Fomos até o atelier da TND Sneakers para conversar com o Thiago, fundador e dono da TND – uma das empresas de customizações mais conhecidas no Brasil.

Se hoje em dia, a TND está onde está, é pela dedicação, qualidade e honestidade que o Thiago e todos na TND colocam em cada trabalho que fazem. De tantas customizações incríveis que já fizeram, o destaque fica para o Nike Air Force 1 do Toy Story.

O modelo customizado com a temática dos personagens da animação, Buzz Lightyears e Woody, chamou a atenção do Marcos Mion que pediu uma versão única do modelo com alguns detalhes especiais. Uma vez que o tênis apareceu em seu Instagram, ele viralizou e ganhou exposição não só pelo Brasil, mas pelo mundo todo.

Mesmo já tendo feito grandes trabalhos com Nike, adidas, e customizações para celebridades e jogadores, o Toy Story ainda é a customização mais pedida entre os clientes.

Para a sua entrevista com o Kickstory, o Thiago pensou em algo um pouco diferente. Compramos um AF1 branco e como forma de contar a história da TND, ganhamos de presente essa customização incrível e que fez a TND decolar de vez.
FOTOS POR JULIO NERY

“Meu nome é Thiago e tenho 36 anos. Sou casado com a Nicolli, que é minha companheira e sócia também, aqui na TND, e tenho duas filhas que é a Dudinha – Maria Eduarda, e a Tetê – a Ana Teresa. A TND surgiu meio como uma válvula de escape, na questão financeira, em 2017 quando eu fui mandado embora da empresa que eu trabalhava há 10 anos…eu fui mandado embora por justa causa sem motivo nenhum, tive que entrar com processo e tal.

Mas a minha história com restauração e customização de tênis começou mesmo entre o final de 2014 e o começo de 2015, porque eu queria fazer uma renda complementar do meu trabalho. E começou a dar certo. Eu fazia bastante para os amigos, aí depois eu comecei a distribuir cartões no centro de São Paulo, na Galeria do Rock, nos Shoppings. No começo eu virava motivo de piada, que é normal né, ninguém acreditava que isso ia dar em alguma coisa. Até amigos próximos mesmo que tiravam sarro: “vai largar sua profissão pra virar sapateiro?”. Tipo, é uma zoação, mas magoa quando você tá começando. Até eu, acho que se eu tivesse do outro lado eu ia zoar também. (risos).

Mas foi isso, eu meio que tentava fazer a junção do meu trampo antigo com o dos tênis. Eu saía de casa às 5:30 da manhã pra ir trabalhar lá na Mooca, voltava do trabalho às 7:00 da noite, e ficava nos tênis até umas 3:00 da manhã. Eu dormia 2 horas por dia, todos os dias, pra começar a virar no começo. Foi nessa época que começou a virar legal. Às vezes rolava briga com a minha mulher, que é normal né, muito trabalho, eu acabava ficando pouco tempo com as meninas e com a Nicolli.

Até hoje às vezes eu deixo de ficar com as minhas filhas pra fazer esse trabalho, que hoje em dia é o que traz o pão pra dentro de casa, a única renda que a gente tem é essa. A Nicolli trabalhou no serviço público durante 10 anos também, e aí chegou uma hora que a gente viu que não tinha como colocar qualquer pessoa aqui pra me ajudar, tinha que ter alguém de confiança. Aí foi a época que ela saiu da USP, para ficar só na TND. E hoje em dia a gente vive disso. Uma coisa que ninguém acreditava lá atrás e hoje em dia tá tendo um retorno muito legal.”

NO COMEÇO EU QUERIA FAZER TUDO – MAS QUANDO A GENTE QUER FAZER TUDO, A GENTE ACABA NÃO CONSEGUINDO FAZER NADA. NO COMEÇO EU FAZIA OS TÊNIS, EU QUERIA ENTREGAR, FAZER PROJETO, E NOSSA, SAÍA UM NEGÓCIO MUITO HORRÍVEL, A QUALIDADE DO TRAMPO CAÍA PORQUE EU FICAVA MUITO SOBRECARREGADO. AÍ DEPOIS QUE EU TIVE UM DIRECIONAMENTO LEGAL, COM PESSOAS PRA AJUDAR E QUE SÃO DE CONFIANÇA, O TRABALHO COMEÇOU A FLUIR MAIS.

Qual foi a parte mais difícil no processo de começar o TND?
Organizar as coisas. Hoje a Nicolli que cuida do financeiro, ela é a dona do dinheiro, ela que manda (risos). E eu fico ali na parte da customização. No começo eu queria fazer tudo – mas quando a gente quer fazer tudo, a gente acaba não conseguindo fazer nada. No começo eu fazia os tênis, eu queria entregar, fazer projeto, e nossa, saía um negócio muito horrível, a qualidade do trampo caía porque eu ficava muito sobrecarregado. Aí depois que eu tive um direcionamento legal, com pessoas pra ajudar e que são de confiança, o trabalho começou a fluir mais.

E o que você faz exatamente no TND?
Uma vez eu falei que eu faço desenho em tênis, aí um cliente me corrigiu, deu o maior sermão “mano, cê não faz desenho em tênis, cê faz arte. Isso que você faz num tênis é arte. São poucos que conseguem fazer isso, não deixa de valorizar o seu trabalho, ele é muito legal. Você traz vida ao tênis, traz uma história pra gente contar lá na frente, é uma lembrança muito boa”. Então o TND é um ateliê de customização e arte em tênis. Hoje em dia acho que é um dos mais conhecidos por aí, do território nacional pelo menos.

Hoje alguns customizadores falam que começaram a fazer esse tipo de trampo por causa da gente. É muito satisfatório, eu fico super feliz. Tudo isso foi uma parada que eu nunca nem acreditava que ia ser tão grande. Eu acho que a gente é pequeno ainda, só que de quando começamos pra agora, mano, a gente tá grande. 


E quando começou sua paixão por arte e ilustração?
Na real, eu nunca fui muito ligado em desenho. Desenhar, mano, se eu te falar que eu não sabia fazer um bonequinho de pau, não to mentindo. Eu sempre trabalhei com desenho mecânico, desenho técnico, peças, Autocad, essas coisas, tudo no computador. Mas aí, quando eu vi esse negócio de customização em tênis lá na gringa, eu comecei a reparar que tinha coisas que os caras não desenhavam no free hand, eles usavam uma máquina de stencil. Aí eu falei “mano, não precisa saber desenhar para fazer uma custom“. 

Mais pra frente eu comprei a máquina e comecei a estudar na escola do YouTube (risos). O YouTube é a melhor escola que tem, tem tudo ali. Eu estudei, vi o que dava pra fazer, e aí comecei a pegar algumas coisas e a riscar nos meus tênis. Fui aperfeiçoando até dar certo.

Quantas pessoas fazem parte da TND?
No começo eu procurei pessoas que sabiam desenhar, em tela ou outra coisa, pra trabalhar comigo. Mas hoje a equipe é um amigo meu, um restaurador das antigas, um outro amigo meu que hoje trabalha com o Kobra, e o Leonardo também – então essas três pessoas são as que atualmente trabalham comigo na parte da customização, tem trabalho pra eles toda semana. Aí tem o Dinho, que me ajuda nas paradas aqui e o Luca que fica no Instagram às vezes e faz uns projetos pra mim no tablet. Quando o cliente entra em contato e fala o que quer, é o Luca que monta a arte em cima do tênis, manda pro cliente aprovar, e aí a customização começa.

Todo mundo conhece o nome TND, mas qual o significado das siglas?
Quando chegou a hora da gente montar o logo eu falei “quero com a sigla TND” – porque é o ‘T’ de Teresa, que é minha filha mais nova, ‘N’ de Nicolli e o ‘D’ de Duda. Essas são as três mulheres da minha vida, e também, as futuras herdeiras aí do TND (risos). 

A Teresa tem um futuro legal pra desenho. Ela adora e os seus traços já são bem legais, ela só tem 7 anos! E elas se envolvem com o nosso trabalho, tudo que vêem de tênis elas mandam pra mim (risos). Na escola a Dudinha fica falando “meu pai fez um tênis pro Léo Santana” (risos), é demais. O TND partiu de mim e eu realmente espero que elas levem isso daqui pra frente.

QUANDO CHEGOU A HORA DA GENTE MONTAR O LOGO EU FALEI “QUERO COM A SIGLA TND” – PORQUE É O ‘T’ DE TERESA, QUE É MINHA FILHA MAIS NOVA, ‘N’ DE NICOLLI E O ‘D’ DE DUDA. ESSAS SÃO AS TRÊS MULHERES DA MINHA VIDA, E TAMBÉM, AS FUTURAS HERDEIRAS AÍ DO TND (RISOS).

Qual foi o seu primeiro contato com tênis?
Eu sempre quis ter um tênis dahora e eu lembro exatamente quando. Eu tinha uns 14 anos, bem naquela época do Plasma, eu era doido pra ter um desse. Aí lembro que pedi pro meu pai, e ele falou “puta, esse tênis é muito caro, tem como te dar não, tem sua irmã agora também”. O tênis era caro mesmo na época. Pra mim nunca faltou nada, graças a Deus, mas também meu pai não tinha aquela condição de deixar eu pegar o tênis que eu queria. Era limitado, né?

Na época, lembro que ele estava desempregado. Eu estudava numa escola de informática, e o cara pagava uns 50 reais para entregar panfletos. Perguntei pro meu pai se eu podia fazer isso para comprar o tênis, e ele falou “ah não, vai trabalhar agora? Você tá no momento de estudar”. Mas mesmo assim eu fui, fiquei uns 3 ou 4 meses entregando panfletos, consegui uns 200 conto, mas ainda não tinha dado o dinheiro do tênis. No final, não consegui comprar o Plasma, mas meu pai me deu mais uns 100 e aí peguei um Reef verde com o solado marrom. Nossa, aquele tênis só faltava eu dormir com ele debaixo do lençol, de tanto que eu usava (risos). Eu lembro que eu fui na Tent Beach pra comprar esse tênis, nossa, mó alegria sair com a sacolona na mão, puts.

Depois disso eu entrei no SENAI e comecei a estagiar. Daí eu queria comprar uns tênis diferentes – eu tive um Nike, era tipo um Air Max 90. Esse também, eu lembro que fui na loja com o maior orgulho de comprar um tênis com o meu primeiro salário.

É muito legal acompanhar sua jornada e ver tudo que você já conquistou! Algum dia você se imaginou trabalhando com tênis?
Eu nunca imaginava que isso ia acontecer. Tanto é que eu fui meio que forçado a ter a profissão que eu tinha, porque meu pai era desenhista projetista, então ele falou “você vai fazer isso daqui. Mesmo você não querendo, você vai fazer” (risos). Aí eu pensei: tá bom né, não tem pra onde você correr. Fui, fiz, e gostava da minha antiga profissão, não tinha pra onde correr. Aí depois quando eu tava com uns 19 anos eu fui fazer o tecnólogo no SENAC, fiquei 2 anos lá. Lá eu aprendi muitas coisas e comecei a gostar um pouco mais, me envolver com outras paradas além do meu trampo. Isso abriu muito a minha mente pra outras coisas, lá eu aprendi bastante sobre a história da arte, mostrou várias vertentes, acho que foi aí que despertou o meu interesse por essa área. 

Enquanto isso, eu olhava o pessoal fazendo restauração, mas eu quase não via alguém fazer desenho aqui no Brasil. A Maíra Botelho, da Pimp My Sneakers, fazia mais restauração, mas tinha uns trabalhos com desenhos. Falei puta, mano, quero fazer isso. Quero vir diferente de tudo que tem aí no mercado. E achei uma oportunidade. Hoje o mercado tá saturado de restaurador, mas alguém que customiza com desenho, com foto realista, essas coisas? Não tinha muito, então a gente conseguiu dar uma destacada. Eu investi e no final deu certo.

No atelier da TND tem referências de basquete e posters do Michael Jordan. Esse universo do basquete teve alguma influência no que você faz hoje?
Eu nunca fui ligado 100% em basquete, mas eu sempre soube da história do cara. E puta mano, negrão aí destacado, ganhando de tudo, eu sempre foquei nisso. Mesma coisa do Hamilton, o cara é minoria e se destaca, saca? Outra pessoa também que eu admiro, que vocês fizeram até entrevista com ele esses dias: o Diego. Eu sou fã dele, eu o acompanho há muito tempo. A gente veio da periferia, querendo ou não se for pensar, a gente veio de “baixo” e hoje a gente tá conseguindo alcançar grandes coisas. E mesma coisa do Michael Jordan, ele não era rico, ele veio se destacando, e hoje o cara é referência número um do basquete.

E sobre esse Air Jordan IV que eu to usando, a questão é: eu gosto de comprar tênis na loja. No dia que eu peguei esse aqui, eu tava com a Nicolli no Centro, e ela perguntou “você viu que saiu o Bred?” E eu nem tava procurando. Aí entramos em uma loja e o cara falou “tem um 41 aqui, mas tem um pessoal aí que é revendedor e tá vindo pra cá pegar os últimos pares”. Eu fiquei, puts mano, na época custava 799 reais, mas eu queria muito pegar. A Nicolli falou “pega, você nem tem tênis, você trabalha com isso e anda com o tênis todo lascado”. E aí eu comprei porque era uma parada que eu tinha muita vontade de ter. Esse aqui eu só uso pra ocasiões especiais. Eu nem fico comprando tênis. Ano passado eu ganhei dois da Artwalk no meu aniversário, eu nunca tinha ganhado nada, achei bem daora, foi o meu melhor aniversário.

EU TINHA EM MÉDIA 10 TRAMPOS POR MÊS, E COM ELE MENCIONANDO, VIROU COISA DE OURO MANO, MÉDIA DE 50 TRAMPOS POR MÊS. NOSSA FOI UM ABSURDO, EU FIQUEI DESESPERADO (RISOS). NOSSA DM COM UM MONTE DE GENTE CHAMANDO AQUI SEM PARAR. ERA MUITO TRAMPO. E 90% DOS PEDIDOS ERA TOY STORY, PORQUE OS CARAS QUERIAM TER O TÊNIS IGUAL AO DO MION.

Você já fez trabalhos muito incríveis e customizações impressionantes. Por que você escolheu a do Toy Story para contar sua história no Kickstory?
Por que esse é bem especial. Mas a história é, uma vez eu fiz um tênis pra o João, que é vizinho do Marcos Mion, ele gostou e depois levou mais três tênis para customizar. Aí no último tênis que ele foi pegar comigo, João falou “mano, tem um cara aí que tá te observando, não vou falar quem é…ele pediu pra eu não falar nada, pra você não ficar empolgado.” Logo em seguida eu vi que o Marcos Mion começou a seguir. Aí pensei “caramba, o Marcos Mion seguiu aqui…ele deve tá vendo alguma coisa mas nunca vai pedir nada não, até parece”.

Um tempo depois, o João falou que o Marcos queria fazer um trampo comigo e que ele tinha passado o meu número para ele. A partir daquele dia eu nem dormi tio, só esperando a mensagem do Mion, nossa, eu parecia um louco aqui. Aí do nada ele manda “e aí brother, beleza? Aqui é o Mion, o Marcos. Mano, eu quero fazer uns trampo com você, mas é o seguinte: eu vou te pagar, você vai fazer o trampo pra mim, mas não quero que você divulgue e eu não vou te divulgar, beleza?”. Falei “não, tranquilo mano.” Não babei ovo nem nada, mas fiquei muito empolgado. Ele falou “eu achei fantástica a ideia do Toy Story que você fez. Eu quero um pra mim mas tem que ser único – quero um que ninguém vai ter. Monta um projeto aí e me manda.” Eu fiquei felizão! A gente montou um projeto, colocamos as cores onde ele queria e aí mandamos pra ele. “É isso mesmo que eu quero. Me faz um também daquele filme do Wesley Snipes, ‘Homens Brancos Não Sabem Enterrar’. E o terceiro vai ser o do Rocky Balboa. Me manda aí primeiro do Toy Story e o resto depois. Vê quanto dá tudo e eu te transfiro depois.” Aí eu falei “Mano, depois eu te passo, a gente acerta isso no final.”

Comprei o tênis mó empolgado, “pô, vou fazer um tênis pro Mion”, e aí comecei a fazer. Quando acabei, ele mandou o motorista dele buscar os três tênis. Aí… nada. Ele não falou nada mas eu também não cobrei, não quero ser indelicado. Aí passou uma semana, duas, três. Mano, quase um mês. Pensei “ah mano, esse cara não vai pagar não”. Aí, do nada, tem uma postagem dele no Instagram do Toy Story, mas ele não me marcou. Nos comentários, a galera lá em peso “ei! marca o cara, dá os créditos pro artista”. Aí beleza, passou mais duas semanas, ele postou um vídeo falando do tênis do ‘Homens Brancos Não Sabem Enterrar’ e do Toy Story. Na mesma semana ele soltou o vídeo do YouTube, e lá ele cita a gente. Aí estourou, mano. Eu tinha em média 10 trampos por mês, e com ele mencionando, virou coisa de ouro mano, média de 50 trampos por mês. Nossa foi um absurdo, eu fiquei desesperado (risos). Nossa DM com um monte de gente chamando aqui sem parar. Era muito trampo. E 90% dos pedidos era Toy Story, porque os caras queriam ter o tênis igual ao do Mion. E o bom foi que na época o Force tava baratinho, eu conseguia pegar essas promoção de você compra 1 e o outro sai com 50% de desconto. Eu pagava R$190 no Force às vezes.

E no final ele te pagou ou não?
A divulgação dele mudou tudo. Pelo conceito que ele tem na cena de sneaker, ele abraça várias comunidades, foi muita gente pedir. Depois disso, um monte de famosos, jogadores, começaram a pedir também…e aí eu comecei a ter mais visibilidade nas marcas também. Nesse mesmo ano, eu fui chamado pra fazer as chuteiras na final do Corinthians e Palmeiras. E eu sou Corinthiano, tá ligado? Nossa senhora, você não imagina minha emoção. A adidas me ligou, falando “a gente viu seu trabalho, você que fez o tênis do Marcos Mion, né? A gente tem que fazer um projeto pra final do Campeonato Paulista. Você aceita, consegue fazer esse trabalho? Tá com muita urgência.” Eu topei na hora. Era pra fazer uma chuteira pro Felipe Melo, pro Lucas Lima e uma pro Rodriguinho – que na época os caras chamavam de Reidriguinho (risos).

Quando ficou pronto a gente foi entregar lá pro Rodriguinho, tirei foto com ele lá, conheci o CT. Fomos lá no Palmeiras também, só que não podia entrar, os caras pegaram na portaria. Aí a do Felipe Melo não foi feita porque ele foi expulso no primeiro jogo, aí cancelaram. Teve o jogo da final e o que aconteceu? O Lucas Lima errou o pênalti e o Rodriguinho fez o gol do título! Aí o Rodriguinho mesmo me ligou uns dia depois falando “Mano, eu quero que você faça mais duas chuteiras, eu sou muito supersticioso. Eu vou pra Grécia e quero levar as chuteiras comigo”.

Agora os caras lá dentro já me conhecem, tudo que é chuteira do Corinthians eu que faço. Hoje em dia o Cassião, meu parceirão falou: “mano, tenho umas chuteiras aqui pra te mandar. Mas quando você for trazer, você traz aqui, aí você fica um pouco no CT assistindo o treino”. Daora mano, muito prazeroso. Eu fiz muita chuteira pro pessoal do Corinthians, a maioria daquela época de 2017, foi eu fiz, porque todo mundo queria alguma coisa na chuteira, nem que fosse só um nomezinho na lateral, ou nome da filha, da mulher, do filho.

Mas hoje, o que eu tenho mais contato ainda é o Cássio. Vira e mexe ele me manda uma chuteira pra colocar um salmo, que ele é bem religioso, e as iniciais da família dele. Sempre. Aí dessa última vez que eu fiz as chuteiras pra ele, ele falou “Mano, minha camisa e luva aqui para você, assinada”. QUÊ? Nossa senhora, mano. Já até preparei o quadro pra por a camisa, e a luva em um acrílico. Muito foda.

Qual foi uma outra customização super especial para você? 
Nessa mesma época da final do Paulista, as marcas começaram a me procurar. E a Nike foi uma delas. “Mano, o Bruxo, Ronaldinho Gaúcho, vai fazer 35 anos, e a gente quer dar de presente dois tênis pra ele. Você consegue fazer?”. Eu falei “O quê!?”. E eles “A gente vai ter que levar pra ele lá em Miami, o prazo era apertado”. Fizemos, mandamos para a Nike, e tipo, sem esperanças do cara publicar uma coisa nossa, porque ia ser pela Nike, tá ligado? Mas só de saber que foi pro cara eu fiquei feliz demais.

Foi o Lucas lá da Nike que levou, e ele falou “mano, na hora que ele pegou os tênis na mão ele chorou, mano, pra você ter noção. Eu até filmei”. Ele filmou, tirou foto, e o cara lá com o bagulho na, chorando! Aí na hora que eu publiquei ja arregaçou de gente lá nos comentários “nossa, que foda! Fez pro Bruxo!”. Aí depois de uns dias passou ele usando o tênis, muito foda. Ele postou no instagram agradecendo a Nike pelo presente maravilhoso e tal. Mas a gente sabe que fez, tá ligado? Nossa. Só de pensar, fico emocionado, sou muito fã.

Além desses eu fiz para um monte de gente famosa, uns projetos importante pras pessoas mesmo. Teve um DVD do Léo Santana que os três tênis que ele usa nas gravações fui eu que fiz. Aparece mostrando lá o AirForce cheio de strass. Os caras desenharam e eu produzi o negócio. Várias coisas daora.

Nike Air Force 1 ‘Toy Story’
Feito por: TND Sneakers
Ano: 2021
Fotos: Julio Nery