO. FORAM VÁRIAS IDEIAS DIFERENTES, CONCEPÇÕES, E DERAM ESSA LIBERDADE PARA O CARA FALAR “ESCOLHE UMA SILHUETA E FAZ UMA PARADA LEGAL”. E O CARA FAZ E TEM TODA UMA ENTREGA ESPECIAL, MUITO FODA, NUM CURTO ESPAÇO DE TEMPO.

A “A-ZX SERIES” conta com 26 lançamentos de ZX: de A a Z. Cada letra é um lançamento e cada lançamento da série A-ZX é uma collab diferente que traz referências de ZX dos arquivos adidas. Até o momento, qual foi o ZX que você mais curtiu?

O A-ZX para mim é uma das séries colaborativas mais bonitas, não só agora, mas em 2008 quando eles fizeram o primeiro que se juntaram várias lojas, criadores, e designer por todo o mundo. Foram várias ideias diferentes, concepções, e deram essa liberdade para o cara falar “escolhe uma silhueta e faz uma parada legal”. E o cara faz e tem toda uma entrega especial, muito foda, num curto espaço de tempo. Além disso é uma séria muito energizada, são sete meses de entrega de produto.

Esse ano eu tô achando muito foda, pegar um empresa de chá lá da China, fazer colaboração com a LEGO, pegar uma crew de grafite e pichação que é Irak, pegar uma empresa de produção de música que faz conexão de artistas ao redor do mundo – o próprio nome já diz, deadHYPE – eles querem levar pequenas ideias para grandes pessoas, ao contrário que as marcas fazem, de pegar grandes nomes e hypar em cima, sabe? Tem que dar chance para os pequenos produtores.

O que eu mais curti nesse tênis da deadHYPE é que ele é lisão, não tem na tag da Originals na língua, os caras tiraram as listras da lateral, pegaram as inscrições lá do OG do ZX 8000 que tá bordado na lateral, mantiveram isso e colocaram o DH. Os caras tiveram muita liberdade. Porque assim, “mano cê vai tirar minhas listras?”, “vou”, tipo “você vai mudar, vai colocar a inscrição da sua sigla do lado de uma inscrição que é registro histórico do modelo clássico?”, “vou!”, “beleza, manda ver!”. Então achei muita ousadia, numa cor que foi muito irada. Pra mim o melhor ZX do A-ZX até agora, enquanto o Lego e o Atmos não vem.

E eles não lançaram nem metade da série. O que você acha que vem de bom por aí?

Eu tô arriscando algumas coisas, das siglas que não lançaram ainda que eles não deram nenhuma dica. Do Y por exemplo, eu acho que vai ser Yohji Yamamoto. Mas se tiver um Yeezy eu vou surtar (risos). A letra P, que está como PP, eu acho que vão chamar o Philipp Plein pra colaborar – porque é um artista alemão e ele tem umas ideias muito legais. Eu gosto desse perfil gótico que ele coloca nas roupas dele. E tem o BU, né velho, de Bape e Undefeated, que com certeza vai voltar. E esse daí… esse vai ser louco.

Mesmo o 2K Boost não sendo um tênis de performance, você acha que ele ainda leva o DNA ZX? Mesmo ele sendo inspirado no 710, você consegue olhar pra ele e falar – esse tênis é um ZX?

Eu acho que a adidas fez no ZX 2K Boost uma versão do futuro mesmo, do que ela gostaria de enxergar, e o que ela propõe para os novos entusiastas de tênis, dentro da linha do ZX. Eu achei muito legal a sacada deles de renovação da silhueta sem mexer nos clássicos, acho que tem essa ideia de respeito aos clássicos, mas ao mesmo tempo, propostas novas de silhuetas, e ideias que vão pra uma nova geração, e vão pra pessoas que gostam de conforto e lifestyle, e levam isso a sério no seu dia a dia. Então eu gostei bastante e gostei das interações que eles tiveram, tipo de colocar a sola 4D, de colocar o Flux – por que como falei, o Flux é uma silhueta que eu gosto bastante, ela que me iniciou realmente a conhecer a família ZX. Então eu achei isso muito foda.

EU ACHO QUE A ADIDAS FEZ NO ZX 2K BOOST UMA VERSÃO DO FUTURO MESMO, DO QUE ELA GOSTARIA DE ENXERGAR, E O QUE ELA PROPÕE PARA OS NOVOS ENTUSIASTAS DE TÊNIS, DENTRO DA LINHA DO ZX.

Você tem uma história legal para contar sobre algum ZX seu?

Teve uma parada que quando eu conversei com a SneakersBR. Um dia aleatório eu tava gravando um vídeo sobre ZX, e aí eu mandei pra eles uma ideia que eu tive. Eu gosto bastante de anime, sou muito fã da ideia do cyberpunk, das paletas de cores – da identidade do cyberpunk em si. E eu sou muito fã de Akira, que pra mim é uma das grandes obras que já foram feitas, ele tem uma história muito dahora quanto à concepção de cor, com cores criadas especialmente pro anime, a HQ é muito detalhada e tal.

Um dia eu tava olhando para as capas das HQs, e percebi que tinham as mesmas tonalidades de alguns ZX da mesma época. E o Markus Thaler, que é o criador da série ZX junto com o Jacques Chassaing, ele era muito apaixonado por motores, motocicletas, e ele criou a linha ZX inspirada na Kawasaki Ninja. Ele tava muito conectado com o Japão naquela época, e tudo que tava vindo de lá. E em 88 ou 89 lançou o filme do Akira. Eu não sei se isso foi uma das inspirações, porque muito do ZX veio do New Wave…aquelas cores vibrantes, neon. Mas não tem como negar que ele tava realmente conectado ao Oriente. E a gente sabe o quanto Akira influenciou o Ocidente. E eu acho que influenciou sim. Se você olhar para as capas dos animes, e depois olhar para os ZX 8000 Hydra, ZX 5000, e toda a série dos milhares, do 5000 até o 9000, é muito a capa do Akira, individualmente.

adidas ZK 2K Boost
Dono: Alexandre Félix  (SneakersMOB)
Size:
US 9.5
Ano:
2020
Fotos: Julio Nery
Video: Gustavo Barcellos