FOTOS POR VINICIUS MARTIN

BEA: “Tenho 27 anos e trabalho com publicidade. Comecei a trabalhar em agência com marcas de tênis em 2015 e já trabalhei com a AsicsAsics TigerOnitsuka TigerConverse e Crocs, para dar uma equilibrada (risos). Fui community manager da Nike quando fiz o projeto da Casa Air Max de 2017, que foi excelente, incrível, desafiador e muito intenso. Depois saí da agência e fui trabalhar na Artwalk, então sempre trabalhei com tênis e quando tentei não trabalhar com isso eu não gostei – durei 1 mês na empresa. Mas é isso… eu gosto de tênis (risos).”

KYM: “Tenho 26 anos, sou formado em design gráfico e comecei trabalhando como desenvolvedor de produto aos 18 anos na DC Shoes. Nessa época eu já vivia um pouco na cultura sneakerhead com alguns pares de nada muito especial, mas já tinha isso estabelecido na minha cabeça, eu mais juntava tênis do que colecionava. Depois da minha experiência na DC, em 2015 eu fui como desenvolvedor de produto na Quiksilver, nesse mesmo tempo me formei. Saí de lá depois de 3 anos, fiquei um tempo parado e depois fui trabalhar na Your ID e estou lá até hoje. Faço um pouco de tudo: Campanhas, produção de marca própria, redes sociais, direção de arte, enfim, o que envolve a Your Id a gente faz.

Fui também aprendiz de arte do artista plástico e grafiteiro Flip por quase 2 anos. Eu pagava contas, lavava o banheiro, pintava o que tinha que pintar, comprava material e etc. A gente teve um vínculo muito forte de mestre e aprendiz, sabe? Ele é meu amigão até hoje, as vezes a gente se tromba lá no Centro. Eu pinto as vezes, acabei fazendo design porque achei que era uma oportunidade de expandir essa minha visão de arte.”

Como vocês se conheceram?

KYM: Ela adora contar essa história (risos).

BEA: Eu acho fofo! A gente estudou na mesma escola e éramos amigos. Ele estava no 1º ano e eu no 2º ano do colegial, nós dois tinhamos uma amiga em comum, então a gente não estava sempre juntos mas gostávamos muito das mesmas coisas… Eu nunca esqueço do CD do Guru’s Jazzmatazz que eu emprestei pra ele.

KYM: Eu te devolvi?

BEA: Sim, você era muito bonzinho (risos). Nós éramos amiguinhos assim, quase rolou uns flertes na época do colégio mas nada aconteceu. Depois de um tempo a gente se encontrou no aniversário dessa nossa amiga, a gente ficou, depois disso não nos largamos mais.

Quando e como suas relações com tênis começaram?

KYM: O meu foi um Dunk Low em 2005 na loja da Maze da Augusta, foi o primeiro que eu realmente vi, curti e meu pai acabou me dando. Em 2003 eu tinha um tênis pra sair e outro pra ir na escola – acho que por isso que hoje em dia eu tenho essa coisa de ter muitos tênis e não querer repetir, essa fase durou bastante tempo. Depois que a gente foi morar sozinho, que deu várias merdas eu abri mão de tudo – hoje eu só tenho aquilo que uso e sei que vou usar. Se eu olhar para algum par achando que não vou usar tanto, eu já me desfaço, vendo, troco, já dou um jeito.

Hoje meu tênis preferido é o Vans Old Skool porque sei que vou comprar agora, colocar no pé e sei que não vou ficar com dó de estragar ou sujar. Eu uso tudo e ela fica brava comigo porque eu uso tênis sujo (risos).

BEA: O meu foi um Gel Lyte V x Naked ‘Hafnia’. Na época a gente tava bem ferrado de grana, eu já trabalhava na marca e não sabia como fazer pra pegar ele. No final das contas elas não venderam mas eu acabei ganhando o tênis. Foi muito legal, foi o melhor presente de Natal. A partir desse tênis que eu fui atrás pra pesquisar sobre a história dele, contexto e saber um pouco mais.

Uma vez ganhei o Air Jordan XI Space Jam de aniversário mas fiquei super chateada porque não veio a caixa do Space Jam, veio com uma batida da Jordan – eu queria comprar só por causa da caixa! Amo esse filme, acho que é o meu filme favorito e na época eu trabalhava na Nike, falei com eles “Como é que vocês mandam um negócio sem caixa?!” e tudo isso porque o meu Jordan era numeração infantil.

KYM: A numeração de criança não tem o mesmo trabalho que tem em uma colaboração para adultos.

BEA: Fiquei muito chateada porque não é um tênis qualquer, é um tênis foda!

Vocês se consideram sneakerheads?

KYM: Hoje em dia acho que a palavra “sneakerhead” é quase pejorativa. Gosto de falar que você não necessariamente precisa ter pra você saber e conhecer. Hoje eu entendo, falo, tenho aquele programa na Your ID e não necessariamente tudo que eu falo, eu tenho ou gosto. Mas acho que sou sneakerhead sim, mesmo que a gente não consuma tanto a gente sempre tá sabendo de tudo – seja por causa do trabalho ou curiosidade. Quase todos os nossos amigos são desse rolê, os que frequentam a nossa casa são com certeza desse rolê.

BEA: A gente consome a cultura de um jeito muito saudável.

KYM: As vezes é muito mais legal falar do tênis do que ter ele. Acho que a gente é muito mais sneakerheads do que colecionadores.

Vieram somente 96 pares do Air Max ‘Master’, qual foi a história de vocês para conseguirem comprar ele?

KYM: Era uma 5ª feira e estavam rolando várias ações para comemorar o mês do Air Max, nesse dia estava rolando uma festa na Guadalupe. Saí do trabalho com um amigo e a gente foi pra lá, eu queria muito pegar esse tênis e quando cheguei lá uns conhecidos meus me avisaram que a fila já tinha fechado mas que tinha uma outra começando na Maze. Nem entramos na festa, fomos pra lá e quando chegamos não tinha ninguém na fila, então nós fomos os primeiros – ficamos de 5ª feira até sábado de manhã na fila. Quando começou a chegar um outro pessoal, liguei para alguns amigos meus pra gente não ficar sozinho e aí fomos formando. Foi uma fila bem engraçada e tensa ao mesmo tempo porque eu não aguentava mais. Hoje em dia eu dificilmente vou pegar fila, só se for algo que realmente vale a pena.

BEA: Eu cheguei lá de noite porque estava trabalhando na casa Air Max – foi bem no final de semana que ia abrir a casa. Fui pra fila sem saber se ia comprar o tênis porque eu não tinha a grana, mas acabei entrando no lugar de um amigo do Kym, fui a última e peguei o último tênis que sobrou, que no caso era do meu tamanho, foi muito bizarro. Foi muito legal também porque eu estava em um momento muito intenso, foi uma realização muito grande, foi bem foda viver tudo isso.

Depois, o dono da agência que eu trabalhava veio para o Brasil – ele que projetou e criou a sala 360º que tinha na casa, ele é muito bom. Durante a reunião ele perguntou se tinha alguém que gostava muito de tênis trabalhando no projeto e eu levantei a mão com o Master no pé. Foi muito especial, pessoal e profissionalmente.

Quando a gente se mudou a gente passou por muitas dificuldades, foi bem bizarro, aí quando compramos o Master, a gente nem percebeu, mas foi a época que conseguimos de fato viver normalmente, pagando as contas e tendo algum tipo de prazer nas coisas.

KYM: Esse é o único tênis que temos, hoje, que a gente não venderia e não trocaria de jeito nenhum.

Nike Air Max 1 ‘Master’
Donos:
@beapartington e @kymkobayashi
Comprados: 2017
📸 @viniciuspontomartin