FOTOS POR PEROLA DUTRA

“É difícil definir o que faço, pois são muitas coisas. Trabalho com sapataria, sou editora de um blog chamado Neaaaws, tenho um coletivo com um pessoal que eu saia pro rolê e agora virou uma marca, a Gangue da Pochete – sai todo mundo junto, sempre, em qualquer lugar, desde um risca faca até um Fran’s Café. A gente já fez patches, adesivos, bottom…deu uma brecada agora, mas vamos voltar! Sempre estive envolvida com a cultura de rua, já cantei, agora quero virar DJ, e além de tudo isso, espero que o blog vá para frente.”

O que é o Neaaaws? O que vocês falam nele?

É um blog que faço junto com um grande amigo meu, o Neto – ele é publicitário, meio doido e sempre tem várias ideias louca. Temos a ideia de fazer o blog com um canal e podcast. A ideia não era fazer um blog e sim um portal com várias ramificações, com várias vertentes, mas agora a gente está tentando focar em fazer o podcast. A minha idéia é fazer entrevistas com pessoas que a gente conhece, os nossos amigos e mostrar o talento deles – temos amigos produtor, beatmaker, fotógrafo, videomaker, artista, grafiteiro, dançarino. Tem um monte de gente que faz um monte de coisa, mas são todos amigos de rolê, a galera nunca se uniu pra juntar forças e fazer um negócio acontecer sabe? Acho que o Neaaaws vai trazer isso porque lá eu e ele conseguimos transcrever o que sentimos, a gente consegue escrever bem e passar o sentimento que temos pelas coisas.

Por exemplo, queremos falar de comida para pessoas que gostam de comer e não querem procurar restaurante 5 estrelas. As pessoas sempre me pedem indicação de algum lugar legal e eu sei de várias dicas baratas que o pessoal está sempre indo. Não porque as pessoas me vêem como modelo de algo, elas só acham que os lugares que vou e as coisas que faço são sempre muito legais, em alguns lugares bem “x” da cidade.

Qual sua relação com tênis em geral?

De amor, afeto e carinho (risos).

Você lembra quando sua relação com os tênis começou?

Eu lembro exatamente, foi em Outubro, na época das eleições e eu tinha uns 14 anos, mas antes disso eu já fazia coleção de All Star. Eu e minha mãe éramos sapateiras lá em São Bernardo, a gente pegava todas as lojas da Marechal e fazíamos conserto de todo mundo por ali. Uma delas era a Pixolé, os sapatos expostos na vitrine ficavam desbotados, então eles davam pra gente revitalizar. Quando não tinha jeito, que normalmente acontecia com os All Stars, ou eles davam pra gente ou nos vendiam por um preço muito barato. Foi aí que comecei minha coleção de All Star!

Mas quando eu realmente me apaixonei pela cultura sneaker foi por volta dos 14 anos, com um Reebok Freestyle Hi. Comprei ele em uma Besni, por 150 reais, branco, perolado, com uns detalhes em vermelho – ele era maravilhoso! Eu usava muito, tive que colar algumas partes, remendar e pintar, até que um belo dia ele sumiu do meu quintal logo depois de um aniversário. Depois de um tempo eu comecei a pensar e percebi que minha mãe estava com raiva de eu usar ele todo destruído, ela não me falou nada até hoje, mas acho que foi ela mesmo que jogou o tênis fora. Foi uma grande perda e nunca mais achei o mesmo.

Depois disso eu comecei a ser frequentadora assídua de outlets, tinha o da Adidas e da Nike na Marechal, as vezes eu ia no Shopping Light também. Comecei com o Dunk, usando ele de besta, porque era muito duro e machucava o pé. Mais tarde voltei pro All Star e depois, quando me mudei para Santo Amaro, eu só ia no outlet da Adidas. Sempre gostei de ficar lendo para saber mais dos tênis, assim que descobri o Reebok Classic da Mulher Maravilha; o do Keith Haring que a Beyoncé tem, que é um de cada cor, ai meu Deus.

Você se considera uma sneakerhead?

O meu conceito é que sneakerhead é aquela pessoa que realmente gosta de tênis – não necessariamente quem tem uma grande coleção, Às vezes você tem muito apego por 3 pares, 13 pares ou até 40. Mesmo estando num hiato de compras, eu nunca parei de ficar vendo tênis, vendo fotos, lançamentos, mesmo sabendo que eu não podia comprar. Mas eu me considero sim uma sneakerhead, já cheguei a sonhar com tênis!

Qual sua relação específica com esse Nike M2K Tekno?

Ele foi um marco na minha volta – voltei a trabalhar, independência financeira, aquelas coisas e porque foi amor à primeira vista. Logo que vi a foto dele percebi que precisava de um, se eu não tivesse comprado acho que eu estaria chorando (risos). Foi o que aconteceu com o Adidas Falcon, eu queria muito, não comprei e estou sofrendo até agora. Eu amo esse M2K porque acho ele lindo e de um estilo totalmente diferente de todos os tênis que tenho. Até então, eu tinha muitos estilo running e All Star, além de que ele combina muito mais comigo na fase que estou agora, tá ornando (risos).

Mesmo ele sendo bem novo, você tem alguma história com ele?

Fui na Discopédia e inventei de beber antes de entrar, bebi algo muito rápido e muito forte, e quando entrei, continuei bebendo. Na hora de sair passei com a minha amiga no tiozinho do Yakisoba e peguei dois, eu estava levando ele na sacolinha já trançando as pernas.  Chegamos na casa dela, comemos e fomos dormir. No outro dia, acordei e vi que minha calça tinha uns pinguinhos sujos, mas quando eu olhei o meu tênis ele tava tomado de soyo! Super sujo, na parte de tecido, em tudo mesmo. Ele ficou uns dias em casa encostado, mas aí quando marcamos o ensaio de hoje eu parei para limpar (risos).

Nike M2K Tekno
Dona: @peroli
Comprado: 2018
📸 @peroladutra