FOTOS POR JULIO NERY

Na sexta-feira passada, a Nike abriu o “Merc Club”, espaço que rolou encontro de atletas, experiências e outras atividades para eles conhecerem melhor e experimentarem as novas Mercurial Superfly 360 e Mercurial Vapor 360.

Nós tivemos a oportunidade de entrevistar o Claudio Campos, gerente de pesquisa e desenvolvimento de produto de futebol para a Nike. Ele nos contou sobre a nova technologia da Mercurial 360, qual foi o seu papel no desenvolvimento da chutereira e também sobre sua paixão por Jordans e histories de seus tênis preferidos.

 

“Meu nome é Claudio Campos, sou gerente de pesquisa e desenvolvimento de produto para futebol da Nike há 7 anos. Já trabalhei com treinamento pra loja, marketing para futebol, mas faz 4 anos que estou neste cargo. A minha função é dar feedbacks e insights, testar os protótipos e produtos dos futuros lançamentos da Nike aqui no Brasil, então eu sou a voz do atleta brasileiro para a categoria de futebol que fica em Portland.”

Conta mais pra gente sobre as chuteiras Mercurial.

A principal inovação da Mercurial 360 é o ajuste perfeito e total no pé, porque a gente aplicou o flyknit nela inteira dessa vez e o redesenho da placa da trava – agora é dividida em dois para oferecer aceleração e facilidade na movimentação quando tem freiada, mudança brusca de direção. Os principais atletas, os atletas Mercurial como o Neymar e Cristiano Ronaldo fazem muito isso, essa questão de frear, mudar a direção, acelerar de novo é essencial e a tração é muito importante pra isso.

Qual foi o seu papel no desenvolvimento delas?

O processo inteiro foi: insights com os atletas que usam a Mercurial, escutar o que eles precisam para melhorar suas performances. A pergunta não é necessariamente “como melhorar a chuteira” – essa pergunta é meio vaga e ainda mais tratando de Mercurial, que sendo sincero, o pessoal já tem uma grande satisfação. Mas quando você ouve “como eu posso melhorar sua performance?” eles respondem “cara, quanto menos distração no pé, quanto mais sensação de que não estou calçando nada, melhor”. Em função disso que a gente decidiu trazer o ajuste 360, o flyknit nela toda e fazer com que a divisão de trava faça esse ajuste melhor no pé – principalmente na parte medial e na parte de dentro.

O atleta brasileiro principalmente, costuma ter um pé mais largo, no começo quando ele usava as chuteiras anteriores, o tempo de adaptação é mais longo. Com essa chuteira o tempo é curtíssimo ou quase zero, porque o pé se ajusta e se adapta melhor.

O que signfica a Mercurial, depois de 20 anos de história?

Pra mim, o que tem de essencial, é que é difícil contar a história do futebol nos últimos 20 anos sem pensar em Mercurial. Se você conta a história de Nike Football, ou até dos atletas – do Ronaldo e não tem como não relacionar com a chuteira; com o Cristiano Ronaldo e Neymar é a mesma coisa. O que a Mercurial consegue trazer quando ela é lançada, é que além da performance que é o foco principal de todo produto Nike, é a personalidade do atleta Mercurial em campo.

O Ronaldo foi a persona, o atleta inspiração quando a Nike decidiu fazer uma chuteira diferente em 1996, a forma que ele jogava era diferente – talvez o Ronaldo foi o primeiro “super atleta” na questão de arrancada, musculatura, força física do futebol mundial. A chuteira da época não atendia as necessidades dele, então acho que a principal diferença da Mercurial foi essa – trazer inovação no momento que o futebol estava mudando, ela é o símbolo disso. E é claro, ela teve seus momentos épicos, não tem como esquecer a de 2002 que foi a do título. Todo mundo estava acostumando com chuteira preta no gramado – de repente no jogo Brasil contra Escócia, chega o Ronaldo com uma chuteira azul, prata e amarelo, totalmente inesperado! Naquele tempo mal tinha internet, ninguém sabia, era mais fácil de esconder.

Ela marcou outros momentos também como o começo do Cristiano Ronaldo, Neymar no Santos, elas tem vários momentos e todos os momentos tem a questão que falei – da personalidade do atleta junto; além de destacar no jogo ele atrai por outras coisas também. A Mercurial traz muito isso, até quando ela é desenvolvida – na escolha de cores, detalhes, é tudo pensado para chamar a atenção na questão estética. A gente quer que o jogador ao colocar se sinta bem e queremos também que o adversário olhe e veja “hmn, ele está de Mercurial”, a gente sabe que isso acontece.

Como é o processo de criação dela, desde o briefing até o produto final?

Foram 3 anos e meio, ela surge até antes da chuteira de 2016 – fizemos o conceito do 360, das placas divididas, mais o processo de design, testes, escolha de materiais até chegar no produto final.  

A ideia de tirar o swoosh na lateral e colocar na frente é pra que o oponente, o defensor, já veja que é uma chuteira Mercurial no momento que ele está te marcando. Tem uma brincadeira que falamos que “se você me viu quando estava me marcando, você também vai me ver depois que eu passar por você” – por isso do “M” de Mercurial na parte de trás da junto com uma trava cromada, “você vai me ver no campo, você vai me ver passando”. A ideia de mudança do swoosh, dele ter esse aspecto de velocidade, dá a ideia de mobilidade.

Qual a sua relação com tênis em geral?

Acho que todo cara que cresce em periferia, que gosta de skate e rap dos anos 2000, não tem como não gostar de tênis. Lembro que juntava grana pra comprar tênis de skate quando eu era moleque, depois eu comecei a trabalhar em uma loja de futebol que do lado tinha uma loja de skate, onde eles vendiam os Nikes SB, Zoom Tre e etc. A minha paixão foi aumentando, depois você começa a trabalhar na Nike e descobrir um pouco mais sobre a história, sobre como foi criado e o conceito. No meu caso eu sou fissurado em Jordan e eu comecei a entender melhor a relação dele com a marca, um pouco da marca oferecendo produtos quando ele ainda jogava e o valor que tem uma versão recriada, como os retros. Faço questão de comprar principalmente quando tem alguma característica diferente, acho que todos sneaker tem o “quando todo mundo começa a ter eu não gosto mais”, isso é normal.

Quando me perguntam se eu sou sneakerhead, respondo que sou, mas com um asterisco – porque o cara que é funcionário da Nike é diferente do cara que fica em fila, esperando, e eu respeito demais eles. Da muito gosto quando você vê uma galera usando os tênis legais, virou costume você andar olhando pra baixo, é normal e automático – a gente gosta de tênis e faz isso naturalmente.

Sou Jordan maníaco, meu top3 é: o Jordan VI, IV e III. Adoro Janoski também, tenho uma versão que tem um cisne na palmilha, é animal, acho que é de São Francisco, uns Digi Floral tambem. Tenho um que é inspirado no carpete do aeroporto de Portland, que é onde fica o headquarter da Nike. Mas o tênis que eu mais tenho orgulho de ter comprado é o KD 7 Floral, no qual ele fez em homenagem à tia dele. O Air Force “Puerto Rico” é outro que eu me orgulho de ter, é legal porque sempre quando ando na galeria eu recebo propostas de compra.

Você tem alguma história pra contar, com algum dos seus sneakers?

Tenho com o meu Nike Lebron X NSW Lifestyle NRG, aquele marrom com azul de couro. Estava nos Estados Unidos, fazendo treinamento para esse meu cargo atual e estava rolando as finais da NBA. Não sei se vocês sabem mas o Marco Materazzi, ex-jogador da seleção italiana é um sneaker maníaco fissurado por Jordan. Ele tem uma loja na Itália que chama Space 23, em homenagem ao Jordan; ele é um parceiro da cultura sneaker da Itália para Nike.

Enfim, eu estava com esse tênis no dia, o Marco apareceu lá do nada com alguns designers e alguém comentou com ele “Marco, olha o tênis dele”, ele vira pra mim e pergunta “que número você calça?” eu calço US10, ele responde “se fosse US11 eu ia querer comprar de você”. Ele é bem fissurado, mas ele usa os tênis. Lembram daquela versão Tiempo 94 Sportswear? Que tinha uma vermelha e outra azul? Essas versões são vendidas na loja dele,  porque ele pediu para fazer nessas cores, em homenagem ao Jordan 1.

Nike Mercurial 360
Entrevistado: @campus83
@julioneryy