FOTOS POR JULIO NERY
“Sou o Gustavo Treze, DJ, atualmente faço parte de um selo chamado CEIA, do qual eu participei desde a criação. Além da música, que é o que move todos nossos sentimentos, nossas paradas e vivo disso, sou amante da cultura da moda. Amo essa cultura, gosto de me vestir, tenho essa preocupação e acho que a música e a moda são duas coisas que correm juntos. Vivo da música como DJ, mas futuramente quero ser um diretor criativo de moda.

Qual foi sua trajetória dentro do mundo da música?

Muita gente me vê hoje como DJ e não tem noção de como eu comecei, a galera acha que já foi tocando desde o começo… mas não. Trabalho com música desde os 16 anos – esse foi o meu primeiro e único trabalho até hoje. Tenho um irmão que sempre foi presente na área também, hoje em dia ele está trabalhando com cinema, mas ele foi produtor de um grupo de Rap chamado Pentágono, que era o grupo do Rael. Comecei a trabalhar com eles vendendo CD, camisetas e tal, mas depois que o Pentágono acabou, fui trabalhar diretamente com o Rael. Depois disso trabalhei com o Criolo, fiquei com ele por 4 anos, montei todo o merchandising do zero, criei o lance do Grajauex, que vendeu mais de 20 mil bonés e lá eu aprendi tudo.

Mais tarde eu conheci o Cesão, que me apresentou pra galera do Tropkillaz – o Zegon e o Laudz. Depois disso eu virei produtor deles e foi com aí que aprendi a tocar, fiquei quase 2 anos com eles. Depois de tudo isso o Cesão fazia parte do selo Damassaclan, ele saiu dessa crew e criou a CEIA. Comecei junto com ele como DJ, faz 1 ano e 6 meses que começamos o selo e vai fazer 3 anos que toco como DJ. 

Sabemos que a CEIA é um selo, um coletivo. Mas nas suas palavras, o que é a CEIA e qual o seu papel nele?

O nome CEIA não tem nada a ver com religião ou nada disso, o nome CEIA pra gente representa família, sabe? Aquele lance de dividir o pão mesmo. CEIA pra mim hoje é a representação de família com pessoas que trabalham em prol de querer ajudar o próximo, de querer ajudar quem tá junto alí. Nisso a gente transforma a parte profissional também, de ser o nosso selo, de ser o que traz o nosso ganha pão.

Temos o projeto da CEIA juntos mas cada um tem seu trabalho individual, eu também tenho o meu projeto com o DJ Nizz, toco sozinho também – sou DJ do Cesão. Além de ter outros tipos de projetos com a parte da moda, fiz uma collab com a Other Culture ano passado em que a gente vendeu 100 bonés em 30 minutos, foi uma puta realização também.

Enfim, a CEIA é isso, é um coletivo, é uma família, é música. 

De onde surgiu essa vontade de se jogar como MC também? Foi uma coisa que você sempre teve vontade ou surgiu a pouco tempo?

Comecei na música do zero, do primeiro degrau. Eu sempre quis mais e mais, até quando virei produtor do Tropkillaz, que pra mim já era uma parada muito grande, eu queria estar lá como artista também. Quem escreve e é MC, quem tem o dom; eu acho que eu não tenho esse dom, mas sou esforçado. (risos)

No ano passado, quando a gente lançou o som, eu fiz só o refrão – hoje em dia até brinco que não curto mais porque quando você se dedica a parada você acaba vendo a evolução também. Fiz essa primeira Fé Pra Tudo Que É Lado, lançada no ano passado; agora a gente lançou o EP da CEIA que todo mundo rima também, a Troféu, eu rimei lá e dá pra ver que foi uma evolução desde a escrita até no tamanho da faixa. Agora tenho mais uma música pronta, sou eu, com participação do Lucas Lucco, Doncesão e da Clara Lima – o Cesão e Clara são do meu selo, o Lucas do sertanejo mas a gente briga por um negócio que é fora preconceito, então é pegar outro público, outra parada.

Eu sou DJ, só que eu tô na vibe também de cantar, assim o trabalho também não é ser só DJ, é ter uma parada a mais – faço uns remixes, quero aprender a produzir, eu sou músico, um DJ que canta.

Como você e o DJ Nizz se conheceram?

Conheci o Nizz quando ele jogava futebol – pra quem não sabe ele jogava. A gente tinha uns amigos em comum na Zona Norte, nos conhecemos a muitos anos atrás, só que cada um foi para um lado. No começo de 2017 eu fui tocar na Lions e ele estava lá, ficamos super felizes em se encontrar e depois desse dia a gente nos encontramos direto. Na época eu morava sozinho e ele tava querendo dividir um apê com algum brother, aí a gente pegou um apartamento juntos.

Viramos mega brothers e a montamos um projeto paralelo – o Timão & Pumba e estamos fazendo essa tour juntos. É irado, mas é aquilo também – é só um projeto, ele tem a carreira dele pessoal como modelo, DJ, eu tenho a minha.

A gente fez shows em várias cidades de São Paulo, como Sorocaba, Campinas e somos residentes na Lions, na festa Turbulência, já fizemos até Audio. Fomos pra BH no lançamento do EP do Djonga, fizemos Porto Alegre também. Agora tá movimentando mais, com o próprio lançamento da CEIA, eu e o Nizz vamos abrir todos os shows de lançamento da tour como Timão & Pumba, a gente planeja ficar nesse formato pelo menos até o segundo semestre. 

Você comentou antes sobre seu interesse com moda, de onde vêm ideias e referências para se vestir?

Acho que toda pessoa que gosta muito de alguma coisa, tem que pesquisar e procurar saber sobre aquilo. Além da música, o que eu mais procuro saber, o que eu mais sigo e busco é moda. Acho que a cultura da música é totalmente ligada a cultura da moda, principalmente da onde a gente vem, que é o Rap.

A gente vê que as nossas maiores referências de moda são os músicos lá de fora, o Kanye West, tanto como parte musical como moda, criatividade, ele é uma das minhas maiores referências; o Pharrell acho foda também. Agora hoje em dia o Virgil é a ascensão da parada, com essa lance da Louis Vuitton, o que ele fez com a Off-White, enfim, ele é um cara referência pelo jeito que ele apoia a música dentro da moda.

Qual sua relação com tênis em geral?

Tênis pra mim é desde criança mesmo, quando eu tinha uns 14 anos o meu irmão me levou na Galeria do Rock pela primeira vez, eu era mais vileiro, nascido e criado em Grajaú. E nossa influência de lá não tem nada a ver com a galera de moda, mas meu irmão sempre quis me tirar dessa. Ele me levou na Galeria e falou “Esse aqui é um Air Force White/White, esse tênis aqui mudou minha vida, é o tênis que o Jay-Z usa, que o Notorious usou, enfim esse tênis é O Tênis”. Esse foi o meu primeiro tênis foda que tive, pensava “Esse aqui é além, tá ligado? Tênis é um bagulho fora de série” e de lá pra cá, meu pai que o diga, hoje em dia graças a Deus é a gente que banca, mas é um gasto infinito.

O pessoal fala que eu sou viciado nisso, mas pô, não sou. É um negócio que vai além de vício, é uma cultura, é a cultura sneakerhead. Hoje em dia virou moda, só que pra gente que realmente vive disso, não é moda, é um estilo de vida. 

Você se considera um sneakerhead?

Eu não me considero um sneakerhead, diria que sou um amador de tênis, mas acho que tem muitos caras fodas que realmente são sneakerheads. Já cheguei a ter mais de 100 pares de tênis e hoje em dia sou patrocinado pela Adidas, então acabei me desligando de outras marcas, porque pô, como vocês sabem, se o tênis fica 1 ano guardado ali ele começa a ficar feio, estourar o solado, começa a dar hidrólise, perdi um Jodan IV Chicago assim.

Às vezes lança um tênis que eu preciso ter ele no momento, porque ele vai ser bom pra minha imagem, pelo que eu passo para as pessoas, para meus fãs, gosto realmente disso. Já dei muito tênis antigo para outras pessoas que precisam, tenho na cabeça também de fazer um projeto social lá no Grajaú relacionado a cultura de roupa e tênis, com doações. Acho que sneakerhead é pra quem tem mais essa brisa de guardar as paradas antigas – óbvio que tem uns tênis que você é muito apegado, você não vai desfazer dele de jeito nenhum.

As principais collabs de tênis que curto são as com músicos; meu primeiro Yeezy, o Turtle Dove, não vou vender ele nunca. O Tênis do Kendrick, um cara que eu acho fora de série, que tenho tatuagem, tenho o tênis dele e nunca usei, tá guardado na caixinha de acrílico – até brinco com a minha namorada que quando a gente for casar, eu vou casar com esse tênis (risos). Mas não, não me considero um sneakerhead, me considero um DJ que é apaixonado pela cultura de tênis. 

Qual sua relação específica com esse Stan Smith?

Eu escolhi esse tênis pelo real motivo dele, óbvio por ser Adidas né galera (risos), três listras ai pra sempre (risos). Mas hoje em dia tenho curtido mais esse lance da moda mais clean, mais básico e eu acho que o Stan Smith passa muito isso de ser um tênis básico que combina com tudo. Esse aqui foge um pouco do básico por ter essa cor, uma das minhas cores preferidas e o lance dele ser inteiro refletivo também – antigamente isso era meio escroto né, a parada refletir, era nada a ver, mas hoje em dia é uma parada muito foda.

Eu nunca tinha saído do país e em 2016 fui pra Amsterdam, que é um lugar que eu sempre quis conhecer. Fiquei garimpando lá nas lojas e vi esse Stan Smith, achei muito foda e não vou me desfazer nunca sabe. Eu não queria passar esse lance de ser um tênis hype ou caro, que não sei o que, eu queria uma parada que fosse diferente, de um modelo de tênis que eu curta muito. 

Você tem alguma história vivida com ele que te marcou?

Eu estava com ele no show do Skepta! Foi na Holanda, em Amsterdam e dei sorte de pegar um show dele em turnê – comprei esse tênis lá, era novo e já usei. Inclusive, já fui em muito show gringo que eu curto, mas o dele foi o mais foda. Quem não sabe quem é o Skepta, procure saber! Ele é do Grime de Londres, é uma referência – acho que foi um momento muito foda e eu estava com esse tênis. Foi irado demais. 

Adidas Originals Stan Smith Adicolor Reflective
Dono:@gustavotreze
Comprado: 2016
📸  @vmanduchi