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O Rodrigo Ootani é dono da Oriba, uma marca de roupas de design básico. Oriba significa “felicidade” em tupi. Exatamente o que ele entrega para várias crianças, porque a cada peça de roupa vendida, um kit escolar é doado para quem precisa. Ele contou para a gente sobre suas motivações por trás da Oriba e sobre seu gosto por tênis, que já foi dos mais básicos ao animal print.
FOTOS POR PÉROLA DUTRA

“Bom, sou formado em Comunicação e RP, e trabalhei um tempo com isso em empresas e tal. Depois, fiz uma Pós-graduação em Berkeley na Califórnia e desde então eu quis ser empreendedor – mais do que empreender, eu queria construir alguma coisa que fizesse sentido, não queria que fosse só mais um trabalho, eu queria causar algum impacto positivo e foi por esse princípio que a Oriba surgiu.

Em relação a moda e tênis, eu nunca fui de seguir tendências e sempre procurei me vestir do jeito que eu achava que era “se vestir bem”. Eu me diferencio em alguns aspectos do que a norma comum – no sentido de não usar as mesmas marcas que todo mundo, ou se não preocupar muito com que os outros pensam. Um exemplo é que quando eu morei em São Francisco por três anos, a maioria dos meus amigos eram ou americanos ou europeus, e na minha opinião eu acho que eles se vestem bem melhor do que a gente, tá que se vestir bem é relativo, mas eu digo isso porque eles aceitam mais o se vestir diferente. Lá eu conseguia reparar muito bem quem era brasileiro e quem não era, só pelo jeito de se vestir.

Aqui no Brasil se você se veste um pouco diferente do que é o padrão, você vai ser julgado de alguma maneira, você vai ter algum estereótipo. E lá eu reparei que a sociedade é mais aberta, eu me vestia com mais “liberdade”, eu colocava umas calças e meias coloridas que ninguém usava. Quando eu voltei pro Brasil meus amigos me zoavam porque eu vestia essas coisas, mas com o tempo, as coisas foram chegando e as pessoas foram aceitando. Hoje em dia eu uso muito peças básicas, sem logos, sem nada do tipo – para mim esse é um jeito de ser mais prático no dia a dia.

Voltando para o que eu faço hoje, a Oriba nasceu porque vimos a oportunidade de fazer um impacto positivo, que no caso era investir em educação infantil, de uma maneira que fosse sustentável, sem depender de doação ou nada do tipo. Em paralelo a isso, vimos que no Brasil era muito difícil comprar roupas básicas e de boa qualidade sem pagar um preço absurdo. Você tinha que escolher entre uma porcaria, como uma fast-fashion, ou alguma coisa muito cara que muitas vezes também é uma porcaria.

Nós vimos a oportunidade de fazer roupas de alta qualidade, com preço justo, com uma causa social – cada produto que vendemos a gente doa um kit de material escolar. A gente consegue promover a ideia de consumo mais consciente e sem ser aquela marca chata que empurra nos outros um estilo de vida, sabe? Tem marca que quer falar “você é aquele surfista Urbano; agora você é o roqueiro”. A gente não, como as roupas da Oriba são básicas, todo mundo pode ter uma coisa nossa – pessoas com o estilo mais parecido com o meu, o que é mais básico tipo um jeans e uma camiseta branca, e tem gente que vai usar uma calça ou jaqueta nossa por que faz sentido para compor um look mais completo. A gente quer que as pessoas tenham a sua própria personalidade.”

Qual é a origem do nome Oriba e em que ano a marca foi criada?

A gente queria um nome que representasse bem o brasileiro, então escolhemos “Oriba”, que significa alegria em Tupi.

A ideia surgiu no final de 2013 e ficamos 2014 inteiro pensando em como ia ser, não tínhamos ideia de como fazer uma roupa, sabe? Pesquisamos para caramba não só o como fazer, mas o fazer bem feito e melhor do que existe. Fomos entender porque a Indústria Têxtil é tão cagada em relação à mão de obra, poluição e descarte. A queria fazer direito. Foi um tempão de pesquisa para a gente chegar no que é hoje, começamos bem mal, fomos evoluindo e aí lançamos a marca mesmo no finalzinho de 2014, e foi para o ar em janeiro de 2015.

Na época, a gente era só um e-commerce, mas as pessoas queriam ver o produto antes de comprar, queriam checar se era linho mesmo, algodão pima, elas queriam ter contato real com o produto. Além de tudo isso, a gente queria se aproximar dos clientes e contar a nossa história de verdade, mas online esse contato fica muito distante – a pessoa clicava no produto, comprava, e ficava por isso mesmo.

No meio de 2015 a gente abriu uma pop up. Foi super legal por que as pessoas poderam ver de perto e conhecer o produto – vimos que era isso que, a gente precisava ter o contato físico com os nossos consumidores. Então, depois dessa experiência a gente decidiu abrir lojas físicas. Outro detalhe é que todas as nossas lojas tem um café junto – fizemos isso porque a gente consome café para caramba e a Oriba tem seu próprio grão de café. O café é uma bebida muito consumida no Brasil e você toma ela em um momento positivo – ou é para você descansar ou para pensar, escrever ou ler. A idéia é que as pessoas possam vir até a nossa loja e entender o que a gente faz, sem ter aquela pressão de comprar alguma coisa.

Nossa ideia principal é fazer com que as pessoas entendam que elas podem ter um papel importante na sociedade, por menor que a Oriba seja como empresa, ou a pessoa como indivíduo, elas podem causar um impacto positivo. Se elas acabarem comprando, ótimo, se não, uma hora elas vão voltar. A ideia do café é essa, pelo espaço diferente para elas ficarem.

COMO EMPRESA PEQUENA O NOSSO IMPACTO É AINDA PEQUENO, MAS O NOSSO OBJETIVO É CRESCER ESSA CONSCIENTIZAÇÃO ENTRE NOSSOS CLIENTES E PARCEIROS.
Como funciona o projeto 1 por 1 da Oriba? Temos uma parceria muito legal com uma ONG – eles ajudam a entregar os kits escolares para as crianças, acompanhar o uso, se acabou não, se está sendo usado ou não, isso tanto para as crianças que estão sendo atendidas diretamente quanto para crianças do entorno. Porque além de ser uma ONG de educação complementar, eles têm também serviço de assistência social para as famílias. Não fazemos direto com as crianças porque a gente precisa ter esse controle e garantir que elas vão usar os materiais escolares – a partir do momento que não precisar mais, que o governo resolver fazer as coisas direito e entregar de verdade, a gente para com material escolar e faz alguma outra coisa relacionado à educação infantil. Como empresa pequena o nosso impacto é ainda pequeno, mas o nosso objetivo é crescer essa conscientização entre nossos clientes e parceiros.

Qual é sua relação com tênis no geral?

Eu tenho alguns. Eu tenho uma grande crítica de como é a indústria de sneaker hoje – a galera compra por comprar, só para ter, aí tem um pessoal que compra só para revender – eles viraram cambista, tipo cambista de show, sabe? Não acho legal essas paradas. Ou às vezes o cara compra porque tá na moda; eu acho que a pessoa tinha que comprar porque ela gosta. Uma coisa que eu acho que eu nunca vou fazer na vida é comprar de um revendedor, para mim nenhum tênis vale isso.

Mas para mim tênis da representação do estilo e gosto de uma pessoa. E no meu caso, eu não gosto de ter as coisas por ter, porque eu preciso vestir esse “uniforme”, eu não sou assim. Eu gosto de usar o que eu gosto. O meu jeito de diferenciar no estilo é com tênis, eu não uso acessório nenhum, mas eu me diferencio com o tênis.

EU NUNCA USEI NADA POR USAR. O MEU GOSTO FOI EVOLUINDO E COMECEI A INVESTIR EM MODELOS MAIS LEGAIS E FUI ACOMPANHANDO.
Você lembra qual foi seu primeiro contato com um tênis que você realmente gostava? Puts, difícil dizer porque desde sempre eu gostava de me vestir o que eu achava que era legal. Eu nunca usei nada por usar. O meu gosto foi evoluindo, eu comecei a investir mais em modelos mais legais e fui acompanhando. Eu sempre tive fases – teve a fase que eu só gostava dos lisos, desde Superga, Converse e Stan Smith, tem uns bem legais e bem feitos nesse estilo que são muito caros, como Common Project que não rola ter. Depois eu quis ter os diferentes para cacete, eu comprei recentemente aquele Air Max 1 Atmos Animal Pack, que as pessoas duvidam até hoje que eu realmente quis comprar aquilo porque ninguém vai sair com um tênis de estampa de onça na rua – eu gosto muito dele por causa disso. Mas é isso né, São fases.

E porquê de todos os tênis da sua coleção você escolheu o Adidas x AW Skate Mid?

Quando eu vi ele eu gostei para cacete, eu gosto muito do trabalho do Alexander Wang, e  também que ele não tem cara de tênis da Adidas – quem não conhece, olha, e não faz ideia que é da Adidas. Eu comprei esse tênis de uma viagem que eu fiz para Los Angeles, eu fui naUndefeated e tinha, era o último dele desse tamanho!

Eu gosto de muitas collabs, principalmente quando o parceiro que tá fazendo a collab com a marca entende o que tá fazendo, diferente de um artista, o tênis sempre sai melhor do que se ele fosse feito somente pela marca, eu tenho a percepção que ele não vai colocar o nome dele em qualquer porcaria, então ele dá uma melhorada no produto final.

Adidas x AW Skate Mid
Comprado: 2018
Dono: Rodrigo Ootani
📸 Pérola Dutra