FOTOS POR JULIO NERY 

“Sou o Rafael Americo e tenho 26 anos. Sou ator, designer, músico e trabalho na Puma… O que mais que sou? Eu sou um monte de coisas, mas no final do dia sou só o Rafa.”

Você lembra quando começou o seu interesse por moda?
Meu interesse por moda começou quando eu estava morando em Londres e foi quando entendi o que era moda de verdade. Infelizmente a sociedade no Brasil nos deixa travados e nos impõe tantos limites e padrões que a gente fica bloqueado, em um limbo que não nos deixa enxergar além, de um modo diferente, saca? Isso acontece tanto na moda como em outras vertentes artísticas. Então quando fui para Londres, pude entender que existia um mundo onde eu podia ser o que eu queria, na hora que queria, e que era permitido eu me vestir da maneira que eu bem entendesse sem medo de que alguém fosse falar qualquer coisa. E se falarem, deixa que falem, incomodar é legal. Ir para lá me abriu a cabeça pra moda e para referências artísticas em um nível gigantesco. 

Você tem planos de algum dia seguir nessa carreira?

Eu já tive milhares de marcas, mas nenhuma saiu do papel de fato. E que bom que não saíram pois eram todas péssimas. Hoje em dia já existem tantas marcas fodas por ai fora, brasileiras inclusive, que me pergunto como é que se cria uma marca que se diferencia de alguma forma, tanto em estilo como em modelo de consumo. Enquanto não encontrar esta fórmula sigo matutando, mas penso sim um dia ter a minha própria marca, a moda está muito em mim. 

Você está na Puma Brasil há quase quatro anos. Qual caminho você percorreu para entrar lá?

A minha história na Puma começou em 2012, que foi logo depois de eu ter voltado de A minha história na Puma começou em 2012, logo depois de eu ter voltado de Londres. Fiz uma entrevista lá dois meses após o meu retorno e fui até a fase final do processo mas acabei não passando por falta de experiência. Fiquei um pouco chateado porque eu queria muito, mas hoje acredito que foi a melhor coisa que aconteceu e segui a minha vida. Estagiei em outras empresas, como o Yahoo! e MTV e exatamente um ano depois eles entraram em contato comigo falando que lembravam de mim, que tinha curtido o meu perfil e queriam conversar comigo novamente porque a vaga estava aberta. Fui até lá, troquei uma ideia com eles e então desde então trabalho para a Puma. 

É muito louco observar o crescimento da marca e as mudanças que aconteceram nestes anos, tanto internamente quanto no mercado de sneakers em geral. Eu entrei justamente durante uma fase de reposicionamento e mudança de mindset, consegui acompanhar bem a Puma renovando os designers e designs dos tênis, repensando as cores, os modelos, a maneira de comunicar os produtos, fechando os embaixadores e resgatando produtos antigos. Isso tanto em âmbito global quanto nacional, hoje em dia você sai na rua e vê Puma Suede, Basket, Creeper, coisa que antigamente você só via o Puma Disc – eu não trabalhava com o Puma Disc, só com o Puma Suede (risos). Mas hoje eu vejo muito o Suede, isso é bem satisfatório, sinto que meu trabalho e de toda a equipe está funcionando. Para mim, o grande segredo da Puma é a autenticidade da marca, é assim que ela ganha das outras.

O Tsugi para mim é um dos melhores designs da Puma hoje, mas o Suede ainda é o meu preferido, esse ano ele completa 50 anos e está na história dele transitar em todas as tribos possíveis. Começou como um tênis de corrida, estava no pódio com o Tommie Smith nas Olimpíadas de 1968 enquanto ele fazia o símbolo do movimento Black Power. O tênis tinha uma sola diferente, própria para corrida e que com o tempo sofreu algumas mudanças e recebeu esse solado que tem hoje. Depois transitou pelos os skatistas, os bboy’s, os grafiteiros, a cena de eletrônico da Europa, dentre outras, é um tênis híbrido, ele vai entrando e vai ficando. É totalmente atemporal, eu acredito que daqui 50 anos esse tênis ainda vai fazer sentido. 

Qual a sua relação com tênis no geral?

Tênis foi algo que sempre usei, esteve muito presente em toda a minha vida, além de que sempre gostei dos tênis mais diferentões. Lembro que quando eu estava na 4ª série, comprei uma chuteira laranja e minha mãe me perguntou “Moleque você vai usar isso?” e eu disse “Mãe, pode pá”, até hoje é assim (risos). Uma semana depois todos os moleques da escola estavam usando a mesma chuteira, foi muito dahora.

Fui ter o primeiro tênis de marca muito tempo depois, mas eu tinha os Rainhas mais legais, tinha as chuteirinhas da Topper mais diferentes, sempre curti ter os tênis diferenciados. 

Mais tarde tive a minha época sneakerhead, em que eu comprava tênis adoidado, não sei nem se posso me considerar sneakerhead mas eu tinha lá minha coleção de tênis. Hoje em dia estou mais consciente e minimalista, tenho o que uso e se não uso faço uma doação ou vendo. Mas tênis é igual cueca – tem que ter e tem que ter vários (risos) e não dá pra sair de casa sem. 

A gente fez o ensaio no seu novo apartamento, o que esse lugar representa pra você?

Indiquei essa locação porque eu estou passando por um período de profundas mudanças, internas e externas, na minha vida e eu queria realmente registrar esse momento. Então esse apartamento vai ser a minha moradia nos próximos anos e eu acho que esse é o lugar perfeito para falarmos de história – estou começando uma nova história aqui. 

Porque você escolheu esse Puma Suede para o ensaio de hoje? 

O Puma Suede esteve muito presente nesses últimos anos da minha vida, eu sempre usei e é o meu tênis favorito da Puma – dá pra usar com tudo e é muito confortável. Mas esse em específico eu escolhi porque fiz uma Eurotrip de 20 dias e ele foi o meu companheiro na chuva, no sol, na praia, em tudo. Esse em específico tem uma puta história, por mais que ele tenha 2 meses de uso e já esteja todo destruído, ele tá bonito e tem toda essa história com ele. Ele passou por tudo comigo. 

Você tem alguma história com ele durante a viagem?

Teve um dia que eu decidi sair de bota, estava em Berlim e andei muito, mas muito mesmo. Voltei com o pé fodido, tive bolha e tudo mais. Depois disso eu dei um valor de companheiro pra ele, eu nunca devia ter saído de casa sem ele (risos). 

Puma Suede
Dono: @rafamericorafa
Comprado: 2018
📸 @julioneryy