Nós fomos até o estúdio do Umdois e do Futliga para falar com o Fábio Nakano sobre gerenciar canais no YouTube, a pressão por um bom conteúdo, estilo de vida do futebol e chuteiras. Afinal, se é um tipo de tênis, tem história para contar. O Fábio nos recebeu com suas Nike Hypervenom Phantom III Elite customizada nas mãos. Isso mesmo, nas mãos. Ele nunca colocou essas chuteiras no pé para não estragar.
FOTOS POR VINICIUS MARTIN

"Eu sou o Fábio Nakano, eu trabalho com audiovisual voltado para mídias sociais, como o YouTube e Instagram. Tenho dois canais, o Umdois e o FutLiga que é um canal de futebol, que é um assunto que eu sou apaixonado, não tanto o lado futebol profissional, eu acho que é o lado do lifestyle do futebol. E como eu trabalho e vim do audiovisual, a gente transformou essa paixão em vídeos. E aí o futebol na minha vida entrou então de duas maneiras – como uma coisa que eu gosto muito e como uma coisa que eu trabalho. Eu consegui achar esse equilíbrio de trabalhar com o que eu gosto. Isso me trouxe ótimas experiências, inclusive estar aqui com vocês que eu acho que é muito dahora."

Como começou e qual foi a trajetória do canal Umdois?

O Umdois é um grupo de amigos de muito tempo, eu tenho um sócio que eu conheço desde os 8 anos. É uma galera que estudou junto e todo mundo sempre foi ligado ao audiovisual, a gente tinha essa sinergia. A gente nasceu pra ser uma produtora, essa era nossa ideia inicial “meu o que que a gente faz? Ah, o que tá começando é YouTube”. Na época tinha os canais, mas a gente não entendia o que era. Mas percebemos que na época, o que estourava eram virais e que estavam relacionados a Cannabis, mas de uma forma muito indireta.

E foi isso que fizemos e deu muito certo, o vídeo estourou mesmo. A gente recebeu e-mail até da Globo pra tirar o vídeo do ar, o YouTube mandou tirar também. O negócio foi muito doido. A gente foi chamado pelo CQC, foi uma doideira. A gente tomou uns strikes no YouTube, e nosso canal acabou caindo exatamente pelo fato da gente não ter tirado o vídeo do ar. E aí o YouTube começou a dificultar nossa vida e aí decidimos produzir tudo de um produto audiovisual – desde trilha, até o produto final, a produção inteira de uma sketch que chamava “Rolezinho em Osasco”. A gente lançou e esse vídeo estourou também, foi uma coisa muito doida. Depois disso nos chamaram pra um network, a gente nem sabia o que era isso. Imagina assim: a gente fazia o vídeo, jogava na internet e ia ver no que dava.

E aí foi quando a gente entrou pra a Tubo Br, a MTV tinha acabado de acabar e virou só pro digital. Foi quando a gente teve um relacionamento muito legal e a gente foi trilhando esse caminho. E aí percebemos que a receita para o Youtube era lançar um conteúdo por semana e a Tubo Br, que era a MTV na época, falou “eu acho que se vocês falarem mais sobre a Cannabis, abordar isso de uma forma diferente, isso lá na frente seja um grande diferencial”. A gente concordou mas não tínhamos dinheiro pra ter ator, nem nada, então tivemos que mostrar a cara mesmo. Falar “Brasil, somos usuários, aí, muito prazer”. Quando chegamos em 100 mil inscritos foi uma festa, mas até lá passamos por várias dificuldades, brigamos, pensamos em acabar, a gente pausou. Mas dos 100 mil pra frente que foi realmente um estouro assim, foi quando a gente começou a ser convidados para as coisas, e começamos a ser conhecidos pelo nosso trabalho, que era o que a gente mais queria. A gente fez uma collab com o Dráuzio Varela! Muito daora, sabe?

Viemos do audiovisual com zero reais e hoje a gente tem uma estrutura na qual a gente consegue gerar conteúdo, trabalhar marca e falar "ó somos profissionais, a gente gera receita, e emprega as pessoas" e são pessoas legais. A gente transformou isso num negócio, já demos sei lá, umas 10 palestras sobre business.

TANTO NO UMDOIS, COMO NA FUTLIGA, EU FICO POR TRÁS DE TUDO QUE É PRINCIPAL – EU TO MAIS LIGADO NA ÁREA DE INTELIGÊNCIA DOS NÚMEROS, CONCEITO E IDENTIDADE. E AÍ O BACALHAU E A GABI TEM A FACILIDADE DE PEGAR TUDO ISSO E TRANSFORMAR EM CONTEÚDO DE UMA FORMA ORGÂNICA.

Quando entrevistamos o Bacalhau e a Gabi eles explicaram um pouco o papel deles no FutLiga, e agora eu queria saber o seu. Qual é a sua função dentro do canal?

Tanto no Umdois, como na FutLiga, eu fico por trás de tudo que é principal – eu to mais ligado na área de inteligência dos números, conceito e identidade. E aí o Bacalhau e a Gabi tem a facilidade de pegar tudo isso e transformar em conteúdo de uma forma orgânica. Eu tenho os meus quadros lá no Futliga como por exemplo o de customização de chuteira, que pô, eu gosto bastante. Então eu fico mais nessa parte de "backstage" da coisa, até porque, que querendo ou não, é um business, né? Ele precisa rodar em várias áreas.

Você seria mais o "back office" enquanto ele seria mais o rosto, né?

Isso, exatamente! A gente é a geração de conteúdo,  a gente conta storytelling, a gente tem também ali o nosso time. Então é isso. É mais nesse sentido. Eu fico por trás da parada e ele é mais o rosto, mas a gente também vai equilibrando as coisas pra uma coisa só.

A DIFICULDADE É ESSA – COMO TRABALHAR MÉTRICA, TER RESULTADO, PERFORMANCE, CONCEITO, PASSAR UMA MENSAGEM E FAZER GALERA ASSISTIR AINDA. MAS ASSIM, É UMA DIFICULDADE MAS QUE EU ACHEI UM DESAFIO MUITO LEGAL, PELO MENOS PARA A GENTE QUE TRABALHA COM CONTEÚDO, É UMA COISA MUITO BACANA.

O canal de vocês tem um conteúdo muito legal e é visualmente muito bem feito, não é só mais um vídeo no Youtube. Então pra vocês qual é a dificuldade de criar esse tipo de conteúdo nesse nicho do futebol?

A nossa maior dificuldade é o seguinte: imagina que vocês recebem o briefing de uma marca, vamos colocar a Nike como exemplo da FutLiga. Então a Nike chega e fala assim: “Gente, ó, um milhão de cabeças muito boas pensaram nisso aqui. Toma aí e faz um vídeo”. Aí você pensa – puta que pariu, né? Nosso primeiro problema é: a gente trabalha com métrica no YouTube, se você não tem performance, ele não te distribui e você vai morrer. Então imagina que eu preciso estar preocupado com métrica e ainda passar um conceito, um storytelling de uma marca, que seja orgânico e que a galera não vire e fale assim “puta, ó os cara fazendo propaganda da Fanta”. E ao mesmo tempo você tá trabalhando com a Nike, a gente tem uma preocupação muito grande em como esse conteúdo está sendo produzido. Na verdade a gente vem tentando evoluir cada vez mais.

A estrutura que a gente tem hoje aqui, foi um puta suor pra conseguir, mas o áudio e a iluminação tá melhorando. E isso é um trabalho que o canal foi crescendo e a audiência vai percebendo e crescendo junto também, são etapas. Mas a nossa maior preocupação ainda é em como melhorar a geração do nosso conteúdo em quantidade e não perder qualidade. Porque tem aquela barra de "quantidade vs. qualidade" – quem consegue manter os dois? É uma coisa que a gente vem batalhando bastante para não perder e ao mesmo tempo não só trazer produto e mais produto. A Nike é nossa patrocinadora, a gente gosta muito dela, mas o canal tem que ter a nossa cara, e que não seja o contrário, que seja pra nossa audiência mesmo. Mas a dificuldade é essa – como trabalhar métrica, ter resultado, performance, conceito, passar uma mensagem e fazer galera assistir ainda. Mas assim, é uma dificuldade mas que eu achei um desafio muito legal, pelo menos para a gente que trabalha com conteúdo, é uma coisa muito bacana.

Agora falando sobre sua chuteira – porque de todas que você tem hoje, você escolheu essa Nike Hypervenom Phantom III Elite para o Kickstory e o que ela significou pra você e pro canal?

A história foi assim: a gente recebeu um email da Nike falando que ia rolar um projeto no Futebol Studios e que gostariam que a gente fosse. Nessa época a gente tinha pouquíssimo contato com eles. A gente tava numa correria tão grande que nem respondeu, e aí eles mandaram de novo: “pô, gostaria muito que vocês fossem, posso confirmar vocês?”. Aí eu falei “Vocês podem disponibilizar uma chuteira pra gente gerar um conteúdo?”. Eles toparam, arranjaram uma pra gente e foi aí que ganhamos essa chuteira. Foi o primeiro vídeo que a gente fez e que abriu minha cabeça, foi meu primeiro contato com uma chuteira de elite que eu falei "nossa senhora! Olha essa chuteira". E você fala cara, realmente os jogadores jogam com umas coisa dahoras.

A gente nunca tinha vivenciado essa customização, pô você pegar um tênis ou uma chuteira e transformar isso em cima de uma criação, um processo de criação pra alguma coisa. Aí isso também mudou muito minha cabeça, porque eu sempre gostei muito de arte. Por causa dessa experiência eu fiz o quadro de customização de chuteiras – a Nike abraçou também, eles deram as chuteiras para um ano inteiro de customização. E aí por coincidência um dos primeiros que a gente fez foi com o Pomb, que foi um artista que fez um tênis pra Nike e também que a gente era amigo. 

Nike Hypervenom Phantom III Elite
Ganhada: 2018
Dono: Fábio Nakano
Fotos por: Vinicius Martin